Movimento, fluido, luz. Pintura, Matemática, Física. E a genialidade de Van Gogh.
15 de março de 2015
3 de março de 2015
Respeitar é sinónimo de partilhar
Devemos respeitar e tratar os animais, tal como respeitamos e tratamos qualquer outro ser vivo. Este foi um dos princípios que a minha família me passou, pois, desde pequena, têm vindo a crescer comigo vários animais domésticos.
De facto, sempre houve gatos e cães numa convivência alegre e harmoniosa no meu lar. Neste momento, tenho dois cães, o Cookie, um cão de guarda com grande porte, e a Lady, a quem a minha mãe se refere como a sua outra filha. Quanto a gatos, tenho vários: os independentes, Minnie, Zeus e Pitágoras, e os que partilham o meu teto, Silvestre e Marie.
Todos eles me têm ensinado como se deve ou não se deve tratar os animais: antes de mais deve atender-se às suas necessidades básicas, como a comida e o resguardo; levá-los ao veterinário e tratá-los quando estão doentes; devemos ainda amá-los e acarinhá-los. Por outro lado, devemos denunciar situações de maus tratos, que incluem o abandono, a violência e o desleixo.
Para finalizar, devo reforçar que os animais nos respeitam, nos amam e que merecem esse respeito e amor de volta, já que, lá no fundo, não somos nós que adotamos os animais, mas sim eles que nos adotam a nós!
Leonor Solla, 8.º E
19 de fevereiro de 2015
O vento lá fora
O vento la fora é um documentário que apresenta um retrato do poeta Fernando Pessoa, a partir de uma leitura de poemas organizada pela professora Cleonice Berardinelli, notável pessoana, e pela cantora brasileira Maria Bethânia.
Esta leitura, apresentada ao público na FLIP 2013 (Feira Literária Internacional de Paraty, um dos mais importantes certames litarários da lusofonia), foi filmada em estúdio, na presença de uma plateia de convidados.
O documentário, realizado por Marcio Debellian, é construído a partir desta filmagem, assim como da gravação dos ensaios, das conversas sobre a obra de Pessoa e da pesquisa de manuscritos e imagens. A não perder!
3 de fevereiro de 2015
A ARTE COMO REVELAÇÃO
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| Procissão do Corpo de Deus (1913), pintura de Amadeo de Souza-Cardoso |
A arte é um bem comum, um luxo acessível. Não é necessária, mas é essencial. Representa o expoente da humanidade, a realização que mais longe nos coloca dos outros seres vivos que conhecemos. De facto, mais emocionante do que uma criança prodígio com o talento de um adulto, é um adulto com a inocência da criança no olhar, embora aprisionado na sua razão. Um artista.
Ser artista é ascender da nossa condição por breves momentos. Nesta ascensão, ganhamos a capacidade de nos observarmos, como que de fora. É o que vemos na poesia de Fernando Pessoa, que consegue perder-se em si mesmo e deixar de ser quem é, sem nunca deixar de o ser. E mostrar-nos o caminho para a autodescoberta.
O artista é o portal para o mundo interior, é a criança que tem a capacidade de ver sempre as coisas pela primeira vez, mas com a lucidez de um velho sábio. É o que acontece com pintores como Amadeu de Sousa-Cardoso que, no seu quadro Procissão de Amarante, revela, no comum, o fantástico, como se de uma criança se tratasse.
Por tudo isto, a arte é árdua de decifrar. E esta minha reflexão não passa de um tiro na imensa escuridão que é o nosso ser.
