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12 de junho de 2026

TROCAR DE ROSA -3

 A Vitória, chegada este ano da Suíça, já faz versos em português! Como este alegre e ritmado poema da Neve.

Pintura de Joan Mitchell

NEVE

A neve cai sobre o chão, 

Branca como algodão. 

Cobre as árvores também,

 E deixa tudo muito bem.

 

As crianças vão brincar,

E bonecos vão criar.

A neve é boa de ver,

E faz o inverno crescer.

 

Os flocos caem devagar,

E começam a dançar.

No telhado e no jardim,

Tudo fica tão bonito assim.

 

Os pássaros vão descansar,

Pois está frio para voar.

Eu gosto de a ver cair,

E de a ver a reluzir.

 

Quando o sol aparecer,

A neve vai derreter.

Mas fica no coração,

Como uma doce recordação.

 

Vitória Silva, 8ºC

10 de junho de 2026

POEMAS QUE NUNCA TÊM FIM - 2

E continuamos o diálogo dos nossos alunos com os grandes poetas, deste feita com Cesário Verde.  

Numa atividade de escrita criativa na aula de Português, foi proposto aos alunos do 8º E  que reescrevessem à sua maneira, mas com coerência e criatividade, poemas de vários autores, seguindo determinadas regras dadas pela professora.

No poema De tarde, os alunos tinham de substituir as palavras em final de verso. Eis a proposta do Duarte Madeira e a sua reconstrução deste luminoso poema de Cesário.

Flora, pintura de Odile Redon

De tarde, Cesário Verde

Naquele picnic de crianças,
Houve uma coisa simplesmente inesquecível,
E que, sem ter histórias nem lembranças,
Em todo o caso, dava-se por irresistível.

Foi quando tu, vinda duma ilha,
Foste colher, sem imposturas tontas,
A um ervilhal azul de ervilhas,
Um conjunto de flores, com as pontas soltas.

Pouco depois, em cima dumas colinas,
Nós acampámos, inda o Sol aparecia;
E houve talhadas de melão, tangerinas,
E pão-de-ló tu me oferecias.

Mas, todo púrpura, a sair da casa
Dos teus dois seios como rosas,
Era o supremo encanto da tua asa
O ramalhete rubro das flores cheirosas! 


Duarte Madeira, 8º E 

9 de junho de 2026

POEMAS QUE NUNCA TÊM FIM

Há obras cuja herança não tem fim, pois mantêm-se vivas ao longo dos séculos e nunca deixam de ser lidas, relidas, citadas, recriadas... Aqui está um belo exemplo disso. Os alunos do 8º B foram desafiados pela sua professora a escrever sonetos à semelhança de Bocage. Publicamos três desses sonetos. 

Para além das ideias desenvolvidas em cada poema e do seu conteúdo lírico, parece-nos notável o exercício de versificação: o uso predominante do decassílabo, combinado com a estrutura estrófica e rimática. E todos sabemos como é difícil e exigente a escrita de sonetos. Pois saíram-se muito bem! Vamos ler:

Pedir um desejo - Festival das lanternas, na Tailândia, fotografia de Sherry Zhao

 TRÊS POEMAS À MODA DE BOCAGE

De semblante triste e de olhar cansado,
E no silêncio ensurdecedor,
No rosto fica sorriso forçado,
Mas no coração permanece dor.

Vive das memórias e lembranças,
Vive dos afetos que já acabaram,
Vive também das enormes mudanças
Por parte daqueles que alguém deixaram.

Como barco perdido em alto-mar
Não se sabe se o melhor é seguir,
Ou se apenas é melhor regressar.

Eis a saudade, que fica ao partir,
Uma proposta para elaborar
Um poema que dê gosto ouvir.

                               
  Maria Francisca Ferreira, 8º B

 


Um dia aquela caixa decidiu abrir...
Sem saber se vinha azar ou sorrir.
No coração a culpa se fez notar
das tardes que deixou desperdiçar.

A infância nela aos poucos se calou
e a sensação de que algo se quebrou,
tal como rodas de um carro partido
que pelo canto lá ficou esquecido...

Será que tudo terá esquecido?
Aquela menina terá morrido?
Ou então terá apenas crescido?

