19 de março de 2013

No Dia do Pai


Sagrada Família, óleo de Inácio de Oliveira Bernardes, 1763

A veneração a S. José tem origem na tradição oriental, pelo menos desde o século IV, mas só muito mais tarde é introduzida no Ocidente. 

Durante a Idade Média, a figura de José manteve uma posição secundária, mas a partir do século XV esta situação muda, e o papa Sisto IV introduz a festa de S. José na liturgia católica.

Depois do concílio de Trento, em 1546, a representação iconográfica de S. José tornar-se-á cada vez mais rica e diversificada e, além das cenas familiares associadas à infância de Jesus, generaliza-se a imagem do Pai, representado sozinho com o Menino nos braços. 

Informações colhidas em Bens Culturais da Igreja.


14 de março de 2013

Sou apenas igual a mim


fotografia de Jorge Guerra (Veneza, 1965)
A minha maior recordação é aquela de que não me consigo lembrar.
A maior perdição, aquela pela qual nunca me irei perder.
Gosto da vida assim sem a poder controlar,
Sem saber se vivo ou se estou prestes a morrer.

Nos momentos em que todos choram sou sempre o único a rir.
O caminho que ninguém escolhe, é por esse que eu quero ir.
Só com os olhos fechados é que consigo ver,
(Que) desdenho de tudo o que tenho e o que não tenho queria ter.

Onde todos veem o bem não vejo mais do que o mal.
Aquilo que não tenho é o que mais temo perder.
E descrevem-me assim como sendo banal,
Apenas o meu espírito se compara ao meu ser!

Não há contos de fada nem pozinhos de perlimpimpim.
O mal existe no mundo e eu gosto dele assim.
Pois este teve um mau começo e terá um triste fim,
Sou diferente de todos, mas contudo igual a mim!

                                                               Gabriel Branco, 8ºA   

13 de março de 2013

Novas Cartas Portuguesas #2


Novas Cartas Portuguesas é uma obra escrita conjuntamente pelas escritoras Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. Publicada em 1972, inspira-se nas famosas Lettres Portugaises, uma obra clássica do século XVII, composta por cinco cartas em francês, supostamente escritas por uma freira portuguesa, Mariana Alcoforado, no Convento da Conceição, em Beja, após ter sido seduzida e abandonada pelo amante, o cavaleiro francês Noel Bouton (Chevalier de Chamilly).

NCP constitui um marco crucial na evolução do pensamento feminista na literatura portuguesa, revelando, através de uma escrita ousada e por vezes agressiva, a existência de situações discriminatórias agudas em Portugal, relacionadas com a repressão ditatorial, o poder do patriarcado católico e a condição da mulher, sobretudo no que se referia ao casamento, à maternidade e à sexualidade feminina. 

Quando o livro foi publicado, causou grande escândalo, por ter sido considerado “imoral” e “pornográfico”, uma vez que as autoras abordavam temas considerados tabu, como o desejo físico e o fingimento do prazer feminino enquanto forma de alimentar as ilusões masculinas. Para além de outras críticas à sociedade portuguesa de então. 

A primeira edição de NCP foi recolhida e destruída pela Pide, e as autoras, acusadas de atentado à moral pública, foram interrogadas na polícia política e enxovalhadas em público. Mas a sua obra ficou conhecida nos dois lados do Atlântico, bem como as autoras (desde logo apelidadas “as três Marias”) que se tornaram alvo da atenção da imprensa internacional, do New York Times ao Nouvel Observateur. Simone de Beauvoir, Stephen Spender, Marguerite Duras e Doris Lessing foram algumas das personalidades que deram o seu apoio às autoras e que protestaram com ênfase contra o seu julgamento. Mas só após o 25 de abril é que o processo foi suspenso. 

O livro é composto por vários fragmentos, o que expressa a própria conceção da mulher portuguesa, desgarrada na sua essência, mas transmite uma só mensagem: a mulher também tem voz.  E apesar de ter sido publicado em 1972, o livro denuncia situações que, ainda hoje, são uma realidade no nosso país: é o caso da violência doméstica. Receio que este tipo de violência se verifique na nossa sociedade ainda por muito tempo, devido à mentalidade machista que continua impregnada na nossa cultura. De facto, a mulher continua a ser vista por muitas pessoas como propriedade do homem.

Enquanto seres humanos e mulheres, devemos continuar a luta das “Três Marias”, no desmantelamento das mentalidades retrógradas e machistas que continuam a proliferar, não só em Portugal, como um pouco por todo o mundo. Está nas mãos das gerações vindouras evitar que os direitos que as mulheres ocidentais conquistaram tão duramente se deteriorem, e batalhar para que todas as mulheres, nos quatro cantos do mundo, possam ser vistas como seres humanos, dotadas de inteligência e de coragem, mas também de fragilidades, tal como os homens. 

