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30 de junho de 2026

O PRIMEIRO DIA DEPOIS DO FIM

Num ano marcado por violentas tempestades e devastação, este texto da Beatriz Luís capta com sensibilidade o aturdimento do dia seguinte. E está muito bem escrito! Parabéns ao Clube de Escrita Criativa, cujos membros assinam as últimas publicações do blogue.

 

Fotografia de Michael Schlege

Ninguém é capaz de adivinhar o que acontece no primeiro dia depois do fim, e poucas pessoas são capazes de se imaginar a si próprias nesse dia.

Algo que parece tão distante, tão fictício...O meu fim foi a tempestade tenebrosa que assolou a minha pequena aldeia há dois anos. Nunca compreendi verdadeiramente o sentido de algo traumático, mas este desastre teve um impacto tão grande que só 24 meses depois me sinto suficientemente forte para o descrever.

Na manhã de 28 de janeiro, quando as pessoas se sentiram preparadas para sair das suas casas e avaliar os estragos deixados pela tempestade durante a noite, o ar parecia carregado de uma enorme incerteza. Incerteza sobre o que fazer a seguir, como reagir, para onde ir, quem chamar.

Lembro-me de pensar que conseguia ouvir o coração dos meus vizinhos a deixar de bater, como se tivesse sido apertado por uma mão invisível que dizia: "Acabou". Quando, na verdade, aquilo que eu pensava ouvir era o meu próprio coração, preso pela visão que tinha diante de mim.

Na minha aldeia, as casas são todas juntas e as suas portas abrem diretamente para a recente estrada de alcatrão. A passagem encontrava-se agora bloqueada por um fluxo de água violento e agressivo, que rapidamente inundou a pequena casa quando a porta foi aberta. Esta memória não é totalmente clara na minha cabeça.

O que é claro e vívido é o rosto de todos os habitantes da pequena povoação que, reunidos na pracinha central, não conseguiam conter as lágrimas ao observar a antiga escola destruída.

Todos os idosos, ao verem o primeiro lugar onde tiveram contacto com a tão rara oportunidade da educação, baixaram a cabeça, sentindo a profunda perda.

As sirenes desapareciam ao longe e, com elas, desapareciam também as minhas restantes memórias.

Beatriz Luís, 10º C

29 de junho de 2026

E SE...?

 Do reino do hipotético - e do que antecipamos para a vida, misteriosamente fechada como um casulo a abrir - outro belo texto da Luz Pimenta.


Foto da internet, sem título ou autor atribuído
 

E se esta noite, quando for dormir, for a última da minha vida?

E se amanhã não acordar?

Hoje teria sido o último dia que vivi, e tantas coisas me teriam passado ao lado... Haveria uma infinidade de experiências por viver, emoções por sentir, momentos pelos quais sorrir ou chorar. Tantos países por visitar, tantas comidas por provar, tantas pessoas por conhecer, tantos livros por ler, tantas músicas por ouvir, tantas línguas por aprender, tantas águas nas quais mergulhar!

É assustador pensar que, a qualquer momento, todos estes desejos, sonhos e expectativas podem desaparecer com um último suspiro.

Por isso, espero que, quando for muito velha, possa contar aos meus netos histórias sobre todos os países que visitei, todas as comidas que provei, todas as pessoas que conheci, todos os livros que li, todas as músicas que ouvi, todas as línguas que aprendi e todas as águas em que mergulhei.

E eles ouvirão, maravilhados, enquanto imaginam cada aventura. Talvez, no final, pensem para si mesmos:

— Uau! Espero que um dia possa dizer que vivi uma vida tão cheia e tão bonita como a da avó!

 Luz Pimenta, 10ºC

29 de maio de 2026

O PESO DO PENSAR

 Uma surpreendente e labiríntica meditação em torno do gesto criativo, do pensamento e do ato de escrever. Um não menos surpreendente e misterioso retrato de si. 

Escreve o Miguel Correia Silva, do 9º A.  Vale a pena ler!


Lanterna, pintura de George Tooker

Posso escrever sobre tudo, tudo o que a minha mente consegue assimilar pode ser usado para expressar aquilo que sinto. É esse o conceito de livre-arbítrio, nada me impede, nada me ampara, mas, mesmo assim, com todas as possibilidades, algo ainda me prende. Justamente o facto de poder expressar tudo e qualquer coisa me acorrenta ao forte, complicado e difuso dilema do medo, da hesitação e das possibilidades infinitas que só complicam a minha decisão.

