30 de junho de 2014

A criança que fui

"... achar / Em mim um pouco de quando era assim." 

Poema de Fernando Pessoa, interpretado por Rogério Godinho. Compositor, pianista e cantor, Rogério Godinho é um dos nomes em cartaz para a "Noite do Desassossego", que a Casa Fernando Pessoa promove no próximo dia 6 de Julho. 

 

A criança que fui chora na estrada. 
Deixei-a ali quando vim ser quem sou; 
Mas hoje, vendo que o que sou é nada, 
Quero ir buscar quem fui onde ficou. 

 Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou 
 A vinda tem a regressão errada. 
 Já não sei de onde vim nem onde estou. 
 De o não saber, minha alma está parada. 

 Se ao menos atingir neste lugar 
 Um alto monte, de onde possa enfim 
 O que esqueci, olhando-o, relembrar, 

 Na ausência, ao menos, saberei de mim, 
 E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar 
 Em mim um pouco de quando era assim.

                                         Fernando Pessoa

18 de junho de 2014

Que é a cultura?

O que é a cultura? 
O que pode a cultura fazer pela humanidade? 
O que significa ser-se culto?

Uma comunicação de Vargas Llosa, escritor peruano distinguido com o Prémio Nobel em 2010. Em linguagem cativante e simples, convida-nos a um pouco de reflexão. Vale a pena ouvi-lo.


6 de junho de 2014

Felizes

A festa, pintura de António Dacosta, Portugal, 1942

Isto é para os felizes.
Para aqueles que, nos tempos mais escuros,
acendem uma luz.
Para aqueles que ardem,
mas não se queimam.
Para aqueles que veem o copo meio cheio.
Para os que veem a luz,
não a falta dela…
Para os que são mais poderosos que todo o inferno,
para os que fazem frente ao demónio,
para os que guerreiam pela paz,
para os que são mortos,
mas não morrem…
Para os que sem medo vivem,
para os perdedores que vencem,
para os que, para além de pessoas,
são felizes.
Rodrigo 9º A

1 de junho de 2014

Ler sem parar! Será que vamos gostar

desenho de Almada Negreiros
Ler é importante! Ler leva-nos a conhecer novas palavras, novas realidades, novas culturas. Leva-nos a criar!

Ler não serve só para passar o tempo. Serve também para desenvolver a nossa imaginação e ajuda-nos a sonhar.

E quem não gosta de sonhar? Sonhar é importante, mas sem ler será mais difícil. Será igualmente mais difícil escrever corretamente.

E o que seria do mundo sem imaginação e sem criação? Não haveria invenções como: televisão, telemóveis ou outras! Invenções inspiradas nas necessidades do dia a dia, mas também em livros diversos.

Uma coisa é certa: ler conduz-nos à aprendizagem.

Vá lá pessoal, toca a ler para o cérebro desenvolver! É que sem ler o mundo não vai crescer.
Ah! E sim, vamos gostar de ler!
Francisco Luís, 7ºF

27 de maio de 2014

O meu reflexo invertido



Cupido e Psique (detalhe), pintura de Louis-Jean François Lagrenée, séc. XVIII

Olho para ti, como se para um espelho estivesse a olhar.
Mas a imagem está turva e eu de pernas para o ar.
E, olhando bem para ti, como poderia eu não estar?

Tento ser como tu. Maravilhosa como és, porque não?
Ignoro a minha cabeça, concentrando-me no coração.
Mas prefiro agarrar-me à lógica a perder-me na imaginação.

Decoro cada conversa nossa e guardo-a na minha mente.
Tento não inventar outras, pois representam um perigo iminente.
Será amor, se te imagino como te quero, e te quero tão diferente?

Sei que o que me faz sofrer não é não saber se te amo ou não.
É sim o facto de não conseguir fazer recíproco aquilo que trago no coração.
E vou continuar a insistir até o reflexo invertido perder a inversão.


Gabriel Branco, 9.ºA

16 de maio de 2014

Quando pela primeira vez

pintura de Greg Spalenka


Quando pela primeira vez te vi 
Em teu olhar me perdi...
Era tanto o que via em teu olhar
Que percebi que contigo tinha de falar.
És uma nuvem que caiu na minha vida
Um verdadeiro príncipe perdido
És diferente
Doce e interessante.
Por ti vou lutar de forma incessante
Porque és tu que fazes o meu coração bater.
És tu que me fazes sentir o que é viver.
Isso foi o que senti quando te vi!


