23 de maio de 2013

Azar na sorte

Klimt, O beijo

Há quem possua cobre
Em vez de prata e ouro,
Enquanto acham terror
Eu encontro um tesouro

Sou rico, sendo pobre
Triste por feliz ter
Encontrado no amor
Grande sorte e prazer

Sentimento mais nobre
Jamais irei viver
Porém, sinto uma dor
Bem dura de roer

Oh, criatura tonta!
Não descubro a razão
Por que dou tal valor
Aos do meu coração

O mal que a mim remonta
Deriva do alheio
A sua pouca cor
Minha alma atinge em cheio

Carlos Martins, 10º C (poema e seleção de imagem)

19 de maio de 2013

Mágoas

fotografia de Dimitar Lazarov
Afogo as mágoas
Agora transformadas em raiva
Sinto a dor de quem foi deixada,
Por uma amiga abandonada.

Sinto o ódio invadir-me
Sinto que fui esmagada
Por um passarinho
Aparentemente fraquinho.

Só sei o que sinto
O que passou já não encaixa neste puzzle
Que é a vida que pinto.

Quando penso bem lá no fundo
Sei que não fui deixada
E percebo que a morte lhe foi doada.

A minha melhor amiga deixou-me 
Para poder apreender 
E então perceber
Que o tempo é indefinido

Agora percebo que a minha vida está inacabada
E que cada acontecimento 
Seja ele mau ou bom, é perfeito
Pois com ele completamos esta caminhada.

Beatriz Colaço, 7º A

16 de maio de 2013

Põe a tua máscara

Se te sentires mal, sorri.
Engana toda a gente.
Finge que estás feliz.
Finge que nada te deita abaixo…
Finge que és mais forte que uma pedra.
Finge que não choras todas as noites antes de dormires.
Porque é assim que todos nós fazemos.

Quando saíres à rua,
Deixa os problemas em casa.
Engana a sociedade, 
Deixa-os pensar que és feliz,
Deixa-os pensar que não tens problemas…
E, quando voltares,
E os teus problemas regressarem,
Chora,
Até a tua cara sangrar,
Até ficares desfigurado.
No dia seguinte, 
Põe a tua máscara 
E, mais uma vez, finge que és feliz.

 Lícia, 8º A

13 de maio de 2013

"Ligações Perigosas" - um olhar sobre a aristocracia francesa do séc. XVIII


No filme “Ligações Perigosas” - realizado por Stephen Frearsem em 1988 e inspirado no célebre romance epistolar de Choderlos de Laclos - é possível observar um pouco da sociedade francesa do século XVIII. Verificamos que se trata de uma sociedade dividida em classes sociais e que os membros das classes poderosas instrumentalizam sem piedade os das classes baixas e os da sua própria classe.
John Malkovitch e Glen Close, nos papéis, respectivamente, de Valmont e Merteuil
Quando os protagonistas do filme, a Marquesa de Merteuil e o Visconde de Valmont, usam outras personagens, mais ingénuas, como simples marionetas, mostram uma enorme falta de sentimentos e de preocupação para com os outros. De facto, estas personagens manipulam toda a gente em seu redor e não olham a meios para atingir os fins mais triviais. Nenhum deles trabalha ou contribui seja de que forma for para a sociedade. Dedicam-se, apenas, a perseguir os seus objetivos egoístas, buscando o prazer e um maior prestígio aos olhos dos seus pares. Estas duas personagens são estereótipos da aristocracia francesa daquele século que não tardaria a desagregar-se com o eclodir da Revolução Francesa.


A Marquesa de Merteuil denuncia também o papel subalterno das mulheres. É por ter clara consciência desse papel menor que ela decide tornar-se mestre na arte da manipulação e da sedução, pois sabe que só assim pode ter algum papel na sociedade.


Em suma, “Ligações Perigosas”  é um bom filme para nos fazer compreender a decadente sociedade francesa do final do Ancien Régime.

Ricardo Silva, aluno de Clássicos da Literatura do 12º F

8 de maio de 2013

Complementos e modificadores

Acerca de complementos e modificadores - e outras funções sintáticas - uma página que pode dar uma boa ajuda:

Consultório de gramática


6 de maio de 2013

Celebrar o Dia da Poesia


Um filme interpretado e realizado pelas alunas de Literatura Portuguesa da nossa escola.

4 de maio de 2013

E se um dia?...


Jeune fille, pintura de August Macke (1914)
E se um dia deixasses de sentir?
Não haveria raiva, tristeza nem amor.
E se um dia tudo se tornasse preto ou branco?
Viverias num triste mundo sem cor.

