5 de junho de 2026

TROCAR DE ROSA - 2

E prosseguimos o Trocar de Rosa com um texto do Lucca, aluno do 8º C, que partilha connosco este seu "Em partes me odeio", um poema introspetivo e inquieto, atravessado pela perplexidade  de quem nem sempre encontra respostas para as suas interrogações.

Pintura de Laura Makabresku

 EM PARTES ME ODEIO

Em partes me odeio, naquelas que escondo
Na máscara gasta que mostro pró mundo.
Odeio a hipocrisia que vejo lá fora,
E o medo que dita a regra do agora.

Sou jovem de rosto, mas velho na mente,
Cansado de ver tanta gente doente
De orgulho, vaidade e pura ilusão,
Enquanto o silêncio esmaga a razão.

Eu olho à volta e procuro essência,
Mas vejo teatro, farsa e aparência.
Me odeio em partes por me adaptar,
Por ter que fingir para não transbordar.
A mente acelera, tudo balança,
E vejo o mundo a perder esperança.

Eu peço fé, amor e saúde,
Mas sinto que falho em toda atitude.
No fim preciso de entender
Se a cruz foi a ponte para eu viver.

Afinal, se desse para enxergar, não seria fé,
Seria só mais algo para o mundo olhar.
E quando o peso é grande e perco o pé,
Se no fim tudo encerra, o que resta é rezar.

 

                                         Lucca, 8º C 

4 de junho de 2026

TROCAR DE ROSA - 1

A nossa escola tornou-se multicultural. Vem recebendo e integrando jovens e crianças de países tão diversos e tão distantes! E não só geograficamente distantes, mas também na língua, nas tradições, na forma de encarar o mundo. A diversidade impulsiona a partilha e enriquece-nos a todos. 

É assim que o blogue publica dois poemas de alunos do 8º ano que escolheram "Trocar de Rosa", como dizia Eugénio de Andrade, referindo-se ao ato de traduzir poesia ou de a fazer numa língua que não a sua língua materna. 

Começamos com o poema de Jaan Viiar, um poema cheio de esperança, de ânimo e de ritmo. Vamos ler!

Quarto à beira mar, pintura de Edward Hopper, 1951

A VIDA E OS SEUS DESAFIOS

A vida é um caminho a percorrer,
Com sonhos para alcançar e aprender.
Tem dias de sol, cheios de alegria,
E outros de chuva, que testam a valentia.

Cada desafio é uma lição
Que fortalece o corpo e o coração.
Às vezes caímos, perdemos a direção,
Mas levantar de novo é a verdadeira missão.

Há obstáculos difíceis de ultrapassar,
Momentos em que apetece sentar e parar,
Mas a força nasce ao continuar,
E a esperança ajuda-nos a caminhar.

Porque a vida não é só vencer,
É também errar, crescer e compreender.
E em cada desafio que conseguimos superar,
Descobrimos quem somos e até onde podemos chegar.

                                    Jaan Viiar, 8.º C


2 de junho de 2026

A pior despedida

 Encerrar ciclos e aguardar, com esperança e receio, a abertura das etapas seguintes - é assim, crescer. Aliás, é assim a vida. A Beatriz, à beira do Secundário, faz um balanço dos anos que ficam para trás e desfila as boas memórias que deseja guardar. Um texto bonito e bem-humorado. Ora vejam.

Fotografia de Carlos de Sousa Almeida

 

 Pediram-me para escrever um texto livre e, nesta altura, só me veio uma coisa à cabeça: o fim do nono ano. Sou sincera, este tema assusta-me, porque não é simplesmente um último dia de aulas, três meses de férias e um regresso às aulas. O fim deste ano tem um peso muito maior, desde os exames, à pressão familiar e social que alguns sofrem para fazer a escolha certa, e ainda, o que para mim é o pior, a separação das turmas. Convivo com os meus colegas, alguns, há cinco anos, outros há nove e ainda alguns há quase quinze anos. Então, entrar numa sala com apenas quatro ou cinco rostos conhecidos vai ser difícil…

Até agora, numa sala com vinte alunos, tínhamos de tudo, polícias, professores, advogados, arquitetos, nutricionistas, biólogos, tudo! Éramos uma mistura incrível, nem todos gostamos das mesmas coisas, mas isso ensinou-nos a apoiarmo-nos, apesar de tudo. Ao longo do tempo transformámo-nos em mais do que apenas uma turma difícil, fomos também criando laços, estabelecendo relações e tornámo-nos quase uma família. Foram cinco anos a ir todos os dias para a escola, ter com os amigos, que mudaram tanto ao longo do tempo, que nos rendem infinitos ataques de riso. O mais engraçado é olhar à volta e pensar: Uau! O poder de uma simples lista de vinte nomes escolhidos aleatoriamente é gigante.