“O que hei de escrever?”, pergunto-me, “Qualquer coisa”, a minha mente rapidamente responde, e é isso que me impede de começar: tudo, o triste, pesado e ineficaz ato de pensar demais, uma “dádiva” que na verdade age como uma maldição. Já se perderam as contas de quantas vezes deixei de começar as minhas criações ou quantas vezes simplesmente recomecei tudo do zero; uma pessoa como eu nunca está satisfeita! Muitos designam esta condição como “falta de criatividade”, mas, neste caso, não, desta vez é rigorosamente o contrário, o excesso incansável de criatividade, a minha mais forte fraqueza, a minha desvantagem mais vantajosa, o ato inquietante de pensar demasiado.

Muito tempo se passa desde o início da jornada desta qualidade que me assombra, muitos são os problemas que ela me causa, ainda hoje tenho noites em claro, só pensando e olhando para o profundo, escuro e assombroso abismo vazio de sentido e vasto de informações intermináveis que são os meus pensamentos. Eu sei, sei de tudo um pouco, mas cada experiência que ganho, cada livro que leio, cada pesquisa que faço só me desafiam mais e mais. minha mente torce-se e retorce-se quando se depara com o mar de ignorância em que o meu pequeno barco navega, cada vez mais percebo que – mesmo sabendo de tudo um pouco – estou em constante frustração por, em verdade, não saber nada.

É curioso como a minha mente me afasta das pessoas. Geralmente, aqueles que muito sabem estão rodeados por pessoas que admiram muito o seu saber, mas não, comigo é diferente, a minha mente não é de um “inteligente” que decora e se lembra ou de um “nerd” que só se preocupa com os números, às vezes injusto, que as avaliações proporcionam. A minha mente está à frente do tempo em que me encontro; sei que isso soa arrogante, mas digo-o com sinceridade, a minha mente tem algo diferente, um “click” que ainda não atingiu muitas das pessoas que conheço, sei disso pois olho para as pessoas ditas “comuns” ou “normais” e vejo ainda muitos pensamentos irracionais, impulsivos, inconsequentes e simplesmente sem sentido.

Agora sei que – inevitavelmente – estou condenado a estar exilado dos meus semelhantes, tudo o que me resta é a minha mente confusa, cheia, rápida e pensativa, que se alimenta do aprazível ato de saber, a minha alma deleita-se no conhecimento e diverte-se em tentar expressar – mesmosem palavras – o que se passa na minha mente perturbada.

Concluo que, para pessoas como eu, é imprescindível a presença das artes que soltam tudo o que está preso e escondido. Continuarei com poucas companhias que me compreendem, a escrever os meus poemas, a pintar os meus quadros, a compor as minhas músicas e a fazer coisas que edificam a minha alma.

Miguel Correia Silva 9.º A

31 de maio de 2024

VIVO NUM LUGAR PARADISÍACO


Rio Nilo

Vi
vo num lugar paradisíaco
Rosas brancas a florescer
E o meu coração a aquecer

Vivo num lugar paradisíaco
Mas não é qualquer um
Este é belo como nenhum

Com um castelo divinal
Para um ser surreal

Com uma natureza fenomenal
E um céu sem igual

Lugar paradisíaco, fruto da ficção
Porque não passas da minha imaginação...

Susana Matos 
 


23 de maio de 2024

GOSTARIA DE VIVER NUM LUGAR PARADISÍACO

 

 Gostaria de viver num lugar paradisíaco… perto do mar, ou talvez até numa ilha. O mar seria de um azul turquesa profundo que eu admiraria da janela do meu quarto, todos os dias, logo que acordasse, na minha casa junto à costa.

Todos os dias sairia de manhã e iria dar um passeio ao longo da praia. Apanharia conchas e búzios, ao longo da minha caminhada, os quais, ao fim do dia, enviaria como recordação para a minha terra natal.

Imagino uma vida perfeita! Todos os dias seriam calmos e tranquilos e eu levaria uma vida desconhecida até ao fim. Poderia ver e apreciar o por do sol enquanto me reconfortava com um bom livro e um jantar feito à pressa, por mim.

Trabalharia numa livraria, ou como nadador salvador? Honestamente, não sei. Só sei que adoraria o meu trabalho, para onde iria com prazer todos os dias e voltaria no fim do dia, igualmente feliz.

Gostaria de viver numa ilha paradisíaca, numa ilha onde tudo seria calmo e perfeito.

Luz Pimenta, 8º D


 

6 de maio de 2024

MAR, MARAVILHA, MISTÉRIO... MEDO!

 

Mar, maravilha, mistério... medo!
Ontem o mar estava muito agitado
Mas era impossível alguém não ficar maravilhado!
Ontem o mar transbordava suspeitas
Misterioso, místico...
Ontem o mar comia todos os gritos
Crianças com medo fugiam
O mar muito temiam.

O mar é maravilha
O mar é mistério
O mar é medo
O mar hipnotiza
O mar paralisa
O mar é aquilo que nos faz sentir.


Luz Pimenta, 8º D