Ivo Ferreira, 12ºC
26 de janeiro de 2015
Caminho da manhã
Sophia de Mello Breyner Andersen, um texto belíssimo, exemplarmente dito por Eunice Muñoz:
Vais pela estrada que é de terra amarela e quase sem nenhuma sombra. As cigarras cantarão o silêncio de bronze. À tua direita irá primeiro um muro caiado que desenha a curva da estrada. Depois encontrarás as figueiras transparentes e enroladas; mas os seus ramos não dão nenhuma sombra. E assim irás sempre em frente com a pesada mão do Sol pousada nos teus ombros, mas conduzida por uma luz levíssima e fresca. Até chegares às muralhas antigas da cidade que estão em ruínas. Passa debaixo da porta e vai pelas pequenas ruas estreitas, direitas e brancas, até encontrares em frente do mar uma grande praça quadrada e clara que tem no centro uma estátua. Segue entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro branco, o branco da cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso no sopro corrido e fresco do mar. Entra no mercado e vira à tua direita e ao terceiro homem que encontrares em frente da terceira banca de pedra compra peixes. Os peixes são azuis e brilhantes e escuros com malhas pretas. E o homem há-de pedir-te que vejas como as suas guelras são encarnadas e que vejas bem como o seu azul é profundo e como eles cheiram realmente, realmente a mar. Depois verás peixes pretos e vermelhos e cor-de-rosa e cor de prata. E verás os polvos cor de pedra e as conchas, os búzios e as espadas do mar. E a luz se tornará líquida e o próprio ar salgado e um caranguejo irá correndo sobre uma mesa de pedra. À tua direita então verás uma escada: sobe depressa mas sem tocar no velho cego que desce devagar. E ao cimo da escada está uma mulher de meia idade com rugas finas e leves na cara. E tem ao pescoço uma medalha de ouro com o retrato do filho que morreu. Pede-lhe que te dê um ramo de louro, um ramo de orégãos, um ramo de salsa e um ramo de hortelã. Mais adiante compra figos pretos: mas os figos não são pretos: mas azuis e dentro são cor-de-rosa e de todos eles corre uma lágrima de mel. Depois vai de vendedor em vendedor e enche os teus cestos de frutos, hortaliças, ervas, orvalhos e limões. Depois desce a escada, sai do mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do Sol. Caminha até encontrares uma igreja alta e quadrada.
Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível.
in Livro Sexto, 1962
21 de janeiro de 2015
Ricardo Reis e Álvaro de Campos
Ricardo Reis e Álvaro de Campos são talvez os mais diferentes heterónimos pessoanos. Enquanto um vive numa introspectiva e estóica abdicação dos seus desejos, o outro ilude-se, experimenta e desilude-se.
Ao passo
que o poeta helenista se enquadra harmoniosamente numa natureza mitológica, o
revolucionário ferve em ateias odes futuristas à máquina e ao progresso. Se um
é consolado, o outro é inconsolado e inconsolável com a efemeridade da vida e as limitações da racionalidade humana.
Enquanto Reis expressa, de forma requintada e elegante, os ideais de perfeição
de espírito em que se refugia, Campos desabafa, de forma
confessional, subversiva e estridente, a revolta face a um mundo “que é
para quem nasce para o conquistar/ E não para quem sonha que pode conquistá-lo”.
Beatriz Lourenço, 12º E
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19 de janeiro de 2015
Ainda a propósito do conceito de felicidade
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| Bonheur de vivre (1905), pintura de Matisse |
No meu entender, esse sentimento de realização é atingido de duas formas. A primeira remete-nos para o cumprimento de objetivos, e a segunda para o altruísmo em relação aos outros.
O cumprimento de objetivos está relacionado com o que definimos para a nossa vida como sendo prioritário. Se o processo para o conseguirmos foi extremamente difícil e o esforço que fizemos foi imenso, somos invadidos por uma felicidade extrema, sentimo-nos realizados. Temos o exemplo de Albert Einstein que, a uma determinada altura da sua vida, definiu como objetivo completar a teoria da Relatividade e, quando o conseguiu, disse: “Já posso partir em paz porque o meu trabalho na terra está completo”. Os humanos, frequentemente, definem objetivos mais banais, como ser médico ou ter 20 a matemática. Mas todos estes pequenos objetivos acabam por contribuir para a nossa felicidade.
Existe outra forma de alcançar a felicidade que é colocar-se em risco para ajudar os outros. Os que o fazem sentem que a sua vocação é ajudar o próximo, fazer o melhor que podem para tornar o mundo ligeiramente melhor, como o caso de Madre Teresa de Calcutá, que tinha consciência de que o que fazia era “uma gota no oceano”, mas sabia que era o seu altruísmo que lhe trazia alegria.
