21 de janeiro de 2015

Ricardo Reis e Álvaro de Campos



Ricardo Reis e Álvaro de Campos são talvez os mais diferentes heterónimos pessoanos. Enquanto um vive numa introspectiva e estóica abdicação dos seus desejos, o outro ilude-se, experimenta e desilude-se.

Ao passo que o poeta helenista se enquadra harmoniosamente numa natureza mitológica, o revolucionário ferve em ateias odes futuristas à máquina e ao progresso. Se um é consolado, o outro é inconsolado e inconsolável com a efemeridade da vida e as limitações da racionalidade humana.

Enquanto Reis expressa, de forma requintada e elegante, os ideais de perfeição de espírito em que se refugia, Campos desabafa, de forma confessional, subversiva e estridente, a revolta face a  um mundo “que é para quem nasce para o conquistar/ E não para quem sonha que pode conquistá-lo”. 

Beatriz Lourenço, 12º E

2 comentários:

Soledade disse...

Gostei de ler, Beatriz :-)

Ferreira Borges disse...

Perspectiva bem defendida.