Agora que todos temos maturidade suficiente para nos aceitarmos, agora que estamos todos ligados, agora... agora vamos voltar ao início, voltar ao primeiro dia de aulas, com um fogo extra na barriga, com medo do que nos espera e de quem nos espera.

Sempre ouvi falar do quão assustador era o Secundário e a escolha do curso, mas poucas foram as pessoas que falaram das amizades. À primeira vista pode não parecer uma coisa importante, mas eu não teria aguentado sem os meus amigos. Ainda não sei como vou reagir quando daqui a uns meses entrar numa sala, olhar à volta e perguntar: “Onde está a Emília, que é minha vizinha de mesa desde antes de eu ter uma? O Jaime, que cresceu comigo? A Alice, que aprendeu a andar ao meu lado? Onde está a Bia, que é a amiga de todas as horas? A Constança, que está lá sempre para mim? A Isabela, que nunca me deixou mal? Onde está o Tiago, que me salvou de muitas negativas? A Maria, que me consegue sempre fazer nascer um sorriso na cara? O Spínola, que já rendeu tantas histórias? O “Simão”, que nos faz rir à gargalhada nos piores momentos? Onde está o João, que nunca reclama da cadeira? O Estêvão, que nunca nos nega uma folha? Onde está o Santiago, que nos faz questionar até as coisas mais simples?” Onde vão estar? Vão estar nas infinitas memórias claro, claro, mas e se eu disser que preciso deles aqui, ao meu lado?

Sinceramente, acho que os amigos são o mais importante, e sei que um curso diferente não separa, mas abala, porque nem todos são as pessoas para quem corro quando algo está mal, mas todos eles são as pessoas que eu preciso de ter aqui.

No outro dia vi um vídeo e acho que foi feito para esta situação. O vídeo tinha uma pequena frase que expressava um sentimento gigantesco. Dizia: “Que ironia ficarmos tristes pelas memórias mais felizes!” Nem mais, concordo plenamente, mas vou ter de admitir que custa na mesma. Não lhes digam, mas eu adoro-os a todos!


Beatriz Mendes, 9ºA

29 de maio de 2026

O PESO DO PENSAR

 Uma surpreendente e labiríntica meditação em torno do gesto criativo, do pensamento e do ato de escrever. Um não menos surpreendente e misterioso retrato de si. 

Escreve o Miguel Correia Silva, do 9º A.  Vale a pena ler!


Lanterna, pintura de George Tooker

Posso escrever sobre tudo, tudo o que a minha mente consegue assimilar pode ser usado para expressar aquilo que sinto. É esse o conceito de livre-arbítrio, nada me impede, nada me ampara, mas, mesmo assim, com todas as possibilidades, algo ainda me prende. Justamente o facto de poder expressar tudo e qualquer coisa me acorrenta ao forte, complicado e difuso dilema do medo, da hesitação e das possibilidades infinitas que só complicam a minha decisão.

“O que hei de escrever?”, pergunto-me, “Qualquer coisa”, a minha mente rapidamente responde, e é isso que me impede de começar: tudo, o triste, pesado e ineficaz ato de pensar demais, uma “dádiva” que na verdade age como uma maldição. Já se perderam as contas de quantas vezes deixei de começar as minhas criações ou quantas vezes simplesmente recomecei tudo do zero; uma pessoa como eu nunca está satisfeita! Muitos designam esta condição como “falta de criatividade”, mas, neste caso, não, desta vez é rigorosamente o contrário, o excesso incansável de criatividade, a minha mais forte fraqueza, a minha desvantagem mais vantajosa, o ato inquietante de pensar demasiado.

