5 de outubro de 2014

Hino à Razão

Neste aniversário da Implantação da República, propomos a leitura de um poema de Antero de Quental, o maior vulto da Geração de 70. 


Antero indagou as grandes questões filosóficas e sociais do seu tempo e procurou incessantemente uma solução política e ética para Portugal.

Aqui fica um dos seus poemas mais luminoso acerca do devir histórico:

          Hino à Razão

Razão, irmã do Amor e da Justiça, 
Mais uma vez escuta a minha prece. 
É a voz dum coração que te apetece, 
Duma alma livre só a ti submissa. 

Por ti é que a poeira movediça 
De astros, sóis e mundos permanece; 
E é por ti que a virtude prevalece, 
E a flor do heroísmo medra e viça. 

Por ti, na arena trágica, as nações 
buscam a liberdade entre clarões; 
e os que olham o futuro e cismam, mudos, 

Por ti podem sofrer e não se abatem, 
Mãe de filhos robustos que combatem 
Tendo o teu nome escrito em seus escudos! 

                                                                    
                                   Antero de Quental, Sonetos


16 de setembro de 2014

Desassossego

Hoje com Fernando Pessoa - Bernardo Soares, que nos diz da nossa condição:
Náutilo, fotografia de Edward Weston, 1927

«Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugná-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.»

Livro do Desassossego, Bernardo Soares

12 de setembro de 2014

O Projecto Adamastor




Uma biblioteca digital de obras literárias em português, disponibilizadas de forma gratuita. Na página inicial do Projecto Adamastor, pode ler-se: 

O mercado do livro digital, que nos últimos anos tem vindo a crescer significativamente no estrangeiro, começa agora a desenvolver-se no nosso país (...). No entanto, tal desenvolvimento está limitado pela insuficiente oferta de títulos em português (...).
Neste sentido, o Projecto Adamastor tem como principal objectivo atenuar essa escassez através da criação de uma biblioteca digital de obras literárias em domínio público, obras essas que serão disponibilizadas de forma gratuita e em formato EPUB, sem qualquer tipo de restrição.
Tal não significa que o projecto se resuma à mera conversão de textos disponíveis online, bem pelo contrário: os colaboradores do Projecto Adamastor procuram acrescentar valor através de uma revisão cuidada de cada obra, de modo a minimizar o número de erros e a atingir uma versão fiel ao original, actualizada de acordo com a ortografia vigente. Tudo isto acompanhado por um design atractivo.

10 de setembro de 2014

Histórias da escola



Ir à escola não foi fácil em todas épocas ou em todos os lugares do mundo. Ir à escola não foi sempre um direito consagrado, de que todas as crianças, pelo menos em teoria, pudessem usufruir. Que o digam aqueles que, por razões de sexo, da cor da pele, da classe social ou da sua cultura foram - e são ainda - discriminados e impedidos de aceder a uma educação de qualidade.

A dois ou três dias do recomeço das aulas, temos gosto em lembrar o exemplo de Ruby Bridges, nascida em1954 e que nesta semana completou 60 anos. Foi a primeira criança negra a frequentar uma escola primária "de brancos", no Sul dos Estados Unidos. E teve de lutar por isso. E de enfrentar a violenta desaprovação da sociedade conservadora e racista em que vivia.

Na imagem acima, colhida a 14 de Novembro de 1960, vêmo-la a caminho da escola, escoltada por marshalls que a protegiam da multidão enfurecida.

Ruby e a sua família enfrentaram um duro e longo combate por um direito que hoje nos parece tão assegurado que, por vezes, pouco o valorizamos. E no entanto, pareceu-lhes a eles merecer todos os sacrifícios - e não foram poucos, como pode ler-se aqui

Que o seu exemplo nos inspire no começo deste ano lectivo e nos faça acarinhar a escola e valorizar o estudo.

9 de setembro de 2014

Viajar com a Arte

Porque a arte, a memória e a identidade cultural são importantes, aqui deixamos a proposta de uma visita ao Museu Machado de Castro, em Coimbra, que reabriu em 2013, depois de uma remodelação que durou vários anos, e em que trabalhou uma equipa multidisciplinar composta por geólogos, arqueólogos, historiadores, arquitetos e museólogos.

Quem nos recomenda em primeira mão este percurso de descoberta é o site espanhol Viajar con el Arte, que apresenta uma entusiástica descrição, belamente ilustrada, das coleções do museu, a qual pode ser consultada na ligação acima. Alunos de espanhol, aproveitem para ler e treinar o uso da língua.

Santa Isabel, de João de Ruão, col. Museu Machado de Castro

6 de setembro de 2014

Recomeçar

Um poema de Miguel Torga para começarmos com ânimo o novo ano escolar.

praia da Nazaré, 1965, fotografia de Bill Perlmutter

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...


Miguel Torga

4 de agosto de 2014

Leituras para férias

Em espanhol, autores como Borges, Cortazar, Maupassant, Allan Poe, Raymond Carver, García Marquez... Disponibilizados em Biblioteca de cuentos y relatos. Vale a pena passar por lá.

Cuentosinfin

Biblioteca de cuentos y relatos

3 de julho de 2014

Sophia de Mello Breyner - momentos e documentos

A página dedicada a Sophia de Mello Breyner Andresen no sítio da Biblioteca Nacional: um local a visitar e a pesquisar: aqui.


