
Numa procura incessante da sua essência e da dos elementos que o rodeiam, o autor propõe uma introspeção sobre quem somos e porque somos. Tudo isto através da história de Alberto, um professor de Português em Évora, que desenha todo um universo de contornos indefinidos. Alberto é uma personagem com um problema metafísico a resolver, um ser angustiado pela redescoberta da morte, que não acredita em Deus, uma personagem para quem a vida é uma selva de caminhos, na qual é fácil perdermo-nos. Falar deste homem é ainda invocar um ser que se sente excluído da verdade e da harmonia natural, que quer uma resposta para a ameaça da morte, algo que lhe confira tranquilidade. Trata-se, portanto, de alguém incessantemente à procura da aparição.
Na verdade, o autor serve-se de Alberto e das personagens igualmente fortes com quem este se cruza para escrever um romance marcadamente autobiográfico, dado que o centro da obra é a experiência de algo muito pessoal. Afinal, tal como a personagem, o autor deu aulas em Évora, sendo de destacar que os paralelismos autobiográficos não se ficam por aqui. Em suma, o autor confere a Alberto o papel de difusor das respostas, marcadas pela filosofia existencialista, a que chegou.
Raquel Rocha, 12º E, Clássicos da Literatura