12 de setembro de 2014

O Projecto Adamastor




Uma biblioteca digital de obras literárias em português, disponibilizadas de forma gratuita. Na página inicial do Projecto Adamastor, pode ler-se: 

O mercado do livro digital, que nos últimos anos tem vindo a crescer significativamente no estrangeiro, começa agora a desenvolver-se no nosso país (...). No entanto, tal desenvolvimento está limitado pela insuficiente oferta de títulos em português (...).
Neste sentido, o Projecto Adamastor tem como principal objectivo atenuar essa escassez através da criação de uma biblioteca digital de obras literárias em domínio público, obras essas que serão disponibilizadas de forma gratuita e em formato EPUB, sem qualquer tipo de restrição.
Tal não significa que o projecto se resuma à mera conversão de textos disponíveis online, bem pelo contrário: os colaboradores do Projecto Adamastor procuram acrescentar valor através de uma revisão cuidada de cada obra, de modo a minimizar o número de erros e a atingir uma versão fiel ao original, actualizada de acordo com a ortografia vigente. Tudo isto acompanhado por um design atractivo.

10 de setembro de 2014

Histórias da escola



Ir à escola não foi fácil em todas épocas ou em todos os lugares do mundo. Ir à escola não foi sempre um direito consagrado, de que todas as crianças, pelo menos em teoria, pudessem usufruir. Que o digam aqueles que, por razões de sexo, da cor da pele, da classe social ou da sua cultura foram - e são ainda - discriminados e impedidos de aceder a uma educação de qualidade.

A dois ou três dias do recomeço das aulas, temos gosto em lembrar o exemplo de Ruby Bridges, nascida em1954 e que nesta semana completou 60 anos. Foi a primeira criança negra a frequentar uma escola primária "de brancos", no Sul dos Estados Unidos. E teve de lutar por isso. E de enfrentar a violenta desaprovação da sociedade conservadora e racista em que vivia.

Na imagem acima, colhida a 14 de Novembro de 1960, vêmo-la a caminho da escola, escoltada por marshalls que a protegiam da multidão enfurecida.

Ruby e a sua família enfrentaram um duro e longo combate por um direito que hoje nos parece tão assegurado que, por vezes, pouco o valorizamos. E no entanto, pareceu-lhes a eles merecer todos os sacrifícios - e não foram poucos, como pode ler-se aqui

Que o seu exemplo nos inspire no começo deste ano lectivo e nos faça acarinhar a escola e valorizar o estudo.

9 de setembro de 2014

Viajar com a Arte

Porque a arte, a memória e a identidade cultural são importantes, aqui deixamos a proposta de uma visita ao Museu Machado de Castro, em Coimbra, que reabriu em 2013, depois de uma remodelação que durou vários anos, e em que trabalhou uma equipa multidisciplinar composta por geólogos, arqueólogos, historiadores, arquitetos e museólogos.

Quem nos recomenda em primeira mão este percurso de descoberta é o site espanhol Viajar con el Arte, que apresenta uma entusiástica descrição, belamente ilustrada, das coleções do museu, a qual pode ser consultada na ligação acima. Alunos de espanhol, aproveitem para ler e treinar o uso da língua.

Santa Isabel, de João de Ruão, col. Museu Machado de Castro

6 de setembro de 2014

Recomeçar

Um poema de Miguel Torga para começarmos com ânimo o novo ano escolar.

praia da Nazaré, 1965, fotografia de Bill Perlmutter

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...


Miguel Torga

4 de agosto de 2014

Leituras para férias

Em espanhol, autores como Borges, Cortazar, Maupassant, Allan Poe, Raymond Carver, García Marquez... Disponibilizados em Biblioteca de cuentos y relatos. Vale a pena passar por lá.

Cuentosinfin

Biblioteca de cuentos y relatos

3 de julho de 2014

Sophia de Mello Breyner - momentos e documentos

A página dedicada a Sophia de Mello Breyner Andresen no sítio da Biblioteca Nacional: um local a visitar e a pesquisar: aqui.