Indira Leão, aluna de Clássicos da Literatura do 12º F

12 de março de 2013

Semana Cultural na escola

A última semana do 2º período é dedicada, na nossa escola, a mostras e actividades de índole cultural, dinamizadas pelas turmas, como noticia aqui o jornal Alcoa. 

As artes plásticas estão em destaque: veja-se o vídeo em que os nossos artistas e as suas professoras montam a grande exposição das artes, aberta à comunidade:


11 de março de 2013

O piano


Pintura de Auguste Renoir (1892)
O piano é um instrumento,
E é também um amigo,
Que, ao contrário dos outros,
Nunca se zanga contigo.

Tem um som tão majestoso,
Tem um som que é tão belo;
Tem um som que é tão doce,
Mais doce até que um caramelo!

E é com essa voz tão bela,
Dos mais graves aos mais agudos,
Que encanta toda a gente,
Até mesmo os mais miúdos.

Esteja triste, chateada,
Feliz, ou mal-humorada,
Vou conversar com o meu amigo
E fico logo mais animada.

Se escorregar ou tropeçar
E cair de nariz no chão,
Levanto-me rapidamente,
Para poder terminar a canção.

Com ele aprendi muita coisa,
Por exemplo, a não desistir,
Porque, se formos persistentes,
Vamos ter razões p’ra sorrir!

Poder tocar piano
É uma bênção para mim,
E espero saber fazê-lo,
Até a minha vida chegar ao fim!

                                      Laura Costa, 8.º A


10 de março de 2013

Cleonice ou a paixão pelas palavras

Cleonice Berardinelli é a maior especialista do Brasil em literatura portuguesa e uma das grandes estudiosas, em todo o mundo, da obra de Fernando Pessoa. Professora catedrática, tem 96 anos e continua intelectualmente activa. 

Desde 2011, vem organizando uma colecção editada pela Casa da Palavra que reune parte da sua obra crítica acerca de literatura portuguesa, bem como antologias de poemas portugueses. No ano passado, foram editados “Gil Vicente: autos” e “Fernando Pessoa: antologia poética". E em breve sairá um volume sobre poetas portugueses dos séculos XVI a XX.

Cleonice Berardinelli estará presente na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o maior certame literário do Brasil, e talvez da lusofonia, onde dinamizará, acompanhada por Maria Bethânia, um painel acerca de Fernando Pessoa.

O Globo dedica-lhe este artigocuja leitura sugerimos.

8 de março de 2013

Novas Cartas Portuguesas



Escritas por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, e publicadas em 1972, Novas Cartas Portuguesas são um esplêndido exemplo da luta pelos direitos das mulheres numa sociedade extremamente opressiva e conservadora, na qual o papel da mulher se limitava à lida doméstica e ao cuidado do marido e dos filhos. 

Maltratadas, enclausuradas, casadas à força, enganadas, exploradas e, apesar de tudo, extremamente pacientes” (Maria Graciete Besse), foram estas as mulheres que inspiraram as autoras a lutar pela mudança dos códigos morais e das mentalidades, a lutar contra o conformismo instalado em Portugal


Lutar, ser um pouco mais, ou mesmo sonhar, não era então permitido às mulheres, mas estas três uniram-se e desta união surgiu uma obra única que os movimentos feministas, sobretudo em França e nos Estados Unidos, acolheram com grande entusiasmo. Mas, no Portugal da ditadura, as "três Marias", como ficaram conhecidas, foram acusadas de “pornografia e ultraje à moral pública”, e viram a sua obra apreendida pela censura e retirada do mercado. O que não impediu a sua leitura e reconhecimento.

Este livro é um grito de liberdade, de frontalidade e de extrema coragem, pois nele são abordados temas tabu, desde os abusos sexuais, ao quotidiano da mulher portuguesa. “Que de homens precisamos, mas não destes”, escrevem as autoras. De facto, o comportamento masculino é duramente criticado, embora seja apoiado pela sociedade, e o homem é denunciado como o machista que maltrata, abusa e detém uma superioridade gigantesca sobre a mulher, a qual lhe deve submissão. 

As Novas Cartas são assim uma confissão de “perplexidade sobre o mundo” e o testemunho de uma luta constante que só será vencida com persistência e amor “nunca cansado”.  Toda a obra é uma prova de resistência, de coragem e de bravura, onde a verdade nunca é encoberta. 

