Encerrar ciclos e aguardar, com esperança e receio, a abertura das etapas seguintes - é assim, crescer. Aliás, é assim a vida. A Beatriz, à beira do Secundário, faz um balanço dos anos que ficam para trás e desfila as boas memórias que deseja guardar. Um texto bonito e bem-humorado. Ora vejam.
![]() |
Fotografia de Carlos de Sousa Almeida
|
Até agora, numa sala com vinte alunos, tínhamos de tudo, polícias, professores, advogados, arquitetos, nutricionistas, biólogos, tudo! Éramos uma mistura incrível, nem todos gostamos das mesmas coisas, mas isso ensinou-nos a apoiarmo-nos, apesar de tudo. Ao longo do tempo transformámo-nos em mais do que apenas uma turma difícil, fomos também criando laços, estabelecendo relações e tornámo-nos quase uma família. Foram cinco anos a ir todos os dias para a escola, ter com os amigos, que mudaram tanto ao longo do tempo, que nos rendem infinitos ataques de riso. O mais engraçado é olhar à volta e pensar: Uau! O poder de uma simples lista de vinte nomes escolhidos aleatoriamente é gigante.
Agora que todos temos maturidade suficiente para nos aceitarmos, agora que estamos todos ligados, agora... agora vamos voltar ao início, voltar ao primeiro dia de aulas, com um fogo extra na barriga, com medo do que nos espera e de quem nos espera.
Sempre ouvi falar do quão assustador era o Secundário e a escolha do curso, mas poucas foram as pessoas que falaram das amizades. À primeira vista pode não parecer uma coisa importante, mas eu não teria aguentado sem os meus amigos. Ainda não sei como vou reagir quando daqui a uns meses entrar numa sala, olhar à volta e perguntar: “Onde está a Emília, que é minha vizinha de mesa desde antes de eu ter uma? O Jaime, que cresceu comigo? A Alice, que aprendeu a andar ao meu lado? Onde está a Bia, que é a amiga de todas as horas? A Constança, que está lá sempre para mim? A Isabela, que nunca me deixou mal? Onde está o Tiago, que me salvou de muitas negativas? A Maria, que me consegue sempre fazer nascer um sorriso na cara? O Spínola, que já rendeu tantas histórias? O “Simão”, que nos faz rir à gargalhada nos piores momentos? Onde está o João, que nunca reclama da cadeira? O Estêvão, que nunca nos nega uma folha? Onde está o Santiago, que nos faz questionar até as coisas mais simples?” Onde vão estar? Vão estar nas infinitas memórias claro, claro, mas e se eu disser que preciso deles aqui, ao meu lado?
Sinceramente, acho que os amigos são o mais importante, e sei que um curso diferente não separa, mas abala, porque nem todos são as pessoas para quem corro quando algo está mal, mas todos eles são as pessoas que eu preciso de ter aqui.
No outro dia vi um vídeo e acho que foi feito para esta situação. O vídeo tinha uma pequena frase que expressava um sentimento gigantesco. Dizia: “Que ironia ficarmos tristes pelas memórias mais felizes!” Nem mais, concordo plenamente, mas vou ter de admitir que custa na mesma. Não lhes digam, mas eu adoro-os a todos!
Beatriz Mendes, 9ºA

1 comentário:
Gostei muito de ler o teu texto. Na mouche! :-)
Enviar um comentário