Muito tempo se passa desde o início da jornada desta qualidade que me assombra, muitos são os problemas que ela me causa, ainda hoje tenho noites em claro, só pensando e olhando para o profundo, escuro e assombroso abismo vazio de sentido e vasto de informações intermináveis que são os meus pensamentos. Eu sei, sei de tudo um pouco, mas cada experiência que ganho, cada livro que leio, cada pesquisa que faço só me desafiam mais e mais. minha mente torce-se e retorce-se quando se depara com o mar de ignorância em que o meu pequeno barco navega, cada vez mais percebo que – mesmo sabendo de tudo um pouco – estou em constante frustração por, em verdade, não saber nada.

É curioso como a minha mente me afasta das pessoas. Geralmente, aqueles que muito sabem estão rodeados por pessoas que admiram muito o seu saber, mas não, comigo é diferente, a minha mente não é de um “inteligente” que decora e se lembra ou de um “nerd” que só se preocupa com os números, às vezes injusto, que as avaliações proporcionam. A minha mente está à frente do tempo em que me encontro; sei que isso soa arrogante, mas digo-o com sinceridade, a minha mente tem algo diferente, um “click” que ainda não atingiu muitas das pessoas que conheço, sei disso pois olho para as pessoas ditas “comuns” ou “normais” e vejo ainda muitos pensamentos irracionais, impulsivos, inconsequentes e simplesmente sem sentido.

Agora sei que – inevitavelmente – estou condenado a estar exilado dos meus semelhantes, tudo o que me resta é a minha mente confusa, cheia, rápida e pensativa, que se alimenta do aprazível ato de saber, a minha alma deleita-se no conhecimento e diverte-se em tentar expressar – mesmosem palavras – o que se passa na minha mente perturbada.

Concluo que, para pessoas como eu, é imprescindível a presença das artes que soltam tudo o que está preso e escondido. Continuarei com poucas companhias que me compreendem, a escrever os meus poemas, a pintar os meus quadros, a compor as minhas músicas e a fazer coisas que edificam a minha alma.

Miguel Correia Silva 9.º A

27 de maio de 2026

O FILME SOBRE ANNE FRANK

A Mariana Vieira, do 8ºC, escreve uma bela apreciação crítica sobre o filme inspirado no "Diário de Anne Frank". E convida-nos a refletir acerca dos caminhos da História e do passado, de modo a acautelarmos os valores que mais prezamos. Liberdade, segurança, sonhos... não podemos tomá-los como garantidos, diz a Mariana. E com toda a razão.

 

Abstração, pintura de Miró

O filme “O Diário de Anne Frank”, baseado no livro O Diário de Anne Frank, é muito mais do que uma simples adaptação histórica. Na minha opinião, este filme obriga-nos a refletir sobre a Segunda Guerra Mundial e sobre pessoas em situações extremas.

O que mais me marcou no filme foi a forma como a história nos aproxima de Anne, enquanto esta é adolescente. Ela não era apenas uma vítima do nazismo, era uma adolescente com sonhos, inseguranças, discussões familiares (principalmente com a mãe) e vontade de viver. Isto torna tudo mais impactante, porque percebemos que poderia ser qualquer um de nós numa situação daquelas. A esperança que Anne tem enquanto está escondida no anexo, com medo do que possa acontecer, é inspiradora e dolorosa, pois sabemos o seu final.

Outro aspeto que achei interessante no filme foi a tensão dentro do anexo. Aquele espaço fechado aumentou os conflitos entre as personagens, revelando as fragilidades, os medos e até as diferenças de personalidade. O filme mostra-nos como era difícil viver num espaço pequeno e confinado, durante dois anos. A convivência era difícil, sim. Mas também havia momentos de união e de solidariedade.

Além disso, o filme transmite uma mensagem sobre intolerância e discriminação. Ao mostrar as consequências do ódio e do preconceito, alerta-nos sobre a importância de defender os direitos humanos e a liberdade. Não é só uma história do passado, é um aviso para o presente e para o futuro.

Em suma, considero que o filme “O Diário de Anne Frank” é essencial, principalmente para nós, jovens. Ajuda-nos a entender a gravidade da perseguição aos judeus e a valorizar aquilo que muitas vezes damos como garantido, por exemplo a liberdade, a segurança e a possibilidade de sonhar. É uma obra triste e ao mesmo tempo necessária, pois ensina-nos a nunca esquecer a importância da liberdade e da segurança.

Mariana Vieira 8.º C

15 de abril de 2026

APRECIAR, DEPRECIAR

Na aula de Português, os alunos do 7º ano A realizaram uma oficina de escrita em que elaboraram descrições apreciativas ou depreciativas de um herói de animação, usando vários recursos expressivos e conectores discursivos. Aqui ficam dois desses textos.
 
