E por fim...
25 de maio de 2017
24 de maio de 2017
16 de maio de 2017
Poesia visual
Temos um especial prazer em divulgar aqui as experiências criativas dos alunos do 7º A. Ora vejam se não merecem! Começamos com dois poemas.
4 de abril de 2017
Pode ser?
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| Paul Klee, Flora on sand, 1927 |
Pode ser, digo eu
Pode ser sim.E porque não?
Porque me perguntam,
Se respondo sempre: Pode ser?
E o que pode ser?
Neste mundo o que pode ser?
O que se pode ter?
Se o mundo nos dá o céu, o mar e a terra também?
Vamos nós também dar um pouco de nós,
Pode ser?
Vamos deixar cada qual a sua marca,
Marcar a diferença, sonhar, lutar, concretizar,
E fazer um mundo melhor.
Pode ser?
Rafael Sousa, 12.º B
16 de março de 2017
Um Herói
O Duarte Afonso traz-nos uma reflexão acerca de heróis, ídolos, celebridades. Será tudo a mesma coisa?
Um herói é muito mais do que um ídolo. Um herói supõe, a meu ver, que faça algo grandioso pela sociedade ou que, de alguma forma, contribua para o desenvolvimento da história mundial.
Primeiramente, gostava de referir que eu, como qualquer pessoa, tenho ídolos, referências. Fico bastante feliz quando vejo o “nosso” Ronaldo a marcar um golo ou a ganhar um prémio, da mesma forma que acho graça quando ouço o cómico Ricardo Araújo Pereira a falar nas manhãs da Comercial. Fico simplesmente contente, e isso é algo saudável. É bom termos exemplos a seguir, mas que não ultrapassem os limites.
Em segundo lugar, é notório que as novas tecnologias contribuem para o surgimento de celebridades, que facilmente se transformam em ídolos. Porém, há sempre aquelas pessoas que seguem os seus ídolos cegamente. Por exemplo, se num dia uma celebridade disser algo que soe bem ao ouvido, muitas serão as pessoas que, contagiadas, dirão essa mesma expressão, sem saber porque o estão a fazer.
Por último, creio que esta ideia também não é completamente válida, ou seja, um herói não é necessariamente um ídolo, pois muitos foram os heróis que não tiveram o devido reconhecimento.
Em suma, a noção de herói é diferente da de ídolo. É bom que todos tenham referências, mas que as sigam de forma saudável.
Duarte Afonso, 9ºB
1 de março de 2017
Heróis versus heróis
Um interessante texto do José Tobio, que avalia o mundo contemporâneo com espírito crítico.
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| Fama (Dresden) |
Na era dos Descobrimentos havia muitos heróis. Gente na esperança de encontrar ilhas ou terras, gente que olhava para a morte e se ria. Agora há quem chame herói a alguém que só faz figura de parvo!
É verdade que ainda existem heróis na nossa sociedade, mas comparados com os do passado são praticamente nada. Pessoas como Neil Armstrong, Usain Bolt ou Stephen Hawking são heróis, pois fizeram ou fazem coisas extraordinárias, dignas de memória, embora, provavelmente, não sejam comparadas às dos heróis do passado. Mas alteraram, cada um na sua área, o mundo.
Há quem considere pessoas como o Cristiano Ronaldo ou o Justin Bieber heróis, uns entendo, outros não! Dizer que este é "o meu herói" porque lançou uma música “fixe” ou porque fez um vídeo popular no “youtube” não é estranho, é, no mínimo, absurdo!
Hoje, qualquer pessoa que seja considerada celebridade é um herói. Até podem ser racistas, homofóbicas, mas vai haver sempre alguém a dizer que quer ser como ele. Vá-se lá perceber!
Comparo a minha geração a um íman, porque se algo ficar popular, nós vamos pegar-nos a isso e vamos vê-lo, ouvi-lo ou fazê-lo vezes sem conta!
Acredito que atualmente ainda existem heróis. Contudo, a sensação que tenho é que os que fazem coisas engraçadas ou os que fazem figura de parvos são mais facilmente lembrados. Felizmente, e alegra-me pensar assim, não como os que Camões define como aqueles que “se vão da lei da morte libertando”, pois “os parvos” serão tão breves como um fósforo, cuja chama é efémera.
José Tobio, 9B
25 de fevereiro de 2017
A propósito das obras e autores que vamos estudando
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| Maria Helena Vieira da Silva, Biblioteca |
Ora vejamos estes excertos de uma entrevista de Eugénio Lisboa, um dos nossos melhores ensaístas, acerca disto mesmo:
«[No mundo lusófono ainda] não temos força económica para nos tornarmos apetecíveis. Mesmo assim é impressionante as vias que temos aberto. Nomes como o Fernando Pessoa... embora a meu ver seja conhecido não da maneira adequada, mas é conhecido.
