Mostrar mensagens com a etiqueta placar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta placar. Mostrar todas as mensagens

9 de junho de 2026

POEMAS QUE NUNCA TÊM FIM

Há obras cuja herança não tem fim, pois mantêm-se vivas ao longo dos séculos e nunca deixam de ser lidas, relidas, citadas, recriadas... Aqui está um belo exemplo disso. Os alunos do 8º B foram desafiados pela sua professora a escrever sonetos à semelhança de Bocage. Publicamos três desses sonetos. 

Para além das ideias desenvolvidas em cada poema e do seu conteúdo lírico, parece-nos notável o exercício de versificação: o uso predominante do decassílabo, combinado com a estrutura estrófica e rimática. E todos sabemos como é difícil e exigente a escrita de sonetos. Pois saíram-se muito bem! Vamos ler:

Pedir um desejo - Festival das lanternas, na Tailândia, fotografia de Sherry Zhao

 TRÊS POEMAS À MODA DE BOCAGE

De semblante triste e de olhar cansado,
E no silêncio ensurdecedor,
No rosto fica sorriso forçado,
Mas no coração permanece dor.

Vive das memórias e lembranças,
Vive dos afetos que já acabaram,
Vive também das enormes mudanças
Por parte daqueles que alguém deixaram.

Como barco perdido em alto-mar
Não se sabe se o melhor é seguir,
Ou se apenas é melhor regressar.

Eis a saudade, que fica ao partir,
Uma proposta para elaborar
Um poema que dê gosto ouvir.

                               
  Maria Francisca Ferreira, 8º B

 


Um dia aquela caixa decidiu abrir...
Sem saber se vinha azar ou sorrir.
No coração a culpa se fez notar
das tardes que deixou desperdiçar.

A infância nela aos poucos se calou
e a sensação de que algo se quebrou,
tal como rodas de um carro partido
que pelo canto lá ficou esquecido...

Será que tudo terá esquecido?
Aquela menina terá morrido?
Ou então terá apenas crescido?

Eis a nostalgia, que em todos cresceu.
No dia em que realmente se apercebeu,
Tais histórias que sempre escreveu.

                                   
    Leonor Guerra 8ºB

 

Tudo parece falhar ao redor,
porém o brilho altera o frio interior.
Luz que levanta e chama por ela,
mesmo sendo este caminho sem fim

Nasce algo nela que volta a despertar!
Como uma flor que insiste em renascer
e mesmo quando tudo quer desabar...
Uma força vai ressuscitar!

Percebo que a sombra ilumina a luz.
Esta voz interior que a conduz,
mesmo que o medo queira aprofundar!

Eis a esperança, que a inspirava!
agora é parte do seu interior
e decidiu descrevê-la a vigor.

                                                     Flor Querido, 8ºB

5 de junho de 2026

TROCAR DE ROSA - 2

E prosseguimos o Trocar de Rosa com um texto do Lucca, aluno do 8º C, que partilha connosco este seu "Em partes me odeio", um poema introspetivo e inquieto, atravessado pela perplexidade  de quem nem sempre encontra respostas para as suas interrogações.

Pintura de Laura Makabresku

 EM PARTES ME ODEIO

Em partes me odeio, naquelas que escondo
Na máscara gasta que mostro pró mundo.
Odeio a hipocrisia que vejo lá fora,
E o medo que dita a regra do agora.

Sou jovem de rosto, mas velho na mente,
Cansado de ver tanta gente doente
De orgulho, vaidade e pura ilusão,
Enquanto o silêncio esmaga a razão.

Eu olho à volta e procuro essência,
Mas vejo teatro, farsa e aparência.
Me odeio em partes por me adaptar,
Por ter que fingir para não transbordar.
A mente acelera, tudo balança,
E vejo o mundo a perder esperança.

Eu peço fé, amor e saúde,
Mas sinto que falho em toda atitude.
No fim preciso de entender
Se a cruz foi a ponte para eu viver.

Afinal, se desse para enxergar, não seria fé,
Seria só mais algo para o mundo olhar.
E quando o peso é grande e perco o pé,
Se no fim tudo encerra, o que resta é rezar.