30 de junho de 2014

A criança que fui

"... achar / Em mim um pouco de quando era assim." 

Poema de Fernando Pessoa, interpretado por Rogério Godinho. Compositor, pianista e cantor, Rogério Godinho é um dos nomes em cartaz para a "Noite do Desassossego", que a Casa Fernando Pessoa promove no próximo dia 6 de Julho. 

 

A criança que fui chora na estrada. 
Deixei-a ali quando vim ser quem sou; 
Mas hoje, vendo que o que sou é nada, 
Quero ir buscar quem fui onde ficou. 

 Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou 
 A vinda tem a regressão errada. 
 Já não sei de onde vim nem onde estou. 
 De o não saber, minha alma está parada. 

 Se ao menos atingir neste lugar 
 Um alto monte, de onde possa enfim 
 O que esqueci, olhando-o, relembrar, 

 Na ausência, ao menos, saberei de mim, 
 E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar 
 Em mim um pouco de quando era assim.

                                         Fernando Pessoa

18 de junho de 2014

Que é a cultura?

O que é a cultura? 
O que pode a cultura fazer pela humanidade? 
O que significa ser-se culto?

Uma comunicação de Vargas Llosa, escritor peruano distinguido com o Prémio Nobel em 2010. Em linguagem cativante e simples, convida-nos a um pouco de reflexão. Vale a pena ouvi-lo.


6 de junho de 2014

Felizes

A festa, pintura de António Dacosta, Portugal, 1942

Isto é para os felizes.
Para aqueles que, nos tempos mais escuros,
acendem uma luz.
Para aqueles que ardem,
mas não se queimam.
Para aqueles que veem o copo meio cheio.
Para os que veem a luz,
não a falta dela…
Para os que são mais poderosos que todo o inferno,
para os que fazem frente ao demónio,
para os que guerreiam pela paz,
para os que são mortos,
mas não morrem…
Para os que sem medo vivem,
para os perdedores que vencem,
para os que, para além de pessoas,
são felizes.
Rodrigo 9º A

1 de junho de 2014

Ler sem parar! Será que vamos gostar

desenho de Almada Negreiros
Ler é importante! Ler leva-nos a conhecer novas palavras, novas realidades, novas culturas. Leva-nos a criar!

Ler não serve só para passar o tempo. Serve também para desenvolver a nossa imaginação e ajuda-nos a sonhar.

E quem não gosta de sonhar? Sonhar é importante, mas sem ler será mais difícil. Será igualmente mais difícil escrever corretamente.

E o que seria do mundo sem imaginação e sem criação? Não haveria invenções como: televisão, telemóveis ou outras! Invenções inspiradas nas necessidades do dia a dia, mas também em livros diversos.

Uma coisa é certa: ler conduz-nos à aprendizagem.

Vá lá pessoal, toca a ler para o cérebro desenvolver! É que sem ler o mundo não vai crescer.
Ah! E sim, vamos gostar de ler!
Francisco Luís, 7ºF

27 de maio de 2014

O meu reflexo invertido



Cupido e Psique (detalhe), pintura de Louis-Jean François Lagrenée, séc. XVIII

Olho para ti, como se para um espelho estivesse a olhar.
Mas a imagem está turva e eu de pernas para o ar.
E, olhando bem para ti, como poderia eu não estar?

Tento ser como tu. Maravilhosa como és, porque não?
Ignoro a minha cabeça, concentrando-me no coração.
Mas prefiro agarrar-me à lógica a perder-me na imaginação.

Decoro cada conversa nossa e guardo-a na minha mente.
Tento não inventar outras, pois representam um perigo iminente.
Será amor, se te imagino como te quero, e te quero tão diferente?

Sei que o que me faz sofrer não é não saber se te amo ou não.
É sim o facto de não conseguir fazer recíproco aquilo que trago no coração.
E vou continuar a insistir até o reflexo invertido perder a inversão.