Eis a nostalgia, que em todos cresceu.
No dia em que realmente se apercebeu,
Tais histórias que sempre escreveu.

                                   
    Leonor Guerra 8ºB

 

Tudo parece falhar ao redor,
porém o brilho altera o frio interior.
Luz que levanta e chama por ela,
mesmo sendo este caminho sem fim

Nasce algo nela que volta a despertar!
Como uma flor que insiste em renascer
e mesmo quando tudo quer desabar...
Uma força vai ressuscitar!

Percebo que a sombra ilumina a luz.
Esta voz interior que a conduz,
mesmo que o medo queira aprofundar!

Eis a esperança, que a inspirava!
agora é parte do seu interior
e decidiu descrevê-la a vigor.

                                                     Flor Querido, 8ºB

5 de junho de 2026

TROCAR DE ROSA - 2

E prosseguimos o Trocar de Rosa com um texto do Lucca, aluno do 8º C, que partilha connosco este seu "Em partes me odeio", um poema introspetivo e inquieto, atravessado pela perplexidade  de quem nem sempre encontra respostas para as suas interrogações.

Pintura de Laura Makabresku

 EM PARTES ME ODEIO

Em partes me odeio, naquelas que escondo
Na máscara gasta que mostro pró mundo.
Odeio a hipocrisia que vejo lá fora,
E o medo que dita a regra do agora.

Sou jovem de rosto, mas velho na mente,
Cansado de ver tanta gente doente
De orgulho, vaidade e pura ilusão,
Enquanto o silêncio esmaga a razão.

Eu olho à volta e procuro essência,
Mas vejo teatro, farsa e aparência.
Me odeio em partes por me adaptar,
Por ter que fingir para não transbordar.
A mente acelera, tudo balança,
E vejo o mundo a perder esperança.

Eu peço fé, amor e saúde,
Mas sinto que falho em toda atitude.
No fim preciso de entender
Se a cruz foi a ponte para eu viver.

Afinal, se desse para enxergar, não seria fé,
Seria só mais algo para o mundo olhar.
E quando o peso é grande e perco o pé,
Se no fim tudo encerra, o que resta é rezar.

 

                                         Lucca, 8º C 

4 de junho de 2026

TROCAR DE ROSA - 1

A nossa escola tornou-se multicultural. Vem recebendo e integrando jovens e crianças de países tão diversos e tão distantes! E não só geograficamente distantes, mas também na língua, nas tradições, na forma de encarar o mundo. A diversidade impulsiona a partilha e enriquece-nos a todos. 

É assim que o blogue publica dois poemas de alunos do 8º ano que escolheram "Trocar de Rosa", como dizia Eugénio de Andrade, referindo-se ao ato de traduzir poesia ou de a fazer numa língua que não a sua língua materna. 

Começamos com o poema de Jaan Viiar, um poema cheio de esperança, de ânimo e de ritmo. Vamos ler!

Quarto à beira mar, pintura de Edward Hopper, 1951

A VIDA E OS SEUS DESAFIOS

A vida é um caminho a percorrer,
Com sonhos para alcançar e aprender.
Tem dias de sol, cheios de alegria,
E outros de chuva, que testam a valentia.

Cada desafio é uma lição
Que fortalece o corpo e o coração.
Às vezes caímos, perdemos a direção,
Mas levantar de novo é a verdadeira missão.

Há obstáculos difíceis de ultrapassar,
Momentos em que apetece sentar e parar,
Mas a força nasce ao continuar,
E a esperança ajuda-nos a caminhar.

Porque a vida não é só vencer,
É também errar, crescer e compreender.
E em cada desafio que conseguimos superar,
Descobrimos quem somos e até onde podemos chegar.

                                    Jaan Viiar, 8.º C


11 de novembro de 2025

PEQUENAS COISAS

 Como tantas escolas portuguesas, também a nossa se foi tornando cosmopolita e poliglota. São muitas as nacionalidades dos alunos que a  frequentam. E a par dos obstáculos que a diversidade cria, ela traduz-se também no encontro fecundo das culturas e línguas de origem. E estes alunos, de proveniências tão diversas, vão gradualmente aprendendo a nossa língua - que assim se amplia e  enriquece. 