Elisabete Carvalho, 8ºG

13 de maio de 2014

Será poesia?

fotografia de Ramnath Siva

Ao ler poesia irás ver
Que é difícil de perceber,
Mas ao leres com atenção
Serás capaz de compreender.

Às vezes fala
De coisas absurdas,
Mas lá no fundo
Tem a sua razão de ser.

Tem quadras, tem tercetos
A divisão métrica é esquisita,
Mas irás perceber
Que a verdade é dita.

Tenho sete ou oito quadras
Para te dizer o que é poesia.
Tenho de me despachar
Para não ter negativa.

O que posso mais dizer?
Gosto de poesia.
Junta-te a mim
Para gostares desta vida.

Tu pensas que tem de rimar
Mas enganas-te profundamente!
Desde que seja bonita
A poesia faz magia.

Agora vou terminar,
Ao pensar que percebeste
Vou-te aconselhar:
Lê poesia!

David Silva, 7º E


10 de maio de 2014

Into the Wild, into the minds


Recentemente, na aula de Filosofia vimos e analisámos um filme inebriante e inspirador, Into The Wild. Realizado por Sean Penn, é a interpretação cinematográfica da aventura de Christopher McCandless que, com 22 anos, sente que vive uma falsidade encenada pela sua família, sendo o seu pai bígamo e a sua mãe conivente, e ambos um pouco superficiais, contrastando com Christopher, que  dispensava o materialismo, a futilidade, a hipocrisia e o modo de vida consumista. A sua identidade não está ainda definida e é no âmbito da procura de si mesmo, do âmago da felicidade e da autenticidade pessoal, que parte para uma aventura, rumo ao Alasca. 

Ao longo de dois anos de aventura, o protagonista assume-se como naturalista radical e adota o nome de "Alex Supertramp", Alex Vagabundo. A sua posição relativamente à felicidade é clarificada quando, moribundo por inanição, e no auge da sua consciência, Christopher se liberta dos dogmas e, ao imaginar-se nos braços da família, reavalia a vida e conclui que a felicidade só é verdadeira quando partilhada.

O filme propõe reflexão e evidencia vários problemas filosóficos. As relações afetivas, a identidade, o sentido da vida, a verdade, o egoísmo, o livre-arbítrio e a felicidade são alguns deles, e são matéria exigente do espírito e do pensamento livre de dogmas.

Este é um filme muito bem construído e especial, desde a narrativa em retrospetiva, passando pela banda sonora, criada por Eddie Vedder e interligada com a ação, enriquecendo-se com as excelentes fotografias da natureza e com o ótimo trabalho do elenco  – particularmente a “encarnação” de Christopher, por Hemile Hirsch – passando pela intensidade emocional das cenas e pela contextualização de citações clássicas que contribuem em muito para a reflexão e para o enriquecimento cultural. 

Concluindo, este foi o filme mais espetacular que já vi, pois observando a descoberta de Christopher, o conhecimento de si mesmo e do mundo, procuramo-nos também a nós próprios. E conhecer o nosso interior é aprendermos a exteriorizá-lo e, assim, a viver.

Beatriz Lourenço, 11º E

7 de maio de 2014

Memórias de um sobrinho de Fernando Pessoa

O jornal Estado de S. Paulo convidou a professora Cleonice Berardelli, a maior especialista em Fernando Pessoa, no Brasil, a fazer perguntas a Luís Miguel Roza Dias, sobrinho de Pessoa. Memórias infantis  - Miguel Roza Dias tinha cinco anos quando o tio morreu - e tão distantes "valem o que valem", mas não deixam de nos iluminar acerca do poeta.


A professora Cleonice Berardinelli  - Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão
«A convite do Estado, a professora Cleonice Berardinelli formulou perguntas para Luis Miguel Roza Dias, médico e escritor, que conviveu com o tio escritor nos últimos cinco anos de vida. 

Íntima conhecedora da obra de Pessoa, Cleonice preferiu questionar Roza Dias justamente sobre esse pequeno período de convivência, buscando montar um perfil do homem em seu cotidiano: o sujeito brincalhão, que aprontava com a irmã e inventava passatempos para os sobrinhos. Leia, a seguir, o resultado da conversa.