Gabriel Branco, 9.ºA

16 de maio de 2014

Quando pela primeira vez

pintura de Greg Spalenka


Quando pela primeira vez te vi 
Em teu olhar me perdi...
Era tanto o que via em teu olhar
Que percebi que contigo tinha de falar.
És uma nuvem que caiu na minha vida
Um verdadeiro príncipe perdido
És diferente
Doce e interessante.
Por ti vou lutar de forma incessante
Porque és tu que fazes o meu coração bater.
És tu que me fazes sentir o que é viver.
Isso foi o que senti quando te vi!


Elisabete Carvalho, 8ºG

13 de maio de 2014

Será poesia?

fotografia de Ramnath Siva

Ao ler poesia irás ver
Que é difícil de perceber,
Mas ao leres com atenção
Serás capaz de compreender.

Às vezes fala
De coisas absurdas,
Mas lá no fundo
Tem a sua razão de ser.

Tem quadras, tem tercetos
A divisão métrica é esquisita,
Mas irás perceber
Que a verdade é dita.

Tenho sete ou oito quadras
Para te dizer o que é poesia.
Tenho de me despachar
Para não ter negativa.

O que posso mais dizer?
Gosto de poesia.
Junta-te a mim
Para gostares desta vida.

Tu pensas que tem de rimar
Mas enganas-te profundamente!
Desde que seja bonita
A poesia faz magia.

Agora vou terminar,
Ao pensar que percebeste
Vou-te aconselhar:
Lê poesia!

David Silva, 7º E


10 de maio de 2014

Into the Wild, into the minds


Recentemente, na aula de Filosofia vimos e analisámos um filme inebriante e inspirador, Into The Wild. Realizado por Sean Penn, é a interpretação cinematográfica da aventura de Christopher McCandless que, com 22 anos, sente que vive uma falsidade encenada pela sua família, sendo o seu pai bígamo e a sua mãe conivente, e ambos um pouco superficiais, contrastando com Christopher, que  dispensava o materialismo, a futilidade, a hipocrisia e o modo de vida consumista. A sua identidade não está ainda definida e é no âmbito da procura de si mesmo, do âmago da felicidade e da autenticidade pessoal, que parte para uma aventura, rumo ao Alasca. 

Ao longo de dois anos de aventura, o protagonista assume-se como naturalista radical e adota o nome de "Alex Supertramp", Alex Vagabundo. A sua posição relativamente à felicidade é clarificada quando, moribundo por inanição, e no auge da sua consciência, Christopher se liberta dos dogmas e, ao imaginar-se nos braços da família, reavalia a vida e conclui que a felicidade só é verdadeira quando partilhada.

O filme propõe reflexão e evidencia vários problemas filosóficos. As relações afetivas, a identidade, o sentido da vida, a verdade, o egoísmo, o livre-arbítrio e a felicidade são alguns deles, e são matéria exigente do espírito e do pensamento livre de dogmas.

Este é um filme muito bem construído e especial, desde a narrativa em retrospetiva, passando pela banda sonora, criada por Eddie Vedder e interligada com a ação, enriquecendo-se com as excelentes fotografias da natureza e com o ótimo trabalho do elenco  – particularmente a “encarnação” de Christopher, por Hemile Hirsch – passando pela intensidade emocional das cenas e pela contextualização de citações clássicas que contribuem em muito para a reflexão e para o enriquecimento cultural. 

Concluindo, este foi o filme mais espetacular que já vi, pois observando a descoberta de Christopher, o conhecimento de si mesmo e do mundo, procuramo-nos também a nós próprios. E conhecer o nosso interior é aprendermos a exteriorizá-lo e, assim, a viver.

