10 de junho de 2026

POEMAS QUE NUNCA TÊM FIM - 2

E continuamos o diálogo dos nossos alunos com os grandes poetas, deste feita com Cesário Verde.  

Numa atividade de escrita criativa na aula de Português, foi proposto aos alunos do 8º E  que reescrevessem à sua maneira, mas com coerência e criatividade, poemas de vários autores, seguindo determinadas regras dadas pela professora.

No poema De tarde, os alunos tinham de substituir as palavras em final de verso. Eis a proposta do Duarte Madeira e a sua reconstrução deste luminoso poema de Cesário.


Flora, pintura de Odile Redon


De tarde, Cesário Verde

Naquele picnic de crianças,
Houve uma coisa simplesmente inesquecível,
E que, sem ter histórias nem lembranças,
Em todo o caso, dava-se por irresistível.

Foi quando tu, vinda duma ilha,
Foste colher, sem imposturas tontas,
A um ervilhal azul de ervilhas,
Um conjunto de flores, com as pontas soltas.

Pouco depois, em cima dumas colinas,
Nós acampámos, inda o Sol aparecia;
E houve talhadas de melão, tangerinas,
E pão-de-ló tu me oferecias.

Mas, todo púrpura, a sair da casa
Dos teus dois seios como rosas,
Era o supremo encanto da tua asa
O ramalhete rubro das flores cheirosas! 

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