 

                                         Lucca, 8º C 

4 de junho de 2026

TROCAR DE ROSA - 1

A nossa escola tornou-se multicultural. Vem recebendo e integrando jovens e crianças de países tão diversos e tão distantes! E não só geograficamente distantes, mas também na língua, nas tradições, na forma de encarar o mundo. A diversidade impulsiona a partilha e enriquece-nos a todos. 

É assim que o blogue publica dois poemas de alunos do 8º ano que escolheram "Trocar de Rosa", como dizia Eugénio de Andrade, referindo-se ao ato de traduzir poesia ou de a fazer numa língua que não a sua língua materna. 

Começamos com o poema de Jaan Viiar, um poema cheio de esperança, de ânimo e de ritmo. Vamos ler!

Quarto à beira mar, pintura de Edward Hopper, 1951

A VIDA E OS SEUS DESAFIOS

A vida é um caminho a percorrer,
Com sonhos para alcançar e aprender.
Tem dias de sol, cheios de alegria,
E outros de chuva, que testam a valentia.

Cada desafio é uma lição
Que fortalece o corpo e o coração.
Às vezes caímos, perdemos a direção,
Mas levantar de novo é a verdadeira missão.

Há obstáculos difíceis de ultrapassar,
Momentos em que apetece sentar e parar,
Mas a força nasce ao continuar,
E a esperança ajuda-nos a caminhar.

Porque a vida não é só vencer,
É também errar, crescer e compreender.
E em cada desafio que conseguimos superar,
Descobrimos quem somos e até onde podemos chegar.

                                    Jaan Viiar, 8.º C


29 de maio de 2026

O PESO DO PENSAR

 Uma surpreendente e labiríntica meditação em torno do gesto criativo, do pensamento e do ato de escrever. Um não menos surpreendente e misterioso retrato de si. 

Escreve o Miguel Correia Silva, do 9º A.  Vale a pena ler!


Lanterna, pintura de George Tooker

Posso escrever sobre tudo, tudo o que a minha mente consegue assimilar pode ser usado para expressar aquilo que sinto. É esse o conceito de livre-arbítrio, nada me impede, nada me ampara, mas, mesmo assim, com todas as possibilidades, algo ainda me prende. Justamente o facto de poder expressar tudo e qualquer coisa me acorrenta ao forte, complicado e difuso dilema do medo, da hesitação e das possibilidades infinitas que só complicam a minha decisão.

“O que hei de escrever?”, pergunto-me, “Qualquer coisa”, a minha mente rapidamente responde, e é isso que me impede de começar: tudo, o triste, pesado e ineficaz ato de pensar demais, uma “dádiva” que na verdade age como uma maldição. Já se perderam as contas de quantas vezes deixei de começar as minhas criações ou quantas vezes simplesmente recomecei tudo do zero; uma pessoa como eu nunca está satisfeita! Muitos designam esta condição como “falta de criatividade”, mas, neste caso, não, desta vez é rigorosamente o contrário, o excesso incansável de criatividade, a minha mais forte fraqueza, a minha desvantagem mais vantajosa, o ato inquietante de pensar demasiado.

Muito tempo se passa desde o início da jornada desta qualidade que me assombra, muitos são os problemas que ela me causa, ainda hoje tenho noites em claro, só pensando e olhando para o profundo, escuro e assombroso abismo vazio de sentido e vasto de informações intermináveis que são os meus pensamentos. Eu sei, sei de tudo um pouco, mas cada experiência que ganho, cada livro que leio, cada pesquisa que faço só me desafiam mais e mais. minha mente torce-se e retorce-se quando se depara com o mar de ignorância em que o meu pequeno barco navega, cada vez mais percebo que – mesmo sabendo de tudo um pouco – estou em constante frustração por, em verdade, não saber nada.