Beatriz Lourenço, 11º E

7 de maio de 2014

Memórias de um sobrinho de Fernando Pessoa

O jornal Estado de S. Paulo convidou a professora Cleonice Berardelli, a maior especialista em Fernando Pessoa, no Brasil, a fazer perguntas a Luís Miguel Roza Dias, sobrinho de Pessoa. Memórias infantis  - Miguel Roza Dias tinha cinco anos quando o tio morreu - e tão distantes "valem o que valem", mas não deixam de nos iluminar acerca do poeta.


A professora Cleonice Berardinelli  - Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão
«A convite do Estado, a professora Cleonice Berardinelli formulou perguntas para Luis Miguel Roza Dias, médico e escritor, que conviveu com o tio escritor nos últimos cinco anos de vida. 

Íntima conhecedora da obra de Pessoa, Cleonice preferiu questionar Roza Dias justamente sobre esse pequeno período de convivência, buscando montar um perfil do homem em seu cotidiano: o sujeito brincalhão, que aprontava com a irmã e inventava passatempos para os sobrinhos. Leia, a seguir, o resultado da conversa.

Lembra-se de alguma atitude divertida do tio Fernando?

Poderia dar vários exemplos, pois o meu tio brincava bastante comigo e com a minha irmã. Duma eu me lembro bastante bem, pois se passou diretamente comigo. Estávamos todos em casa e haveria uma festa, possivelmente de aniversário, pois estavam mais pessoas lá em casa a festejar não sei o quê. Às duas por três, eu teria desaparecido do convívio, tendo alguém perguntado por mim. Como eu era o mais pequeno conviva, ficaram todos alarmados à minha procura, pois quando uma criança da minha idade desaparece da vista, é porque estará, quase sempre, a fazer asneira. Toda a gente procurava por todos os lados, até que foi o meu tio que me encontrou. Eu tinha me escondido de baixo da mesa da casa de jantar e tapado com a toalha da mesa que chegava quase ao chão e estava tranquilamente sentado no chão a chupar uma rolha de um garrafão de vinho tinto! O meu tio Fernando ao deparar o seu sobrinhito naquele preparo, fartou-se de rir e exclamara alto e em bom som: "Temos Homem!". Como se sabe, ele gostava da sua "pinga", embora ninguém o tivesse visto ébrio.

Sua companhia era agradável aos meninos? Ou fazia-lhes medo?

Como era o nosso "único e verdadeiro" tio a viver conosco, gostávamos dele como dos nossos pais. Era lá da casa. Ainda por cima, ria e brincava conosco, prestando-se muito sério a, por vezes, que a minha irmã, mais velha do que eu, fingisse fazer-lhe a barba, como já tinha visto o tio fazer na Barbearia do Sr. Manacés, em frente à nossa casa. Eu, por ser mais pequeno, passava a ser só ajudante de barbeiro. Quando estávamos na casa da praia, ia-nos visitar todos os fins de semana, trazendo sempre presentinhos. Ansiávamos recebê-los, e ele gozava em dá-los.

Lembra-se de ter ouvido o tio dizer algum outro poeminha? Qual ou quais?

Negativo. Ele, quando chegava, na maioria das vezes, ia para o seu quarto e, pelo que nos contava a nossa mãe, ficava longo tempo a escrever de pé sobre o tampo da cômoda que tinha no quarto. Sei que a mim dedicou dois versos, um chamava-se O Menino do Caracol, pois eu, com os meus 2 anos, usava um caracol de cabelo no alto da cabeça como era costume as mães pentearem os seus filhos. O segundo poema chamava-se Rondeau e, ao menino que ele se referia, era o "BI", que era o diminutivo que ele me dera em que o "B" era de bebê e o "I" de Lu"I"z.

Como era o som de sua voz? Valorizava ou não o que dizia? Era agradável, rica, sonora?
Confesso que não me lembro. Era a voz do tio que vivia conosco, agradável, com certeza e, que eu me lembre, nunca se zangava.

(O texto, reproduzido com supressões, pode ser lido na íntegra aqui)