Lembra-se de alguma atitude divertida do tio Fernando?

Poderia dar vários exemplos, pois o meu tio brincava bastante comigo e com a minha irmã. Duma eu me lembro bastante bem, pois se passou diretamente comigo. Estávamos todos em casa e haveria uma festa, possivelmente de aniversário, pois estavam mais pessoas lá em casa a festejar não sei o quê. Às duas por três, eu teria desaparecido do convívio, tendo alguém perguntado por mim. Como eu era o mais pequeno conviva, ficaram todos alarmados à minha procura, pois quando uma criança da minha idade desaparece da vista, é porque estará, quase sempre, a fazer asneira. Toda a gente procurava por todos os lados, até que foi o meu tio que me encontrou. Eu tinha me escondido de baixo da mesa da casa de jantar e tapado com a toalha da mesa que chegava quase ao chão e estava tranquilamente sentado no chão a chupar uma rolha de um garrafão de vinho tinto! O meu tio Fernando ao deparar o seu sobrinhito naquele preparo, fartou-se de rir e exclamara alto e em bom som: "Temos Homem!". Como se sabe, ele gostava da sua "pinga", embora ninguém o tivesse visto ébrio.

Sua companhia era agradável aos meninos? Ou fazia-lhes medo?

Como era o nosso "único e verdadeiro" tio a viver conosco, gostávamos dele como dos nossos pais. Era lá da casa. Ainda por cima, ria e brincava conosco, prestando-se muito sério a, por vezes, que a minha irmã, mais velha do que eu, fingisse fazer-lhe a barba, como já tinha visto o tio fazer na Barbearia do Sr. Manacés, em frente à nossa casa. Eu, por ser mais pequeno, passava a ser só ajudante de barbeiro. Quando estávamos na casa da praia, ia-nos visitar todos os fins de semana, trazendo sempre presentinhos. Ansiávamos recebê-los, e ele gozava em dá-los.

Lembra-se de ter ouvido o tio dizer algum outro poeminha? Qual ou quais?

Negativo. Ele, quando chegava, na maioria das vezes, ia para o seu quarto e, pelo que nos contava a nossa mãe, ficava longo tempo a escrever de pé sobre o tampo da cômoda que tinha no quarto. Sei que a mim dedicou dois versos, um chamava-se O Menino do Caracol, pois eu, com os meus 2 anos, usava um caracol de cabelo no alto da cabeça como era costume as mães pentearem os seus filhos. O segundo poema chamava-se Rondeau e, ao menino que ele se referia, era o "BI", que era o diminutivo que ele me dera em que o "B" era de bebê e o "I" de Lu"I"z.

Como era o som de sua voz? Valorizava ou não o que dizia? Era agradável, rica, sonora?
Confesso que não me lembro. Era a voz do tio que vivia conosco, agradável, com certeza e, que eu me lembre, nunca se zangava.

(O texto, reproduzido com supressões, pode ser lido na íntegra aqui)

28 de abril de 2014

A propósito de poesia

fotografia de Julie de Waroquier
Ser Poeta...


Ser poeta é mais que fazer rimas e usar palavras extravagantes. Ser poeta é saber sonhar e escrever o que se sente, porque o único guia de um poeta é o coração e a alma. Ser poeta é conseguir transformar algo simples num turbilhão de emoções e sentimentos, quase uma magia. Porque um poeta pensa com o coração e escreve com alma. No fundo, um poeta é um sonhador que voa nas palavras e leva quem o ouve nessa jornada.

ERMA PENSANDO

Tudo o que importa
Tudo o que importou
Silente, perdida no pensamento
Abismada, atentada, pensando

Erma, defronte do destino
À espera, ainda pensando
Sem arrimo,sem nada
Apenas com o pensamento

Passou nos ponteiros, passou na vida
Juntos ganharam alento
Ela e o pensamento
Juntos ganharam tempo
                        
SILENTE VIDA

Vida,silente vida
Tal como rosa
Duros os espinhos
Belas as pétalas que os repelem
Vida, silente vida

Silente, silente vida
Doce a rosa da vida
Como todas as outras 
Como nenhuma qualquer
Vida, silente vida

Oh vida, silente vida
Vida com espinhos
Vida sem rosa
Vida sem alento
Vida silente...
                                                   Inês Justino, 8º G

23 de abril de 2014

Três poemas para os 40 anos da Revolução de Abril


NUNCA PENSEI VIVER

Nunca pensei viver para ver isto:
a liberdade – (e as promessas de liberdade)
restauradas. Não, na verdade, eu não pensava
 no negro desespero sem esperança viva 
que isto acontecesse realmente. Aconteceu.
E agora, meu general?