É curioso como a minha mente me afasta das pessoas. Geralmente, aqueles que muito sabem estão rodeados por pessoas que admiram muito o seu saber, mas não, comigo é diferente, a minha mente não é de um “inteligente” que decora e se lembra ou de um “nerd” que só se preocupa com os números, às vezes injusto, que as avaliações proporcionam. A minha mente está à frente do tempo em que me encontro; sei que isso soa arrogante, mas digo-o com sinceridade, a minha mente tem algo diferente, um “click” que ainda não atingiu muitas das pessoas que conheço, sei disso pois olho para as pessoas ditas “comuns” ou “normais” e vejo ainda muitos pensamentos irracionais, impulsivos, inconsequentes e simplesmente sem sentido.

Agora sei que – inevitavelmente – estou condenado a estar exilado dos meus semelhantes, tudo o que me resta é a minha mente confusa, cheia, rápida e pensativa, que se alimenta do aprazível ato de saber, a minha alma deleita-se no conhecimento e diverte-se em tentar expressar – mesmosem palavras – o que se passa na minha mente perturbada.

Concluo que, para pessoas como eu, é imprescindível a presença das artes que soltam tudo o que está preso e escondido. Continuarei com poucas companhias que me compreendem, a escrever os meus poemas, a pintar os meus quadros, a compor as minhas músicas e a fazer coisas que edificam a minha alma.

Miguel Correia Silva 9.º A

27 de maio de 2026

O FILME SOBRE ANNE FRANK

A Mariana Vieira, do 8ºC, escreve uma bela apreciação crítica sobre o filme inspirado no "Diário de Anne Frank". E convida-nos a refletir acerca dos caminhos da História e do passado, de modo a acautelarmos os valores que mais prezamos. Liberdade, segurança, sonhos... não podemos tomá-los como garantidos, diz a Mariana. E com toda a razão.

 

Abstração, pintura de Miró

O filme “O Diário de Anne Frank”, baseado no livro O Diário de Anne Frank, é muito mais do que uma simples adaptação histórica. Na minha opinião, este filme obriga-nos a refletir sobre a Segunda Guerra Mundial e sobre pessoas em situações extremas.

O que mais me marcou no filme foi a forma como a história nos aproxima de Anne, enquanto esta é adolescente. Ela não era apenas uma vítima do nazismo, era uma adolescente com sonhos, inseguranças, discussões familiares (principalmente com a mãe) e vontade de viver. Isto torna tudo mais impactante, porque percebemos que poderia ser qualquer um de nós numa situação daquelas. A esperança que Anne tem enquanto está escondida no anexo, com medo do que possa acontecer, é inspiradora e dolorosa, pois sabemos o seu final.

Outro aspeto que achei interessante no filme foi a tensão dentro do anexo. Aquele espaço fechado aumentou os conflitos entre as personagens, revelando as fragilidades, os medos e até as diferenças de personalidade. O filme mostra-nos como era difícil viver num espaço pequeno e confinado, durante dois anos. A convivência era difícil, sim. Mas também havia momentos de união e de solidariedade.

Além disso, o filme transmite uma mensagem sobre intolerância e discriminação. Ao mostrar as consequências do ódio e do preconceito, alerta-nos sobre a importância de defender os direitos humanos e a liberdade. Não é só uma história do passado, é um aviso para o presente e para o futuro.

Em suma, considero que o filme “O Diário de Anne Frank” é essencial, principalmente para nós, jovens. Ajuda-nos a entender a gravidade da perseguição aos judeus e a valorizar aquilo que muitas vezes damos como garantido, por exemplo a liberdade, a segurança e a possibilidade de sonhar. É uma obra triste e ao mesmo tempo necessária, pois ensina-nos a nunca esquecer a importância da liberdade e da segurança.

Mariana Vieira 8.º C

15 de abril de 2026

APRECIAR, DEPRECIAR

Na aula de Português, os alunos do 7º ano A realizaram uma oficina de escrita em que elaboraram descrições apreciativas ou depreciativas de um herói de animação, usando vários recursos expressivos e conectores discursivos. Aqui ficam dois desses textos.
 
RATATOUILLE ou REMY 

Remy é um dos protagonistas mais cativantes da animação. Embora seja pequeno no tamanho, é gigante no talento.

Não é um animal qualquer: tem um olfato e um paladar fora do comum, é um autêntico chefe de cozinha profissional!