O Eça de Queirós... Quando estive em Londres fiz uma reedição d’Os Maias e a crítica inglesa postou-se de cócoras perante a grandeza do livro. Simplesmente, são grandes clássicos que impressionam o mercado durante um determinado período e depois eles esquecem-se deles. Tem de se voltar a acordá-los daí a 20 ou 30 anos. A primeira vez que Os Maias abriram brechas no imaginário anglo-saxónico foi, salvo erro, em 1965, quando foram traduzidos pela primeira vez, e o livro esteve na lista de bestsellers da Time Magazine durante semanas e semanas. Os fulanos diziam que para se encontrar universos comparáveis é preciso recorrer a Stendhal e Tolstói. Mas passados dois, três anos esquecem-se.
O Eça de Queirós... Quando estive em Londres fiz uma reedição d’Os Maias e a crítica inglesa postou-se de cócoras perante a grandeza do livro. Simplesmente, são grandes clássicos que impressionam o mercado durante um determinado período e depois eles esquecem-se deles. Tem de se voltar a acordá-los daí a 20 ou 30 anos. A primeira vez que Os Maias abriram brechas no imaginário anglo-saxónico foi, salvo erro, em 1965, quando foram traduzidos pela primeira vez, e o livro esteve na lista de bestsellers da Time Magazine durante semanas e semanas. Os fulanos diziam que para se encontrar universos comparáveis é preciso recorrer a Stendhal e Tolstói. Mas passados dois, três anos esquecem-se.
(...) Quando "A Ilustre Casa de Ramires" [romance de Eça] foi reeditado, o crítico literário Jonathan Keats, no Observer, salvo erro, perdeu literalmente a cabeça com o livro. Ele dizia que se o Flaubert precisasse de matar a mãe para escrever um livro como aquele, o faria.»
Eugénio Lisboa em entrevista a Diogo Vaz Pinto, publicada no Jornal I em 25/02/2017
21 de fevereiro de 2017
A MIM
Fernando Pessoa continua a interpelar os jovens leitores da nossa escola, como nos mostra este poema do Rafael.
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| Paul Klee (1916) |
Ai que
rima faço eu mal
Por rimar sem rimar!
Se alguém que por natural rimasse
A mim me deixasse embalar…
E ainda há quem diga
que a rimar se pinta a vida.
Nem pincel nem cordel,
Nem coisa alguma que seja,
Senão sempre o mesmo Norte,
Mas sem força guerreira que aponte
Esse Norte para cima,
Só a força humana,
Só o caminho da vida,
E num piscar de olhos –
Sul!
Ai! Que coisa!
Vontade Humana?
Ai! Que coisa!
Que tempos vivo, feliz,
E ser hoje feliz
É ter sido ontem esmagado.
E o ontem sendo um hoje
Queria eu não tê-lo feito.
Estúpida vontade humana,
Pensar que sabe onde é o Norte.
Alberto Caeiro rimava sem rimar
E eu sem rimar rimo.
Sei lá que figura de estilo,
Eu uso o que costumo:
Nem métrica nem versismo,
Neologismos e o que esteja a pensar.
Meio Caeiro meio vinte e um, (sismo!)
Que de tremer, este século
Me está a desnortear.
Ah! Porque escrevo nem eu sei
O que escrevo só eu sei.
Poder ser poeta e fingir
E fazer alguém sentir que fingiu.
Mas sou um reles inventor.
Nem mitologias gregas,
Como dos outros de que ele se fingiu,
Nem rima com rima,
Nem rima sem rimar.
E depois,
Perdido na modernidade, olho.
O que mudou?
Lembra-te da cena de amanhã,
Imagina, (perspetiva), a cena de ontem.
(Que mundo?)
(Que Norte?)
A cada guinada sinto,
Sinto o vento que passa,
E vejo na rua o novo
(eis, mais).
Também que queríeis, oh?
Sempre o mesmo?
A andar ou a correr
Todos lá iremos ter.
Lá isso é verdade,
E não há quem negue o facto.
Tu que estás aí esparramado
Levanta-te, que não és farrapo,
Mexe-te, faz-te à vida.
Mas não mandes no Norte!
Nem tão pouco na Sorte,
Nem no Mundo,
Nem no natural,
Nem no abstrato,
Nem no mais pormenorizado retrato,
De ti.
Arte é não saber onde fica o Norte
E nunca estar desnorteado.