E se um dia o teu sorriso pudesse mudar o universo?
Haveria alegria suficiente para partilhar.
E se um dia cada passo que deste te levasse ao destino que sempre quiseste?
Eras finalmente feliz e podias gritar, gritar, gritar.

E se um dia toda a luta se tornasse uma aliança?
Toda a tristeza daria origem a uma nova esperança.
E se um dia todos os teus amigos virassem traidores?
Não haveria ninguém para suportar as tuas dores.

E se um dia todas as tuas memórias se apagassem?
Haveria um grande vazio no teu coração.
E se um dia os teus olhos deixassem de abrir?
Serias mais um sem o poder da visão.

E se um dia, ao acordares, não conhecesses ninguém neste mundo?
Estarias sozinho num grande poço sem fundo.
E se um dia todos te dessem importância?
Serias como aqueles reis que admiravas na infância.

E se um dia cada lágrima tua valesse um beijo?
O sofrimento daria lugar à paixão.
E se um dia desses conta que tudo isto não passa de um sonho?
Todo o teu esforço teria sido em vão.

                                                                            Ana Filipa Inácio, 8ºA

29 de abril de 2013

Uma pequenina luz

Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não: brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
Como a exactidão como a firmeza 
como a justiça.

Um poema de Jorge de Sena, esse grande e tão mal conhecido poeta - e romancista e ensaista e dramaturgo e pensador - do século XX português. Dito por Paulo Campos e transcrito abaixo.


26 de abril de 2013

As saudades


Madalena, pintura de Caravaggio
Eu tinha por costume apreciar cada retalho do teu rosto,
Cada luar passado a olhar para a lua,
E, ainda assim, não ver nela o brilho que os teus olhos traziam.
Os traços da tua boca, que revelavam cada segredo que nela trazias,
A alegria que trazias a cada negrume que por vezes eu levava comigo…

Agora só me resta deixar morrer a saudade,
A saudade que desesperadamente cresce,
Cresce lamentavelmente dentro das paredes do meu coração.
Coração que escurece a cada dia com a tua ausência,
Ausência à qual eu já me habituei.

Obriguei a minha mente a esquecer cada palavra que disseste,
Forcei-a a não olhar para os teus dedos entrelaçados nos dela.
O meu coração esmorece quando vê o profundo do céu azul,
Encaixar no penetrante castanho dos teus olhos,
A tristeza que é ter-te perdido!

Eu sempre apreciei o teu cheiro permanente a navegante dos sonhos,
O sentimento que sinto é mais do que amor,
É algo inexplicável aos olhos do ser humano, aos olhos de quem não sente!
O medo que tinha de entrar na tua vida, e agora?
Agora, o problema é apenas sair dela...

Eras o único que me fazia tremer de desespero e chorar de alegria!
Eu prometi que estaria cá para cada problema teu,
Por isso vais ser o único de quem eu vou beber cada lágrima!
Depois relembro a minha alma, e que tens alguém para tal...
E aí choro como louca, perdida na terra da tristeza…

Sei que é ela, a rapariga que tanto desejas, por isso quero acabar com ela!
Ela é eu e eu sou ela, quero ser ela e não sou.
Quero beijar o que ela beija, quero sentir o que ela sente.
Por que razão eu não sou ela? Não passa de uma serpente que rasteja,
E dói-me ouvir cada palavra que lhe sai da boca, com intenção de matar!

                                      Beatriz Sousa, 8º A

25 de abril de 2013

25 de Abril


                    Esta é a madrugada que eu esperava
                    O dia inicial inteiro e limpo
                    Onde emergimos da noite e do silêncio
                    E livres habitamos a substância do tempo

                                                             Sophia de Mello Breyner Andresen



23 de abril de 2013

Felizmente Há Luar!


O filme Felizmente Há Luar! – adaptação da peça de Sttau Monteiro que os alunos do 12º Ano estudam este ano  – pode ser visto aqui, no youtube.



21 de abril de 2013

O tempo é jucundo

Uma bela canção, com sabor a primavera, para começar a semana. E uma breve explicação: 

Durante a Idade Média, os goliardos, monges errantes de vida bastante livre, compuseram muitos poemas travessos e satíricos, em que soltavam a sua irreverência e criticavam as instituições, sobretudo a Igreja, que consideravam hipócrita. Alguns desses textos poéticos, escritos em latim e destinados ao canto, foram compilados num manuscrito do século XIII, descoberto mais tarde num convento da Baviera. 