RATATOUILLE ou REMY 

Remy é um dos protagonistas mais cativantes da animação. Embora seja pequeno no tamanho, é gigante no talento.

Não é um animal qualquer: tem um olfato e um paladar fora do comum, é um autêntico chefe de cozinha profissional!

Com a sua pelagem cinza aveludada e os seus olhos castanhos como chocolate, Remy leva os seus sonhos culinários para o restaurante mais "chique" de Paris.

Pelo caminho conhece Linguini, um aspirante a chefe um pouco tímido, mas com um grande coração. Remy ajuda-o, guiando-o pela cozinha.

No fundo, Remy é um chefe com alma maior do que o próprio mundo!

 

 Martim, Vicente, Máxima, Madalena, Maria, 7ºA

 

 

GRU: O MAL-DISPOSTO 

 


Com a ajuda dos seus lacaios (minions), ele tem ideias tão estúpidas e inúteis como "roubar a Lua". E o doutor Nefário, nem me falem dele, é tão feio, velho e imprestável como a minha tetravó.

A mulher do Gru era muito bela, tirando o cabelo, o corpo e a cara. Tão magra como um palito, se o vento fosse forte, ela até voava. Sem esquecer as filhas, cada uma mais feia que a outra: a mais nova, mimada e iludida, a do meio, ninguém se lembra dela, e a mais velha pensa que manda em todos, só porque lê livros e usa óculos.

Não esqueçamos o irmão, cuja beleza iguala o brilho da careca do Gru, tão brilhante que até o sol se esconde com tanta luz!

Efetivamente, um ser singular, em figura e em atitude!

Alice, Duarte, Estrela, Joana e Laura, 7ºA 

 

 

11 de março de 2026

O VALOR DO ESFORÇO

 Convidado a dar a sua opinião acerca do papel do esforço na prossecução de sonhos e  objetivos, o Paulo Rosa, aluno do 12º E, escreveu este belo texto, que nos convida à busca animosa.

O barco misterioso, pintura de Odilon Redon (1840-1916)

 

Na minha opinião, o esforço e o empenho pessoal são os elementos decisivos na concretização dos nossos sonhos. Acredito que todos podemos sonhar alto, mas apenas aqueles que  assumem um compromisso sério consigo próprios conseguem transformar os sonhos em realidade.  Ao longo do meu percurso, tenho aprendido que o sucesso não surge de forma imediata nem por acaso; constrói-se diariamente, através de atitudes consistentes e de escolhas responsáveis.

Para mim, o verdadeiro valor do esforço revela-se em momentos difíceis  quando o cansaço aperta, quando os resultados não correspondem às expetativas ou quando surge o desejo de desistir. É precisamente aí que o empenho faz a diferença. Persistir, mesmo sem garantias, exige coragem e maturidade. Cada obstáculo ultrapassado fortalece a nossa confiança e aproxima-nos dos nossos objetivos. 

Em suma, estou convicto de que o talento pode abrir portas, mas é o trabalho esforçado que as mantém abertas. E, no final, não são apenas as metas alcançadas que contam, mas também a pessoa em que nos tornamos durante o processo. É através do esforço que procuro construir, diariamente, a melhor versão de mim próprio.

 

                                Paulo Rosa, 12º E 

26 de janeiro de 2026

SERÁ?



                                     Fotografia de Elena Gromova-Kalminskay


«Vemos o mundo uma única vez - durante a infância. O resto é memória".

                           Louise Glück


11 de novembro de 2025

PEQUENAS COISAS

 Como tantas escolas portuguesas, também a nossa se foi tornando cosmopolita e poliglota. São muitas as nacionalidades dos alunos que a  frequentam. E a par dos obstáculos que a diversidade cria, ela traduz-se também no encontro fecundo das culturas e línguas de origem. E estes alunos, de proveniências tão diversas, vão gradualmente aprendendo a nossa língua - que assim se amplia e  enriquece. 

A hospitalidade, diz-se, é  uma qualidade portuguesa. E que maneira perfeita de retribuir encontrou  a Nicolly, do 8º ano, escrevendo num belo português este poema delicado e subtil, que surpreendeu a sua professora e a mim também. Ora vejam: 

fotografia de Raquel Carmona Romero

Pequenas Coisas


Não são os dias grandes que ficam,

são os pequenos detalhes,

um sorrio distraído

um café partilhado

um pôr do sol que chega sem pressa.