Não dê eu tudo por perdido,
Por poeta não ser,
Mas um coração ter
Que te acompanhe
Nessa tua vidinha…
Rafael Sousa, 12º B
8 de fevereiro de 2017
DES(ACORDO) ORTOGRÁFICO
Alguns anos volvidos sobre o início da aplicação do Acordo Ortográfico em Portugal, são incontáveis as instituições, inclusive públicas, as editoras, as publicações, os escritores e os cidadãos que perseveram na recusa do AO, não encontrando justificação, nem linguística nem no que à política da língua diz respeito, que o recomende. As ambiguidades que originou, o surgimento de palavras irreconhecíveis, o afastamento abrupto da etimologia, bem como o proliferar de erros ortográficos antes desconhecidos, tudo tem levado a protestos constantes.
Chegou a vez de a Academia das Ciências de Lisboa, que é o órgão consultivo do Governo português em matéria linguística, apresentar as suas reservas face ao resultado desta tentativa de uniformização ortográfica. E propor, através do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa, um aperfeiçoamento do Acordo, que "aprimore" as novas regras ortográficas. Em vão, ao que parece.
7 de fevereiro de 2017
NOVA POESIA TROVADORESCA #2
Um casaco que me chamou,
Era um bocado caro de se pagar
Mas o coração me tirou!
Assim aconteceu,
Mas se o pudesse comprar
Não precisava de andar sandeu.
Mas não o posso comprar
Porque espaço no roupeiro não sobrou,
Tanto isto me faz sonhar
Que já nem sei para onde vou!
Muito triste fiquei eu,
Portanto se não o comprar
Hei-de andar sandeu.
Mas rezo a Deus que me possa ajudar
Já que o lindo casaco não ajudou,
Talvez se o comprar,
Aconteça um milagre, tal como se rogou!
E que mal que me deu,
Pois
se o pudesse comprar
Não
precisava de andar sandeu.
João Lourenço 10º D
29 de janeiro de 2017
ODE AOS ORGULHOSOS EM SI PRÓPRIOS
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| Picabia, 1912 |
Ai tão bom a liberdade de poder ser eu!
Não quero ser mais ninguém,
Por mais posses e dinheiro que possa ter,
Por mais beleza e saúde que possa ter,
Por mais tanta coisa que toda a gente inveja!
Não quero ser mais ninguém
Toda a gente já é alguém
E como eu não há ninguém
E eu posso ser eu
E tenho liberdade de o ser
Então porque não hei-de sê-lo?
Tenho tanto amor àqueles que são eles,
Tanto amor que chega a ser doentio.
Tenho amor àqueles que não têm medo,
Não têm vergonha,
Não temem nada em serem eles próprios!
Amo obsessivamente homossexuais assumidos,
Amo obsessivamente mulheres que lutam pelos seus direitos,
Amo-me obsessivamente por me ter descoberto e não ter vergonha
Não ter vergonha do que sou e do que escrevo!
Amo obsessivamente quem não se cansa de gritar,
De gritar o que ama,
De gritar o que o move,
De gritar o que sente!
Tudo isto é o que faz o meu coração palpitar,
O sangue correr-me nas veias,
Os meus pés caminharem
E espezinharem o preconceito
E o medo de ser quem somos!
AI! O respeito,
O respeito pelos outros,
O respeito por aqueles que não são iguais a mim
E não têm vergonha de não serem!
Ai! Dou a minha vida pelo respeito,
Dou a minha vida por um mundo com tanto respeito quanto eu
Tenho por esses,
Muitas vezes chamados de tolos
Que para mim são heróis,
Esses, que são verdadeiros a eles próprios!
E agradeço a minha existência,
A minha vida,
O eu que hoje sou,
A quem não tem medo de ser
E não apenas existir!
Lícia Fialho, 12ºE
20 de janeiro de 2017
A Rute conta-nos uma história doce e triste - a do seu cordeirinho Chico, que tinha uma estrela branca na testa.
“Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais (…) os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento.”
Charles Darwin
O cordeiro é um mamífero herbívoro. Queria apresentar-vos um, em particular, que infelizmente morreu, neste dia 16 de janeiro em que escrevo este texto, e que dava pelo nome de Chico.
Este jovem animal era altinho para a sua idade, um pouco gordito e de pelo preto encaracolado, com uma estrelinha branca, mesmo no meio da cabeça. Era filho de uma ovelha preta e do carneiro branco pertencente ao rebanho da minha família.