30 de junho de 2014

A criança que fui

"... achar / Em mim um pouco de quando era assim." 

Poema de Fernando Pessoa, interpretado por Rogério Godinho. Compositor, pianista e cantor, Rogério Godinho é um dos nomes em cartaz para a "Noite do Desassossego", que a Casa Fernando Pessoa promove no próximo dia 6 de Julho. 

 

A criança que fui chora na estrada. 
Deixei-a ali quando vim ser quem sou; 
Mas hoje, vendo que o que sou é nada, 
Quero ir buscar quem fui onde ficou. 

 Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou 
 A vinda tem a regressão errada. 
 Já não sei de onde vim nem onde estou. 
 De o não saber, minha alma está parada. 

 Se ao menos atingir neste lugar 
 Um alto monte, de onde possa enfim 
 O que esqueci, olhando-o, relembrar, 

 Na ausência, ao menos, saberei de mim, 
 E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar 
 Em mim um pouco de quando era assim.

                                         Fernando Pessoa

18 de junho de 2014

Que é a cultura?

O que é a cultura? 
O que pode a cultura fazer pela humanidade? 
O que significa ser-se culto?

Uma comunicação de Vargas Llosa, escritor peruano distinguido com o Prémio Nobel em 2010. Em linguagem cativante e simples, convida-nos a um pouco de reflexão. Vale a pena ouvi-lo.


6 de junho de 2014

Felizes

A festa, pintura de António Dacosta, Portugal, 1942

Isto é para os felizes.
Para aqueles que, nos tempos mais escuros,
acendem uma luz.
Para aqueles que ardem,
mas não se queimam.
Para aqueles que veem o copo meio cheio.
Para os que veem a luz,
não a falta dela…
Para os que são mais poderosos que todo o inferno,
para os que fazem frente ao demónio,
para os que guerreiam pela paz,
para os que são mortos,
mas não morrem…
Para os que sem medo vivem,
para os perdedores que vencem,
para os que, para além de pessoas,
são felizes.
Rodrigo 9º A

1 de junho de 2014

Ler sem parar! Será que vamos gostar

desenho de Almada Negreiros
Ler é importante! Ler leva-nos a conhecer novas palavras, novas realidades, novas culturas. Leva-nos a criar!

Ler não serve só para passar o tempo. Serve também para desenvolver a nossa imaginação e ajuda-nos a sonhar.

E quem não gosta de sonhar? Sonhar é importante, mas sem ler será mais difícil. Será igualmente mais difícil escrever corretamente.

E o que seria do mundo sem imaginação e sem criação? Não haveria invenções como: televisão, telemóveis ou outras! Invenções inspiradas nas necessidades do dia a dia, mas também em livros diversos.

Uma coisa é certa: ler conduz-nos à aprendizagem.

Vá lá pessoal, toca a ler para o cérebro desenvolver! É que sem ler o mundo não vai crescer.
Ah! E sim, vamos gostar de ler!
Francisco Luís, 7ºF

27 de maio de 2014

O meu reflexo invertido



Cupido e Psique (detalhe), pintura de Louis-Jean François Lagrenée, séc. XVIII

Olho para ti, como se para um espelho estivesse a olhar.
Mas a imagem está turva e eu de pernas para o ar.
E, olhando bem para ti, como poderia eu não estar?

Tento ser como tu. Maravilhosa como és, porque não?
Ignoro a minha cabeça, concentrando-me no coração.
Mas prefiro agarrar-me à lógica a perder-me na imaginação.

Decoro cada conversa nossa e guardo-a na minha mente.
Tento não inventar outras, pois representam um perigo iminente.
Será amor, se te imagino como te quero, e te quero tão diferente?

Sei que o que me faz sofrer não é não saber se te amo ou não.
É sim o facto de não conseguir fazer recíproco aquilo que trago no coração.
E vou continuar a insistir até o reflexo invertido perder a inversão.


Gabriel Branco, 9.ºA

16 de maio de 2014

Quando pela primeira vez

pintura de Greg Spalenka


Quando pela primeira vez te vi 
Em teu olhar me perdi...
Era tanto o que via em teu olhar
Que percebi que contigo tinha de falar.
És uma nuvem que caiu na minha vida
Um verdadeiro príncipe perdido
És diferente
Doce e interessante.
Por ti vou lutar de forma incessante
Porque és tu que fazes o meu coração bater.
És tu que me fazes sentir o que é viver.
Isso foi o que senti quando te vi!


Elisabete Carvalho, 8ºG

13 de maio de 2014

Será poesia?

fotografia de Ramnath Siva

Ao ler poesia irás ver
Que é difícil de perceber,
Mas ao leres com atenção
Serás capaz de compreender.

Às vezes fala
De coisas absurdas,
Mas lá no fundo
Tem a sua razão de ser.

Tem quadras, tem tercetos
A divisão métrica é esquisita,
Mas irás perceber
Que a verdade é dita.

Tenho sete ou oito quadras
Para te dizer o que é poesia.
Tenho de me despachar
Para não ter negativa.

O que posso mais dizer?
Gosto de poesia.
Junta-te a mim
Para gostares desta vida.

Tu pensas que tem de rimar
Mas enganas-te profundamente!
Desde que seja bonita
A poesia faz magia.

Agora vou terminar,
Ao pensar que percebeste
Vou-te aconselhar:
Lê poesia!

David Silva, 7º E