Na última carta, a ponto de concluir esta obra a três mãos, dirá a voz comum das três mulheres: “Continuamos sós, mas menos desamparadas”.

Carolina Quitério, aluna de Clássicos da Literatura do 12º E

6 de março de 2013

Olho para as estrelas



Olho para as estrelas,
Estão a brilhar. 
De seguida, olho para mim
Estarei a chorar?

Tudo o que sonhei,
Tudo o que pensei,
Tudo o que passei, 
Isso só eu sei.

Vejo-me naquele espelho,
Quem será aquela?
Serei mesmo eu,
Uma pessoa não tão bela?

Escrevo, penso, leio
Tudo o que quero.
Não posso ter receio,
Isto é tudo o que espero.

Olho à minha volta,
Tudo está cinzento.
Olho para o céu,
Até ele está poeirento.

Sozinha neste mundo,
Não tenho mais ninguém.
Tento superar-me,
Até ir mais além.

Nem os meus amigos
Me conseguem entender…
Será que alguém, um dia,
Irá perceber?

                        Catarina Lourenço, 8ºA

3 de março de 2013

A maior flor do mundo

Um filme de animação baseado num conto infantil escrito por José Saramago.


28 de fevereiro de 2013

O meu passado



Que saudades que tenho,
Daquelas doces manhãs,
Passadas a fazer desenhos,
Desenhando maçãs.

Aqueles tempos perdidos
A ver televisão,
Em vez de estar perdido
A brincar com o meu irmão.

Nos dias de primavera,
Eu corria no campo
Com a minha prima Vera,
E apanhávamos um pirilampo.


 Naqueles dias de verão,
Quando ia à praia
Com meus pais e meu irmão,
Via uma linda catraia.

Aqueles dias de outono
Com o tempo ainda quente,
Eu, ainda com sono,
E caía-me um dente.

Nos dias de inverno,
Com o Natal a chegar,
A minha vida era um inferno,
Porque era incessante o nevar.


André Paulino, 8º A

27 de fevereiro de 2013

Ruy Belo

Hoje faria 80 anos o poeta Ruy Belo, que nasceu aqui perto, no concelho de Rio Maior. Apesar de ter morrido precocemente, deixou-nos uma obra vasta, com destaque para a poesia, a tradução e o ensaio. Nas páginas do Citador e das Tormentas podem ler-se poemas seus. 

Ruy Belo é um dos poetas maiores da 2ª metade do século XX português. Para o celebrarmos, publicamos um dos seus poemas, "Tu estás aqui", dito por Luís Miguel Cintra.


26 de fevereiro de 2013

De tanto correr



pintura de Marc Chagall


De tanto correr… não parei,
De tanto chorar…  não sorri…
As lágrimas limpei e o orgulho espelhei!
De tanto viver… não lembrei,
De tanto encenar… não sonhei…
Não houve tempo para respirar 
E muito menos para gritar.
Apenas estou aqui, leda e amante,
Firme, mas hesitante.


                                  Raquel Rocha, 10º E 




25 de fevereiro de 2013

Tu

                          fotografia de James Pitts
Estou sentada à janela,
À janela do meu quarto.
Presa como uma princesa
Esperando o príncipe encantado.

Na rua, olho os casais apaixonados
Trocando carícias de amor,
Enquanto eu, aqui sozinha,
Vejo fotos tuas e o teu grande esplendor!

Tu não me conheces,
Não sabes nada sobre mim,
Nem fazes ideia de que eu existo.

Sonho contigo todos os dias,
Que te conheci pessoalmente.
O meu coração fica cheio de alegrias
Sabendo que um dia
Irei ver o teu sorriso à minha frente!

Sei que tentas fazer os possíveis
Para conheceres toda a gente.
Dizes frases que me confortam
E que me fazem ganhar
Mais esperança para seguir em frente.

Mas isso não chega,
Não me faz perder o desejo de te conhecer.
Terei de abraçar-te
E dizer-te
Que és a pessoa que,
Lá no fundo,
Toca no meu coração,
Como uma borboleta
Beija uma flor
Numa tarde de verão!

                                                     Madalena Marques Valentim, 8ºA

24 de fevereiro de 2013

Livros gratuitos online

Graças a uma iniciativa da rede ibero americana de colaboração universitária, todos os dias poderá ser descarregada gratuitamente uma obra literária - em formato PDF - na página da Universia Brasil.  
Os arquivos incluem publicações nacionais e internacionais. O primeiro título disponibilizado foi O Feiticeiro de Oz. Para os próximos dias, estão listados clássicos como O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas,  O Anticristo, de Nietzsche, e Anna Karenina, de Tolstoi.

Para baixar os livros basta aceder à página do Universia.