O Chico nasceu no dia 26 de dezembro, e desde então era da minha responsabilidade alimentá-lo no período da noite. Como comia três vezes por dia, e eu nem sempre estava em casa, por causa das aulas, era a minha mãe que lhe dava o leite pelo biberão, nessas vezes. Estabelecemos logo uma relação muito boa. Dava a sensação de que estava sempre a agradecer-me o gesto, por isso andava constantemente atrás de mim. Ainda brincámos bastante. Na verdade, parecíamos amigos!
No dia 10 de janeiro deste ano, nasceu outro cordeirinho. Tornaram-se logo companheiros!
Eu gosto… adorava tratar do Chico e deste que nasceu agora. Mas aconteceu aquilo que ninguém esperava, o Chico morreu!
Fiquei tão, tão triste!!!
A mãe diz que outros nascerão e que eu terei tempo para os mimar!
Rute Carvalho, 9ºD
10 de janeiro de 2017
NOVA POESIA TROVADORESCA
A quem sempre me desamou.
E procurar outro alguém para amar
Deixar quem nunca me amou!
Era feliz assim, eu
Quero amor dar
A quem amor me deu.
Não me posso deixar enganar
Por quem já me enganou,
Por quanto me fez lutar
E que por mim nunca lutou.
E quando percebi, infeliz fiquei eu
Quero amor dar
A quem amor me deu.
Mas agora encontrei quem me faz sonhar
Alguém que por mim sonhou,
Aquela pessoa que me faz acreditar
E que em mim sempre acreditou
E agora, feliz sou eu
Quero amor dar
A quem amor me deu.
Rafaela Quitério, 10º D
22 de dezembro de 2016
BOAS FESTAS
"EM DOCE JÚBILO" - variações, por Johann Sebastian Bach, a partir de um cântico tradicional de Natal.
12 de dezembro de 2016
DA FELICIDADE
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| Quarteto Feliz (1901), pintura de Henri Rousseau |
Uma bela reflexão acerca da felicidade - e de lugares comuns com ela relacionados - desencadeada pela leitura de alguns poemas de Fernando Pessoa.
Em várias ocasiões ouço pessoas a aconselhar os
mais novos a aproveitar a juventude, já que neste período da nossa vida não
temos grandes preocupações e dispomos, de certa forma, de mais liberdade. Em suma,
somos mais felizes. Mas poderemos assumir que uma posição tão universal está
realmente correta, particularmente quando tem um carácter aparentemente tão
subjectivo? Convido-vos a juntarem-se a mim para analisarmos melhor esta
questão.
Apesar
da maneira como fiz a pergunta, dando uma sensação de mistério, estou certo de
que muitas pessoas não hesitariam em responder que sim, é a sua opinião
superficial que interessa, sem tentarem sequer fazer uma análise mais profunda.
Infelizmente, é assim o mundo em que vivemos. No entanto, reparemos que
utilizei o advérbio “aparentemente”, em relação ao carácter subjectivo que
referi, com uma boa razão, e não apenas para denunciar a falta de sentido
crítico das pessoas. Acredito que podemos mostrar que talvez não seja tão óbvia
a distinção da juventude como a etapa mais feliz que vivemos. Como? Comecemos
então por definir “felicidade”, ou pelo menos fazer uma tentativa.
É fácil perceber que uma pessoa está feliz se estiver satisfeita, ou mesmo a divertir-se. Até aqui, a juventude continua bastante apelativa, mas julgo que não podemos limitar a felicidade a isto, pois tem uma complexidade muito superior. Posso afirmar com um grande nível de confiança que a nossa capacidade de nos sentirmos felizes está directamente relacionada com o nosso desenvolvimento cognitivo, ou, usando outro termo, com a nossa racionalidade. É aqui que podemos reverter a situação, dado que as crianças, de facto, mais facilmente se encontram divertidas e despreocupadas, mas, por outro lado, não lidam com emoções tão fortes como as pessoas completamente desenvolvidas, podendo ser uma delas a própria felicidade.
Podemos verificar a nossa teoria levando-a a um extremo, com o exemplo dos insectos. São seres com um desenvolvimento cognitivo mínimo e, por conseguinte, não são emocionalmente afectados como nós, humanos. Pelo menos, tanto quanto sabemos, nunca nenhum dos saltos dos gafanhotos foi causado pelo facto de o sujeito se encontrar feliz. Mesmo no caso dos gatos, é difícil estarem satisfeitos com algo que o seu instinto não deseje.
Podemos então concluir que mesmo algo como a felicidade pessoal não é assim tão subjetiva. Aliás, a nossa pessoa pode mudar tanto que se torna difícil relacionar estes sentimentos ao longo do tempo. Talvez a inveja de Pessoa afinal não tenha um bom fundamento…
Alexandre Pinho, 12.º B
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