Concluindo, existem várias formas de alcançar a felicidade e cada um de nós tem a sua definição de felicidade e uma ideia do que fazer para atingi-la, no entanto, acho que todas essas definições acabam por convergir para a afirmação de Pessoa: “ser feliz consiste/Apenas em ser feliz”.
Gonçalo Borges, 12.º A
14 de janeiro de 2015
Ler Gabriel Garcia Marquez
Gabriel García Marquez (1927-2014), escritor colombiano, criador do chamado realismo mágico sul-americano e vencedor do prémio Nobel da literatura em 1982, foi um dos mais notáveis escritores do século XX, como atestam os seus fabulosos romances Cem anos de Solidão ou O Amor nos Tempos da Cólera.
Para aqueles que leem em castelhano, alguns dos seus grandes livros estão disponíveis na rede e podem ser descarregados gratuitamente em PDF:
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12 de janeiro de 2015
Nem sei o que dizer
Sobre coisas
de pasmar
Nem sei o que
fazer
Sobre coisas
de rimar
Este grande
dilema
Não sei bem
como resolver
Quase fico sem
ar
Só de pensar
em escrever
Não sei bem o
que é viver
Neste mundo de
prazer
Não há outro
igual
E só me
apetece conviver
Duarte Carmo, 10ºB
11 de janeiro de 2015
Ser feliz consiste apenas em ser feliz
Fernando Pessoa escreve, a determinado momento, que “…ser
feliz consiste/ Apenas em ser feliz”. Isto parece-me uma redundância que pretende
expressar que a felicidade se alcança de uma forma não pensada, apenas sentida.
Não estou de acordo com esta perspetiva. Parece-me, antes, que a felicidade se
encontra no balanço frágil entre o pensar e o sentir.
Ser
feliz sem pensar é bom, até saboroso. A felicidade apresenta-se de um modo
simples, como algo que sentimos e nos inunda de alegria. Mas, assim como o
sentir frio passa, também o sentir a felicidade pode passar, e depois, quando
não a sentimos mais, nesse momento surge dentro de nós um vazio que pode ser
muito destrutivo.
Por outro
lado, viver a felicidade de uma forma demasiado refletida leva-nos a deixar de a
sentir, torna-nos demasiado ponderadores, leva-nos a pesar cada aspeto dessa bem-aventurança, o que a faz diminuir e, por fim, desaparecer, tornando qualquer
motivo de felicidade insuficiente aos olhos do nosso pensamento.
Ao
contrário das anteriores perspetivas, penso que viver a felicidade, um dia de
cada vez, cria um balanço entre o sentir e o pensar. Pensando menos e aceitando cada dia, meditamos na felicidade de uma forma agradável, conciliando
o nosso conhecimento com aquilo que experimentamos. E pensar menos permite-nos
sentir mais e viver o nosso bem-estar de uma forma mais intensa e real.
Em conclusão, o verdadeiro modo de alcançar a felicidade encontra-se na disponibilidade para vivermos um dia de cada vez e na disciplina para equilibrarmos pensamento e emoções.
Francisco Loureiro, 12º A
6 de janeiro de 2015
JANEIRAS
Ó de casa, alta nobreza,
Mandai-nos abrir a porta,
Ponde a toalha na mesa
Com caldo quente da horta!
Teni, ferrinhos de prata,
Ao toque desta sanfona!
Trazemos ovos de prata
Fresquinhos, prá vossa dona.
Senhora dona de casa,
À ilharga do seu Joaquim,
Vermelha como uma brasa
E alva como um jasmim!
Vimos honrar a Jesus
Numas palhinhas deitado:
O candeio está sem luz
Numa arribana de gado.
Mas uma estrela dianteira
Arde no céu, que regala!
A palha ficou trigueira,
Os pastorinhos sem fala.
Dá-lhe calorzinho a vaca,
O carvoeiro uma murra,
A velha o que traz na saca,
Seus olho mansos a burra.
Já as janeiras vieram,
Os Reis estão a chegar,
Os anos amadurecem:
Estamos para durar!