Tantos morreram de opressão ou de amargura,
tantos se exilaram ou foram exilados,
tantos viveram um dia-a-dia cínico e magoado,
tantos se calaram, tantos deixaram de escrever,
tantos desaprenderam que a liberdade existe-
E agora, povo português?

Essas promessas – há que fazer depressa
que o povo as entenda, creia mais em si mesmo
do que nelas, porque elas só nele se realizam
e por ele. Há que, por todos os meios,
abrir as portas e as janelas cerradas quase cinquenta anos 

E agora, meu general?

E tu povo, em nome de quem sempre se falou,
ouvir-se-á a tua voz firme por sobre os clamores
com que saúdas as promessas de liberdade ?
Tomarás nas tuas mãos, com serenidade e coragem,
aquilo que, numa hora única, te prometem ?
E agora, povo português?

Jorge de Sena, 40 anos de servidão,1979







REVOLUÇÃO

Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta

como puro inícío
Como tempo novo
Sem mancha nem vício

Como a voz do mar
Interior de um povo

Como página em branco
Onde o poema emerge

Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação

Sophia de Mello Breyner Andresen, O nome das coisas, 1977 








LIBERDADE


Viemos com o peso do passado e da semente
esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente

Vivemos tantos anos a falar pela calada
só se pode querer tudo quando não se teve nada
só se quer a vida cheia quem teve a vida parada
só se quer a vida cheia quem teve a vida parada

Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

Sérgio Godinho in À queima-roupa (disco de 1974)

22 de abril de 2014

Até ao fim da Inocência

fotografia de Veronika Ko
«Erros meu, má fortuna, amor ardente»

Apesar de muito haver para falar, agora, apenas pequenos recortes de memória aparecem.

Ainda nem a um terço da minha vida vou, por isso não posso falar com a maior das sabedorias, como se tivesse passado a vida a sofrer de amores. Mas também não posso falar como se nunca tivesse tido um desgosto de amor… Tenho saudades do tempo de inocência, onde aqueles pequenos amores eram de alegria, não havia lágrimas nem confusões, stress ou problemas. Onde a única coisa que queríamos era brincar.

Agora parece que somos um íman e atraímos desgostos…
Carina Santos, 10º E

21 de abril de 2014

Sê o meu búzio, serei teu mar

fotografia de Édouard Boubat

Fiel amante
do amado de tantos;
cego e cantante
de meros encantos!

Repete um som
que não é mais que o desgastar
de quem já gastou
(o desgostar de quem já gostou)
que não é mais que o despedaçar
dos pedaços, de quem o amou.

Mesmo depois de engolido
e cuspido!
Regurgita suas palavras
que não passam de cegas escravas
Doces… agora salgadas
poluídas, intoxicadas!
Geladas.

Beatriz Lourenço, 11º E

3 de abril de 2014

Solar XXI - um edifício energeticamente sustentável

Quando se olha de longe, parece um harmonioso edifício de azulejos azuis-escuros e janelas. À medida que nos aproximamos, os azulejos ganham mil cores e refletem a luz de uma forma diferente, e desconfiamos. Assim que estamos suficientemente perto e, por cima da entrada principal, podemos ler “Solar XXI”, não existem dúvidas: os supostos azulejos deste edifício do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) são afinal células fotovoltaicas.

Somos então recebidos no “Solar XXI” e levados até a uma sala com um aspeto diferente. O gentil arquiteto que nos recebeu explica as estratégias envolvidas na construção deste edifício de baixíssimo consumo de energia, incluindo os estranhos aspetos da tal sala. Aprendemos, nesta primeira interação, que reduzir o gasto da energia que é usada na regulação da temperatura de um edifício é essencial. A simples técnica de baixar o estore durante o verão, evitando, assim, recorrer a um ar-condicionado, é fundamental para reduzir o consumo de energia. Outro exemplo curioso, de entre muitos que nos foram apresentados, é o facto de se poder aproveitar a energia térmica que se gera junto aos painéis fotovoltaicos exteriores (os tais “azulejos” das paredes) para aquecer o interior que lhe está adjacente. No final desta conversa, ficámos a saber ainda que, uma vez que a atividade dentro do edifício decorre durante o dia, é importante existirem muitas janelas e aproveitar-se a luz diurna para iluminação do local. Assim, fora raras exceções, o gasto de energia em iluminação é quase desprezível.