A hospitalidade, diz-se, é  uma qualidade portuguesa. E que maneira perfeita de retribuir encontrou  a Nicolly, do 8º ano, escrevendo num belo português este poema delicado e subtil, que surpreendeu a sua professora e a mim também. Ora vejam: 

fotografia de Raquel Carmona Romero

Pequenas Coisas


Não são os dias grandes que ficam,

são os pequenos detalhes,

um sorrio distraído

um café partilhado

um pôr do sol que chega sem pressa.

 

A vida esconde-se nas brechas,

entre uma risada e um suspiro,

no "Tudo bem?" que vem de verdade,

no abraço que fala sem som.

 

A gente corre tanto,

achando que o bonito está lá à frente,

mas ele vive aqui, agora, quietinho,

esperando ser notado.

 

Nicolly Martinez, 8º Ano


8 de junho de 2024

A AMIZADE

Tínhamos lido na aula o poema"Amigo", de Alexandre O 'Neil. E o Marcos aceitou responder ao desafio de ensaiar, em verso, a sua própria definição de amizade. E fê-lo muito bem. Aqui fica o poema que partilhou connosco na aula.


Domingo, 1950, pintura de Marc Chagall

 

A amizade é a definição de companheiro
alguém que te ajuda sempre que precisas
que está lá para ser teu conselheiro.
Um grande irmão!

É um elo profundo, feito de respeito
que se fortalece a cada novo dia.
Um amigo é o refúgio perfeito
onde vives momentos de paz e alegria.

Amizade!
É a luz que nunca se apaga
um grande trabalho de lealdade
e a mão estendida que sempre afaga.

Assim, amigo, és estrela que brilha
na noite escura, farol de esperança.
Percorremos juntos a mais bela trilha
pois amizade é vida, é fé e confiança.

 

          Marcos Figueredo, 7º B


6 de junho de 2024

SOBRE O LUAR DA SOLIDÃO

Um belo poema do Simão, cheio de imagens subtis, em que o luar, a introspeção e o sentido da amizade se entrelaçam. Ora leiam!


Luar, de Felix Vallotton
 

Em um canto da noite, sozinho, vagueio,
Olho o céu estrelado, busco direção,
Caminho em silêncio, sem medo ou receio,
Escuto no vento a minha canção.

Lembranças surgem, momentos tão raros,
Sorrisos, abraços, histórias a rir,
Agora distantes, são sonhos bizarros,
De que a alma saudosa não quer desistir.

A lua observa-me, com brilho sereno,
Confidente fiel das horas perdidas,
No peito a saudade, um fogo terreno,
Queima memórias de noites vividas.

A solidão é amiga, mas não me consola,
E a cada passo, meu coração chora,
Na dança das horas, a mente controla,
Mas sempre anseia pelo som de outrora.

No meio do silêncio encontro coragem
Para seguir só, sem perder a razão,
Levo comigo uma doce bagagem,
A amizade que vive no meu coração.


            Simão Machado, 7º B

24 de dezembro de 2023

É NATAL

Bem-aventurados os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus.

                                                                               Mateus, 5:9

Pintura de Nabil Anani, Palestina, Família de Belém,1925.

Neste solstício de inverno ele vai nascer
algures no Mundo entre ruínas
no lugar do não ser ele vai nascer
deitado nas palhinhas entre
bombas naufrágios minas
cada mulher que foge o traz no ventre
o mesmo coração um só destino
algures no mundo ele vai ser
em todos os meninos o menino.

                                                         Manuel Alegre

12 de novembro de 2023

À maneira de Pessoa

De início pensámos em quadras. Propus aos alunos do 12ºC escrever à maneira de Fernando Pessoa - o verso breve, o vocabulário corrente, a inspiração tradicional... 

Nem sempre escolheram quadras, ou sequer redondilhas, mas a musicalidade, a melancolia subtil, as inquietações do poeta, a idealização da infância  perdida - tudo isso eles captaram e tornaram em algo seu. Foi uma bela surpresa!

Pintura de Christine Sloman (Escócia), Altogether Elsewhere II

Nas múltiplas máscaras que criei,
No meu ser fragmentado me encontrei.
Em cada verso a alma se entregou,
Fernando Pessoa em mim se revelou.