Os poemas ficaram conhecidos como Carmina Burana (do latim carmen, cântico; e buram, burel, pano grosseiro de que eram feitos os hábitos dos frades) e, já no século XX, o compositor alemão Carl Orff musicou alguns deles, tornando-os conhecidos no mundo inteiro. Aqui fica então um dos mais belos e alegres Carmen Burana:




17 de abril de 2013

Alegria de viver



A dança, pintura de Matisse (1910)
Os homens, as mulheres e as crianças precisam de rir
Todos necessitam de sorrir.
Os amigos, ao conviver,
Não vão sofrer.
Os amigos gostam de conversar
Para o coração de todos alegrar.
Nas festas, as conversas e as palhaçadas
São brincadeiras, alegres e engraçadas.
Todas as pessoas precisam de alegria,
É como viver momentos de fantasia.

Ser alegre é ter humor,
Ser alegre é sentir o riso e a boa disposição,
Ser alegre é sentir a paixão…
A felicidade.
Ser alegre é ser feliz!
Ser alegre é sentir o amor pela vida…

                                                          Alexandra, 9º Ano

14 de abril de 2013

Nos 120 anos do nascimento de Almada Negreiros

Auto-retrato publicado no nº 2 da revista Athena, 1924
Cumpriram-se no dia 8 de Abril 120 anos sobre o nascimento deste artista versátil que foi um dos companheiros de Fernando Pessoa na aventura de Orpheu. Nascido em 1893 em São Tomé e Príncipe, morre em 1970, em Lisboa, no mesmo quarto de hospital em que Fernando Pessoa falecera, décadas antes. 
Da pintura ao desenho, à ilustração, ao romance, à poesia, à dramaturgia, ao ensaio, Almada Negreiro, o menino com olhos de gigante, moveu-se, com a mesma genialidade, entre as artes plásticas e a literatura. 
Homenageamo-lo aqui, propondo a leitura da página que lhe é dedicada em Vidas Lusófonas; e ainda a audição do célebre e irreverente Manifesto anti-Dantasnuma excelente interpretação do actor Mário Viegas.
E por fim este poema que, durante muitos anos, foi bem conhecido pelos alunos portugueses, já que era incluído em quase todas os manuais de português. Nos últimos tempos, no entanto, perdeu-se da memória escolar. Aqui fica, bem ritmado, ao gosto da poesia popular e a fazer lembrar o nosso Romanceiro:

        LUÍS, O POETA, SALVA A NADO O POEMA

                       Era uma vez
                       um português
                       de Portugal.
                       O nome Luís
                       há-de bastar
                       toda a nação
                       ouviu falar.
                       Estala a guerra
                       e Portugal
                       chama Luís
                       para embarcar.
                       Na guerra andou
                       a guerrear
                       e perde um olho
                       por Portugal.
                       Livre da morte
                       pôs-se a contar
                       o que sabia
                       de Portugal.
                       Dias e dias
                       grande pensar
                       juntou Luís
                       a recordar.
                       Ficou um livro
                       ao terminar.
                       muito importante
                       para estudar:
                       Ia num barco
                       ia no mar
                       e a tormenta
                       vá d'estalar.
                       Mais do que a vida
                       há-de guardar
                       o barco a pique
                       Luís a nadar.
                       Fora da água
                       um braço no ar
                       na mão o livro
                       há-de salvar.
                       Nada que nada
                       sempre a nadar
                       livro perdido
                       no alto mar.
                       _ Mar ignorante
                       que queres roubar?
                       A minha vida
                       ou este cantar?
                       A vida é minha
                       ta posso dar
                       mas este livro
                       há-de ficar.
                       Estas palavras
                       hão-de durar
                       por minha vida
                       quero jurar.
                       Tira-me as forças
                       podes matar
                       a minha alma
                       sabe voar.
                       Sou português
                       de Portugal
                       depois de morto
                       não vou mudar.
                       Sou português
                       de Portugal
                       acaba a vida
                       e sigo igual.
                       Meu corpo é Terra
                       de Portugal
                       e morto é ilha
                       no alto mar.
                       Há portugueses
                       a navegar
                       por sobre as ondas
                       me hão-de achar.
                       A vida morta
                       aqui a boiar
                       mas não o livro
                       se há-de molhar.
                       Estas palavras
                       vão alegrar
                       a minha gente
                       de um só pensar.
                       À nossa terra
                       irão parar
                       lá toda a gente
                       há-de gostar.
                       Só uma coisa
                       vão olvidar
                       o seu autor
                       aqui a nadar.
                       É fado nosso
                       é nacional
                       não há portugueses
                       há Portugal.
                       Saudades tenho
                       mil e sem par
                       saudade é vida
                       sem se lograr.
                       A minha vida
                       vai acabar
                       mas estes versos
                       hão-de gravar.
                       O livro é este
                       é este o canto
                       assim se pensa
                       em Portugal.
                       Depois de pronto
                       faltava dar
                       a minha vida
                       para o salvar.

       Almada Negreiros, poema escrito em Madrid, em Dezembro de 1931