Após esta conversa somos levados até outra sala e recebidos por um outro investigador do LNEG. Nesta segunda parte da visita discute-se o aproveitamento elétrico ao nível dos painéis fotovoltaicos do exterior do edifício, que vão servir para produzir energia elétrica através da radiação solar. Em primeiro lugar, foi-nos mostrado o aproveitamento do processo fotovoltaico consoante as estações do ano. Não fazia ideia de que era durante o inverno que mais energia fotovoltaica se produzia: o facto de o sol se encontrar mais próximo da Terra e, por isso, se captar uma radiação mais intensa, é determinante no rendimento do processo fotovoltaico. Mas surge a questão das nuvens: no inverno existem mais nuvens (e negras, que absorvem mais radiação), como se obtém nesse caso um maior rendimento? É que existem células fotovoltaicas cujo espetro de absorção é mais intenso para radiações que as nuvens não absorvem. Apercebemo-nos então de que existe todo um vasto trabalho de investigação cujo objetivo é a procura das condições a que se deve sujeitar uma célula para que o seu aproveitamento seja máximo.

Ao cabo destas duas conversas, aprenderam-se coisas muito interessantes do ponto de vista da poupança de energia e da sua produção renovável. Apercebemo-nos ainda de que uma maior consciência acerca da natureza dos edifícios e o aumento da utilização destas técnicas na sua construção seria uma grande vantagem para as nossas cidades, tanto do ponto de vista monetário (tendo em conta que se poupa em energia) como do ponto de vista ambiental (na medida em que a energia utilizada no edifício é de uma fonte renovável).
Em suma, acredito que esta visita ao Solar do século XXI do LNEG foi um momento importante para o nosso 12ºB, na medida em que se aprendeu sobre o funcionamento e a utilidade que os edifícios de baixo consumo de energia representam. “Em direção à energia zero”!

Pedro Constantino, 12º B

25 de março de 2014

Encontro de culturas


Biombos Namban, Japão, sec. XVI-XVII

Do encontro entre povos e culturas, muito há a ganhar; mais há, certamente a perder. - Joan D. Vinge

Quando povos diferentes são forçados a partilhar o mesmo espaço, é provável que surjam rivalidades. Assim sendo, poderemos ter, como afirma a escritora Joan D. Vinge, mais a perder do que a ganhar. Contudo, e na minha opinião, se houver respeito e uma boa organização social, os ganhos podem ser mais relevantes que as perdas.

Com efeito, quando ocorre o encontro de dois povos diferentes, é inevitável que comuniquem, que partilhem opiniões, ideias, costumes e experiências. Com o tempo, e dado que partilham o mesmo local, a probabilidade de casarem entre si não é absurda, pelo contrário. Desta forma unir-se-ão, formando um novo povo, diferente dos dois originais, um povo mais enriquecido e homogéneo. Esta será uma verdadeira vantagem, embora possa também resultar numa perda de identidade das sociedades iniciais, nas duas ou três gerações seguintes. 

Outro argumento a favor do encontro é a possibilidade de  se protegerem mutuamente de possíveis invasões de outros povos mais poderosos e agressivos. Ao partilharem as diferentes técnicas e recursos de combate, tornar-se-ão mais fortes, acabando por se complementar. Por outro lado, há quem diga que esta união nunca iria resultar, pois os povos  estariam permanentemente em guerras internas, acabando o povo menos desenvolvido por sr absorvido ou destruído. Isto seria sem dúvida um forte argumento contra a reunião e tentativa de cooperação dos povos.


Em suma, o encontro de culturas diferentes é quase sempre vantajoso, pois desse encontro resulta uma partilha que estimula o desenvolvimento e pode tornar os povos mais fortes e completos. Mas, para tal, é necessário que haja respeito mútuo.

João Lopes, 11º C