Afonso Fonseca Catarino


No vasto mar da vida, onde navegamos sem fim,
Somos barcos à deriva, perdidos em nós mesmos assim.
Nas ondas do sonho, procuramos o sentido,
Mas o mistério da existência permanece escondido.

Ana Laura L. T. S Fonseca


Em seus escritos, a busca pelo ser verdadeiro,
As incertezas do eu num jogo pioneiro.
Em cada palavra, um labirinto se formou,
As incertezas da vida ele eternizou.

Alice Mateus Mendes


Na infância os sonhos eram meu tesouro,
Um mundo de magia, brilho e calor.
Na inocência encontrei cada sonho de ouro,
No coração da infância floresceu o amor.

Augusto Almeida Marques


Na infância, sorrisos a brilhar,
Mundos de sonho a explorar.
É a inocência que nos guia,
Tempo mágico de encantar.

Catarina Afonso M. Belo


No silêncio da noite escura e fria,
A alma vagueia em busca da verdade,
Como o poeta que na poesia
Descobre o mundo, em sua diversidade.

Daniela Raimundo Lourenço


Num sonho, a noite revela-se,
Mundos de magia e a mente a dançar.
Um mundo que é só meu,
E onde a imaginação pode voar.

Dinis Santos Dias


Doce música chega ao ouvido,
Nostalgia invade o peito,
P’la melodia sinto-me atraído,
A realidade volta e fico desfeito.

Francisco Manuel L. P. Couto


Nostalgia da infância que me invade:
Lembro sonhos de criança, pura saudade,
Tempo de inocência, felicidade.
Fernando Pessoa, alma, eternidade.

Inês Silva Morais


Na rua da incerteza, caminho sozinho,
Em mim, múltiplos "eus" buscam seu destino.
Fado incerto, alma inquieta, sem caminho,
Sou Pessoa, sou ninguém, sou meu próprio desatino.

José Rosa Valentim 




Vi uma lagarta que em borboleta se transformou,
Levou-me para um passado que por mim voou.
Sonhos de crianças, corridas passageiras,
Amores perdidos, mortes ligeiras.
À noite adormeço a pensar em ti
Em quanto te amei, no amor que perdi.

Luís Afonso G. Tomás






Nas sombras do passado, segredos a contar
Em cada lembrança, o tempo a ecoar
Memórias doces, como um conto encantado
No coração, o passado é sempre recordado

Lara Alexandra R. Roxo



Doce Infância

Na infância, a inocência nos guiava
E a magia do mundo ela revelava:
Amigos verdadeiros, laços que não quebravam,
E tantas memórias doces que nunca se apagaram.

Maria Beatriz F. Grosa


A cada dia que passa
Fico mais devastado.
Penso em maçadas.
Tudo me deixa acabrunhado.

Maria Rafael Marques


Nas palavras de Pessoa, o ser a questionar,
Múltiplas vozes, o eu a desdobrar,
Em versos profundos, a alma a sondar.
Fernando Pessoa, fazes-me pensar.

Marta Fonseca António


Tento viver no agora
Sem pensar no futuro,
Para quando chegar a hora,
Não estar farta de tudo.

Matilde Duarte Mateus 



A vida é escola, o saber é voar,
Aprender é o segredo, sem se cansar.
Nas estradas da vida, desafios encarar,
Superar obstáculos e soluções encontrar.


Rafael André R. Santos


Sob o luar de prata a brilhar,
Segredos da noite a desvendar,
No silêncio, alma a meditar,
Nas estrelas, histórias a contar.

Rafael Lourenço Catarino


19 de outubro de 2023

A FLOR

Do José Valentim, um texto poético, que de início nos faz lembrar a célebre parábola da rosa, no livro do Principezinho, para depois enveredar por uma indagação pessoal acerca dos limites da nossa dádiva aos outros. Ora leiam!

Pintura de Ton Dubbeldam, Jardim Aquático
 A minha mãe sempre me disse que não desse demasiada água à flor.
Eu não liguei, queria ver quanto cresceria, era só o que me importava.
Fiz questão de cuidar dela todos os dias. 