Já lá vem Dom Melchior
Sentado no seu camelo
Cantar as loas de cor
Ao cair do caramelo.
O incenso, mirra e oiro,
Que cheirais e luzis tanto,
Não valeis aquele tesoiro
Do nosso Menino santo!
Abride a porta ao peregrino,
Que vem de num longe, à neve,
De ver nascer o Menino
Nas palhinhas do preseve.
Acabou-se esta cantiga,
Vamos agora à chacota:
Já enchemos a barriga,
Sigamos nossa derrota!
Rico vinho, santa broa
Calça o fraco, veste os nus!
Voltaremos a Lisboa
Pró ano, querendo Jesus
Vitorino Nemésio
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Cantar as janeiras era uma tradição portuguesa em que grupos de pessoas iam de porta em porta, pela vizinhança, entoando músicas que anunciavam o nascimento de Jesus e expressavam votos de bom ano. As janeiras começavam a 1 de Janeiro e estendiam-se até dia de Reis.
Terminada a canção, o grupo de cantores esperava que os donos da casa oferecessem as janeiras: castanhas, nozes, maçãs, chouriças, morcelas...
As canções tinham letras simples, sendo normalmente quadras em louvor do Menino Jesus, de Nossa Senhora e de São José, bem como das pessoas que davam janeiras generosos. Havia também quadras sarcásticas, reservadas aos que nada davam.
25 de dezembro de 2014
UM POEMA DE NATAL POR DIA #8
| pintura de Gioto |
NATAL
-“ Minha mãe, por que Jesus,
Cheio de amor e grandeza,
Preferiu nascer no mundo
Nos caminhos da pobreza?
Por que não veio até nós
Entre flores e alegrias,
Num berço todo enfeitado
De sedas e pedrarias”?
- “Acredito, meu filhinho,
Que o mestre da caridade,
Mostrou em tudo e por tudo,
Aluminosa humildade!…
Às vezes penso também,
Nos trabalhos deste mundo,
Que a manjedoura revela
Ensino bem mais profundo!”
E a pobre mãe de olhos fixos
Na luz do céu que sorria,
Concluiu com sentimento
Em terna melancolia:
- “Por certo, Jesus ficou
Nas palhas, sem proteção,
Por não lhe abrirmos na Terra
As portas do coração”.
João de Deus
23 de dezembro de 2014
UM POEMA DE NATAL POR DIA # 7
ROSAS DE INVERNO
pintura de Odilon Redon
Corolas, que floristes
Ao sol do inverno, avaro,
Tão glácido e tão claro
Por estas manhãs tristes.
Gloriosa floração,
Surdida, por engano,
No agonizar do ano,
Tão fora da estação!
Sorrindo-vos amigas,
Nos ásperos caminhos,
Aos olhos dos velhinhos,
Às almas das mendigas!
Desse Natal de inválidos
Transmito-vos a bênção,
Com que vos recompensam
Os seus sorrisos pálidos.
Camilo Pessanha
22 de dezembro de 2014
UM POEMA DE NATAL POR DIA # 6
![]() |
| ilustração de Maria Keil |
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?
Ou de quem traz às costas
as cinzas de milhões?
Natal de paz agora
nesta terra de sangue?
Natal de liberdade
num mundo de oprimidos?
Natal de uma justiça
roubada sempre a todos?
Natal de ser-se igual
em ser-se concebido,
em de um ventre nascer-se,
em por de amor sofrer-se,
em de morte morrer-se,
e de ser-se esquecido?
Natal de caridade,
quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
num mundo todo bombas?
Natal de honesta fé,
com gente que é traição,
vil ódio, mesquinhez,
e até Natal de amor?
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm,
ou dos que olhando ao longe
sonham de humana vida
um mundo que não há?
Ou dos que se torturam
e torturados são
na crença de que os homens
devem estender-se a mão?
Jorge de Sena
21 de dezembro de 2014
UM POEMA DE NATAL POR DIA # 5
![]() |
| fotografia de Horácio de Novaes |
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.
Vitorino Nemésio
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