Com a sua pelagem cinza aveludada e os seus olhos castanhos como chocolate, Remy leva os seus sonhos culinários para o restaurante mais "chique" de Paris.

Pelo caminho conhece Linguini, um aspirante a chefe um pouco tímido, mas com um grande coração. Remy ajuda-o, guiando-o pela cozinha.

No fundo, Remy é um chefe com alma maior do que o próprio mundo!

 

 Martim, Vicente, Máxima, Madalena, Maria, 7ºA

 

 

GRU: O MAL-DISPOSTO 

 


Com a ajuda dos seus lacaios (minions), ele tem ideias tão estúpidas e inúteis como "roubar a Lua". E o doutor Nefário, nem me falem dele, é tão feio, velho e imprestável como a minha tetravó.

A mulher do Gru era muito bela, tirando o cabelo, o corpo e a cara. Tão magra como um palito, se o vento fosse forte, ela até voava. Sem esquecer as filhas, cada uma mais feia que a outra: a mais nova, mimada e iludida, a do meio, ninguém se lembra dela, e a mais velha pensa que manda em todos, só porque lê livros e usa óculos.

Não esqueçamos o irmão, cuja beleza iguala o brilho da careca do Gru, tão brilhante que até o sol se esconde com tanta luz!

Efetivamente, um ser singular, em figura e em atitude!

Alice, Duarte, Estrela, Joana e Laura, 7ºA 

 

 

11 de março de 2026

O VALOR DO ESFORÇO

 Convidado a dar a sua opinião acerca do papel do esforço na prossecução de sonhos e  objetivos, o Paulo Rosa, aluno do 12º E, escreveu este belo texto, que nos convida à busca animosa.

O barco misterioso, pintura de Odilon Redon (1840-1916)

 

Na minha opinião, o esforço e o empenho pessoal são os elementos decisivos na concretização dos nossos sonhos. Acredito que todos podemos sonhar alto, mas apenas aqueles que  assumem um compromisso sério consigo próprios conseguem transformar os sonhos em realidade.  Ao longo do meu percurso, tenho aprendido que o sucesso não surge de forma imediata nem por acaso; constrói-se diariamente, através de atitudes consistentes e de escolhas responsáveis.

Para mim, o verdadeiro valor do esforço revela-se em momentos difíceis  quando o cansaço aperta, quando os resultados não correspondem às expetativas ou quando surge o desejo de desistir. É precisamente aí que o empenho faz a diferença. Persistir, mesmo sem garantias, exige coragem e maturidade. Cada obstáculo ultrapassado fortalece a nossa confiança e aproxima-nos dos nossos objetivos. 

Em suma, estou convicto de que o talento pode abrir portas, mas é o trabalho esforçado que as mantém abertas. E, no final, não são apenas as metas alcançadas que contam, mas também a pessoa em que nos tornamos durante o processo. É através do esforço que procuro construir, diariamente, a melhor versão de mim próprio.

 

                                Paulo Rosa, 12º E 

11 de novembro de 2025

PEQUENAS COISAS

 Como tantas escolas portuguesas, também a nossa se foi tornando cosmopolita e poliglota. São muitas as nacionalidades dos alunos que a  frequentam. E a par dos obstáculos que a diversidade cria, ela traduz-se também no encontro fecundo das culturas e línguas de origem. E estes alunos, de proveniências tão diversas, vão gradualmente aprendendo a nossa língua - que assim se amplia e  enriquece. 

A hospitalidade, diz-se, é  uma qualidade portuguesa. E que maneira perfeita de retribuir encontrou  a Nicolly, do 8º ano, escrevendo num belo português este poema delicado e subtil, que surpreendeu a sua professora e a mim também. Ora vejam: 

fotografia de Raquel Carmona Romero

Pequenas Coisas


Não são os dias grandes que ficam,

são os pequenos detalhes,

um sorrio distraído

um café partilhado

um pôr do sol que chega sem pressa.

 

A vida esconde-se nas brechas,

entre uma risada e um suspiro,

no "Tudo bem?" que vem de verdade,

no abraço que fala sem som.