 

A vida esconde-se nas brechas,

entre uma risada e um suspiro,

no "Tudo bem?" que vem de verdade,

no abraço que fala sem som.

 

A gente corre tanto,

achando que o bonito está lá à frente,

mas ele vive aqui, agora, quietinho,

esperando ser notado.

 

Nicolly Martinez, 8º Ano


14 de maio de 2025

TEMPUS FUGIT

 Quando os meus alunos do 12º ano estudam o conto "George", de Maria Judite de Carvalho, tento que estabeleçam relações de sentido entre esta obra e poemas  que tratam, como o conto,  a temática da perda e do envelhecimento. Também  o belíssimo quadro de Klimt, "As três idades da mulher", faz parte dos documentos que interpretamos, convictos de que a exploração de redes temáticas e intertextuais entre obras diversas é um excelente caminho de aprendizagem e descoberta.

Deixo aqui a reprodução do quadro de Klimt e uma leitura possível do mesmo,  uma síntese breve das conclusões a que chegámos.

Gustav Klimt (Áustria, 1862-1918) 

No quadro representam-se três figuras humanas, nuas e de diferentes idades: uma mulher velha, uma jovem e uma criança. A disposição das personagens, pintadas de forma realista, remete para o carácter cíclico da vida.

O destaque é dado à criança e à mulher jovem, que surgem em primeiro plano, tranquilas, talvez adormecidas, e numa posição reveladora de intimidade, o que se manifesta através de pormenores como os olhos fechados, da cabeça em repouso e do abraço que une as duas figuras. Esta união é acentuada pelo véu que as envolve. Notemos ainda aspetos como o cromatismo (os tons alegres, a claridade que parece emanar da pele e dos cabelos) e as flores que adornam a jovem mulher e que simbolizam beleza, plenitude, fertilidade.

Ao lado destas personagens, está representada uma mulher idosa, de perfil para o observador e de frente para as outras duas figuras. Os longos cabelos grisalhos e as mãos nodosas impedem-nos de lhe ver o rosto, sugerindo inibição (talvez mesmo vergonha) e desgosto. A figura desta mulher revela, de forma realista e cruel, as marcas do tempo: o desgaste do corpo, que a idade foi "trabalhando", a flacidez e o escurecimento da pele, a silhueta que os anos, as vicissitudes e a própria  gravidade foram deformando. Tudo nela sugere decadência física, mas sobretudo solidão e vulnerabilidade. A mulher está sozinha, sozinha com o seu sofrimento, as suas memórias, a sua fragilidade.

Assim, esta pintura encena o nascimento, a plenitude e o declínio da vida, expondo com realismo o inelutável devir humano e as consequências do envelhecimento. 

Notas do trabalho feito com as turmas C/E do 12º Ano.


4 de abril de 2025

IN MEMORIAM

 Perdemos recentemente alguém que fez parte da nossa escola durante décadas e que está profundamente ligada à sua história e desenvolvimento: a Dona Aurora, que foi chefe do pessoal auxiliar do Externato durante muitos anos e que, mesmo depois de aposentada e já de idade avançada, era uma presença sorridente e afável nas ruas da vila, e gostava de partilhar as lembranças que guardava dos seus anos de funcionária do ECB.

Em jeito de homenagem, publicamos um texto da sua neta, a Gabriela Ferreira, aluna do 8º Ano, que evoca carinhosamente a avó.

              UMA PESSOA INESQUECÍVEL

Sentada no banco de jardim com a minha avó, conversamos durante horas e horas.

Quantas histórias suas me contou, vezes sem conta? E as dificuldades que teve ao longo da vida? Inúmeras! Ela já arrasta consigo noventa e dois anos de vida difícil, no entanto, continua a pensar sempre no lado bom das coisas, apesar de já estar um pouco esquecida e "lenta".

A Aurora, por vezes, sente-se sozinha e triste, mas como eu e os meus pais reparamos nisso, vamos visitá-la com bastante frequência. A minha avó adora os netos, até tem a sala e o quarto cheios de fotos nossas e dos filhos.

Para mim, é uma avó incrível! Gosto imenso dela!

                                                           Gabriela Ferreira, 8ºC