E reguei tanto, mas tanto,
que quando me apercebi a flor já nem comigo estava.

A dor de uma planta é igual à dor humana?
Se receber demasiado, morre, se receber pouco, morre também.


Isto faz de mim uma pessoa desumana?

Damos tanto pelos outros, e ninguém nos para.
Destruímo-nos no processo de amar o próximo mais do que a nós mesmos.

Mas no fim, a dor não se compara.

 

                                                      José Valentim, 12º C

25 de abril de 2023

O 25 DE ABRIL

Assim celebraram os nossos alunos do 9ºA a revolução dos cravos.

Era um tempo cinzento, sem cor nem sabor, O medo era rei, a liberdade sem valor. Mas no dia 25 de Abril O povo saiu à rua, com vontade de mudar Portugal.

De cravo na mão, cantava-se a canção da paz, A alegria era tanta, que até o céu sorriu por nós. A ditadura caiu, a liberdade renasceu, A democracia venceu, a esperança floresceu.

Foi um dia histórico, que nunca será esquecido, O povo conquistou o direito de ser ouvido. Hoje, olhamos para trás e lembramos com emoção O dia em que Portugal acordou para a revolução.

Viva o 25 de Abril, a liberdade e a democracia! Que nunca mais sejam negados nem esquecidos os valores da cidadania!

António Anastácio, Francisco Monteiro, Gaspar Costa, Simão Ferreira, alunos do 9º A 



20 de março de 2023

TARAS SHEVCHENKO - UM POEMA

 Quando perguntei ao nosso aluno Stas quem seria o poeta que, para a Ucrânia, estaria como Camões para Portugal, a resposta não se fez esperar: Taras Shevchenko. Falou-me orgulhosamente da vida de Shevchenko e pesquisámos, na internet, acerca do poeta e da sua obra. Decidimos então que seria interessante partilhar algumas destas informações com a comunidade escolar. Aqui ficam, assim como um poema, na melhor tradução que conseguimos encontrar "online".


 
Taras Shevtchenko foi poeta, pintor e desenhador. É considerado o fundador da moderna literatura ucraniana, sendo a sua obra maior a coletânea poética Kobzar.

Nasceu em 1814, no Império Russo, na atual região de Tcherkássi, Ucrânia. Pertencia a uma família de servos e teve uma infância difícil. Já em São Petersburgo, para onde se mudou para trabalhar, os primeiros anos não foram menos atribulados.

Por fim o jovem viria a ser libertado da servidão e pôde estudar na Academia das Artes de São Petersburgo, onde fez amizade com outros artistas e intelectuais e foi abrindo horizontes. O seu grande talento é reconhecido, quer como pintor, quer como poeta. Desenvolve uma obra notável e foram-lhe concedidas várias distinções.

Contudo, em 1845 foi preso por motivos políticos, e exilado. Ao exílio foi acrescentada a proibição de escrever ou desenhar – proibição que não acatou.

Em 1857 o artista recebe o perdão do czar e regressa, mas a sua saúde estava muito debilitada pelas terríveis condições do exílio e do campo prisional. Morre pouco depois, em 1861.

Taras Shevchenko, o mais importante poeta e humanista ucraniano, teve uma existência breve e dura: de 47 anos de vida, 24 passou-os em servidão, e 12 no exílio. Mas a sua obra perdura no tempo e permanece fonte de orgulho e inspiração para todos os ucranianos. 

 

     O SOL PÕE-SE

O sol põe-se, as colinas escurecem,
A avezinha cala-se, o campo sossega.
Os homens, satisfeitos, gozam o repouso,
Só eu contemplo… e a minha alma voa
Até ao pomar escuro da minha Ucrânia.
Voo em pensamentos,
E assim a alma se aquieta.
Negrejam campos, matas e montes,
No céu profundo nasce uma estrela.
Oh estrela, estrelinha! – e as lágrimas rolam.
Já surgiste na minha Ucrânia?
Será que olhos amados
No céu te buscam? Ou já esqueceram?
Se esqueceram, que durmam tranquilos,
E com o meu destino não se perturbem.

Taras Shevchenko, Ucrânia (1814-1861)

 

Pesquisa feita por Stanislav Shvets, 9º E