 

A gente corre tanto,

achando que o bonito está lá à frente,

mas ele vive aqui, agora, quietinho,

esperando ser notado.

 

Nicolly Martinez, 8º Ano


4 de abril de 2025

IN MEMORIAM

 Perdemos recentemente alguém que fez parte da nossa escola durante décadas e que está profundamente ligada à sua história e desenvolvimento: a Dona Aurora, que foi chefe do pessoal auxiliar do Externato durante muitos anos e que, mesmo depois de aposentada e já de idade avançada, era uma presença sorridente e afável nas ruas da vila, e gostava de partilhar as lembranças que guardava dos seus anos de funcionária do ECB.

Em jeito de homenagem, publicamos um texto da sua neta, a Gabriela Ferreira, aluna do 8º Ano, que evoca carinhosamente a avó.

              UMA PESSOA INESQUECÍVEL

Sentada no banco de jardim com a minha avó, conversamos durante horas e horas.

Quantas histórias suas me contou, vezes sem conta? E as dificuldades que teve ao longo da vida? Inúmeras! Ela já arrasta consigo noventa e dois anos de vida difícil, no entanto, continua a pensar sempre no lado bom das coisas, apesar de já estar um pouco esquecida e "lenta".

A Aurora, por vezes, sente-se sozinha e triste, mas como eu e os meus pais reparamos nisso, vamos visitá-la com bastante frequência. A minha avó adora os netos, até tem a sala e o quarto cheios de fotos nossas e dos filhos.

Para mim, é uma avó incrível! Gosto imenso dela!

                                                           Gabriela Ferreira, 8ºC

8 de junho de 2024

A AMIZADE

Tínhamos lido na aula o poema"Amigo", de Alexandre O 'Neil. E o Marcos aceitou responder ao desafio de ensaiar, em verso, a sua própria definição de amizade. E fê-lo muito bem. Aqui fica o poema que partilhou connosco na aula.


Domingo, 1950, pintura de Marc Chagall

 

A amizade é a definição de companheiro
alguém que te ajuda sempre que precisas
que está lá para ser teu conselheiro.
Um grande irmão!

É um elo profundo, feito de respeito
que se fortalece a cada novo dia.
Um amigo é o refúgio perfeito
onde vives momentos de paz e alegria.

Amizade!
É a luz que nunca se apaga
um grande trabalho de lealdade
e a mão estendida que sempre afaga.

Assim, amigo, és estrela que brilha
na noite escura, farol de esperança.
Percorremos juntos a mais bela trilha
pois amizade é vida, é fé e confiança.

 

          Marcos Figueredo, 7º B


6 de junho de 2024

SOBRE O LUAR DA SOLIDÃO

Um belo poema do Simão, cheio de imagens subtis, em que o luar, a introspeção e o sentido da amizade se entrelaçam. Ora leiam!


Luar, de Felix Vallotton
 

Em um canto da noite, sozinho, vagueio,
Olho o céu estrelado, busco direção,
Caminho em silêncio, sem medo ou receio,
Escuto no vento a minha canção.

Lembranças surgem, momentos tão raros,
Sorrisos, abraços, histórias a rir,
Agora distantes, são sonhos bizarros,
De que a alma saudosa não quer desistir.

A lua observa-me, com brilho sereno,
Confidente fiel das horas perdidas,
No peito a saudade, um fogo terreno,
Queima memórias de noites vividas.

A solidão é amiga, mas não me consola,
E a cada passo, meu coração chora,
Na dança das horas, a mente controla,
Mas sempre anseia pelo som de outrora.

No meio do silêncio encontro coragem
Para seguir só, sem perder a razão,
Levo comigo uma doce bagagem,
A amizade que vive no meu coração.


            Simão Machado, 7º B

6 de maio de 2024

MAR, MARAVILHA, MISTÉRIO... MEDO!

 

Mar, maravilha, mistério... medo!
Ontem o mar estava muito agitado
Mas era impossível alguém não ficar maravilhado!
Ontem o mar transbordava suspeitas
Misterioso, místico...
Ontem o mar comia todos os gritos
Crianças com medo fugiam
O mar muito temiam.

O mar é maravilha
O mar é mistério
O mar é medo
O mar hipnotiza
O mar paralisa
O mar é aquilo que nos faz sentir.


Luz Pimenta, 8º D

 

13 de janeiro de 2024

A POLUIÇÃO NO MUNDO

 O Afonso Querido interpretou deste modo o cartoon do desenhador cubano Miguel Morales Madrigal. Bela leitura, Afonso.

Despir o passado, Miguel M. Madrigal, Cuba, 2023

Este cartoon, “Despir o passado”, de Miguel Morales Madrigal, apresenta um Mundo que está a sofrer com a poluição que todos nós fazemos.

O Mundo é apoiado por duas mãos, uma com tom de pele mais escuro, a outra com tom de pele mais claro. Por sua vez, o braço com a pele mais clara tem uma pulseira verde com laços de várias cores, sinal de esperança. Esta ideia parece permanecer pelo facto de o planeta Terra estar dividido em duas partes, uma com vida animal e vegetal, e a outra com a poluição causada pelos humanos. Na parte com vida, veem-se os continentes a verde e a água a azul. E na outra parte vê-se uma chaminé industrial que perfura uma manta e emana substâncias que prejudicam a vida. Também se pode ver uma ave a segurar algo no bico; mais em baixo um golfinho a furar a manta com o nariz; e por baixo dele um saco de plástico e uma garrafa a caírem do planeta.

No fundo da imagem, um céu azul com uma nuvem e um arco-íris reforça a ideia de que os seres humanos ainda estão a tempo de mudar o seu comportamento e salvar o planeta.

Na minha opinião, devíamos ter mais cuidado com as nossas ações, que têm vindo a fazer com que o Mundo possa perecer e, consequentemente, todos os seres vivos.   

Afonso Querido, 8.ºA

 

7 de janeiro de 2024

Sociedade e individualiamo

Convidada a observar e a analisar a pintura reproduzida abaixo, a Margarida Catarino escreveu esta apreciação crítica que, pelo carácter bastante pessoal da  interpretação e pela qualidade da escrita, decidimos partilhar no nosso blogue. Muito bem, Margarida!

George Tooker, 1956

A pintura apresentada, datada de 1956, foi produzida pelo pintor norte-americano George Tooker, e retrata o individualismo presente na sociedade.

No quadro podemos observar várias pessoas isoladas em cubículos. Verificamos que os seus rostos estão, na maior parte dos casos, apáticos, e alguns aparentam até estar a dormir. Os cubículos parecem estender-se para além do espaço representado na pintura, dando a ideia de não haver fim. A cor predominante é o vermelho, remetendo para a importância e a natureza alarmante do tema.

Esta é uma representação interessante do mundo atual, pois, apesar de vivermos em sociedade, há muitas experiências que só podem ser feitas individualmente. Em qualquer sociedade há leis e regras, e estas devem ser respeitadas, mas, tal como nesta pintura as pessoas estão todas juntas, porém separadas em diferentes cubículos, também nós vivemos em sociedade, mas temos perspetivas e pontos de vista diferentes uns dos outros, pois são as experiências de vida que fazem de nós quem somos. As nossas crenças são influenciadas pelo  ambiente em que nos inserimos e por aquilo a que somos expostos desde pequenos.

Assim, na imagem podemos ver uma metáfora da nossa sociedade actual, em que cada pessoa se encontra isolada no seu cubículo, isto é, nos seus pensamentos e nas suas convicções. Este isolamento é importante, pois é ele que nos torna únicos e originais,possibilitando assim uma sociedade variada e diversificada. Porém, se nos isolarmos de forma excessiva, isso pode ser prejudicial, já que o ser humano foi criado para viver em sociedade, para ajudar o outro e para ser ajudado, pelo que o excessivo isolamento e individualismo podem trazer  consequências muito negativas.

Em suma, a pintura de George Tooker é bastante agradável esteticamente, e é também interessante, pois apresenta um tema essencial, que deve ser discutido e analisado por todos nós.

Margarida Catarino, 12º D