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8 de dezembro de 2016

ODE

Da Aurora Monteiro, do 12.º ano, uma ode - intensa e irreverente, numa bela revisitação de Álvaro de Campos.


Papoilas orientais, pintura de Georgia O'Keeffe
               Canícula

Agradeço o sensacionismo da vida.
Aprecio o dilatar de pupilas, aquele evidente…
Por simples razões, amar, estimular, amar,
Amar por fora, amar por dentro,
Estimular por dentro, por fora,
Pensar, não pensar, pensar!

Venero o amor com mistério, amar com segredo,

O ver sem poder olhar,
O falar pelos olhos e pelos eriçados,
Falar por suspiros, falar, falar, sentir, consciente, inconsciente, falar!

Amo o entrar pela porta secreta e, simplesmente, amar,

Entregar-me ao amor, dar-me aos arrepios,
Oferecer da minha estranheza ao outro, da minha virtude ao mesmo.
Arder por dentro, pela proibição,
Amar por fora, pela excitação!

Mas não é fazê-lo que fascina,

É o sentir que deslumbra,
O abrir e fechar portas, esperando não errar,
O olhar inquieto, o mexer de dedos desejoso,
O silêncio que agita, o respirar que mata.

E estimular? Estimulante que nos faz esquecer, nos faz querer, nos faz desejar,

Querer agarrar sem sair do sítio, querer destruir com os olhos,
Ouvir aqueles passos e adivinhar aqueles cheiros!
Sair, andar, ver-me de fora, pensar-me a voar, querer, querer, querer!
Ser da noite, ser de quem me levar, ser do mistério, ser do vício enublado.

Ter aquela mania, aquela que é pecado, mas pecado? Todos somos pecado!

Todos somos carne desejada, ânsia uns dos outros…
Planeamos o momento auge a cada segundo, tencionamos tê-lo a cada minuto,
Tão juntos e tão distantes, tão encravados nas vozes, nas sensações e no desejo!
No fervor, no fogo asfixiante, no picante, no ardente, no desejo, no desejo!

Bate-me, sente-me, segue a minha mão, deixa-me gritar, deixa-te levar,

E depois chora, chora nesse mar, o mar do abuso, do uso e do desfloramento da alma!
Não deixes ninguém ver, anda, vem, senta-te, bate-me, bate-me mais,
não chega, não estás a tocar!
Ousadia, irreverência… Espanquem! Surrem! Maltratem! Apenas façam!
Fruir da mistura de tudo, excitação, felicidade, tristeza, depressão,entusiasmo, melancolia!

Estou sedenta de desejo, quero comer o amor, quero provar do que nunca foi meu,

Mas sempre me pertenceu, amo querê-lo loucamente porque sem isso já não sou nada!
A obscuridade da minha alma agarra-me, possui-me, quer-me…
Infortúnio, porque me levas?
Estou a morrer de desejo, adoro entregar-me a alguém, a algo, leva-me, leva-me!
Vou prender-me a alguém, como já me prenderam, ser de ti, seres de mim, tu, eu, desejo, tu, eu!
Mas eu sou apenas eu, só eu, apenas um passarinho inocente que voou no ar…

                                       Aurora Monteiro, 12º ano

13 de novembro de 2016

A Inês Teodósio, do 10.º ano, depois de estudar a Lírica Trovadoresca, compara os namorados da Idade Média com os dos nossos dias.
fotografia de Laura Makabresku
As relações amorosas de hoje nada têm a ver com as relações dos séculos XII, XIII ou XIV.

Os relacionamentos da Idade Média eram discretos, os jovens encontravam-se às escondidas, para que os pais não soubessem, e estavam juntos nos bailes, ou, por exemplo, quando a rapariga ia lavar a roupa à fonte. Era completamente diferente do que acontece agora.

Atualmente é tudo mais fácil, com as tecnologias. A mentalidade das pessoas também mudou muito, e, na minha opinião, para melhor, pois as mentes estão mais abertas, são raros os relacionamentos de que os pais não saibam, e os jovens estão juntos grande parte do tempo e utilizam as redes sociais e o telemóvel para comunicar, quando não estão juntos.

Concluindo, e na minha opinião, o comportamento dos namorados de hoje é melhor, são mais confiantes um no outro, pois conversam mais e conhecem-se melhor do que os namorados da Idade Média.

Inês Raquel Teodósio, 10º. A

6 de novembro de 2016

LÁPIS IRREFUTÁVEIS, “JOÕES” INTERMINÁVEIS

Hoje é a vez de o Alexandre Martins, do 9.º ano, nos dar a ler uma divertida crónica sobre lápis que desaparecem misteriosamente e sobre decisões irrefutáveis... Mas não irrevogáveis, como se verá.
fotografia de James Troi
Gostava de saber onde vai parar tudo o que coloco na minha bolsa. Sendo estudante de Ciências e Tecnologias, já devia conseguir calcular a probabilidade de a bolsa ter um fundo falso, identificar a função sintática que esse mesmo fundo representa na minha bolsa, ou, ainda, explicar, baseando-me na teoria de um senhor importante na Física, que a rapidez média de tudo o que deposito na minha bolsa teria sempre um valor maior que zero. Mas não consigo, e, por isso, só me resta matutar sobre a localização atual dos meus pertences.

Como sou uma pessoa claramente simpática e bem-humorada, nunca recuso, quando alguém me pede um lápis ou uma caneta. E, como também tenho o hábito de confiar nas pessoas a quem empresto o meu material escolar, impeço-me de proferir a célebre frase: “Empresto-te este lápis, mas ele leva um “V” na ponta, o “V” de volta”. Só que tenho vindo a constatar que os meus lápis e canetas têm desaparecido. Indago-me sobre qual terá sido a criatura com poderes divinos que me roubou o lápis, até que chego à conclusão que o emprestei ao Alberto Albino e que ele ainda não mo devolveu. Estranho, muito estranho mesmo. É que ainda hoje o vi a pedir um lápis emprestado ao Fábio Francisco… O que será que o Alberto fez ao meu pobre lápis!? Tenho de lhe perguntar amanhã, sem falta!  

Comecei o ano com três lápis de carvão, quatro canetas de cor, uma borracha e uma afiadeira. Encontro agora na minha bolsa meio lápis de carvão afiado de ambos os lados, um pedaço de um teste onde joguei sozinho o jogo do galo, para ter a certeza que ganhava, uma bolacha Maria e um lenço de papel sujo. Por estranho que pareça, nunca ninguém me pediu o lenço emprestado ou o veio roubar da minha bolsa. Deve sentir-se injustiçado, pobre lenço.  
      
Tomei a irrefutável decisão de assinalar todos os meus pertences escolares com uma etiqueta branca, que tem escrita o meu nome em letras bem legíveis. Mas, por outro lado, apercebi-me de que o meu nome é João, e, só no meio da selva a que chamam “turma”, e onde me insiro, existem, pelo menos, mais uns quatro “Joões”. E, só para piorar a situação, três dos “Joões” da minha turma chamam-se João Pedro. Pensam vocês que a solução seria colocar apenas João e o meu sobrenome, não é?! Mas enganam-se! Um dos “Joões” Pedro tem o mesmo apelido que eu! Como é possível?! Também não me questionem!  

Mudei de opinião. Afinal, a minha decisão não era assim tão irrefutável. Até porque nem sei o que irrefutável significa, sinceramente. No entanto, ouvi essa palavra no “Jornal das 8”, e as pessoas do Jornal nunca se enganam. Pelo menos não deviam. E eu só ia perder tempo e trabalho ao etiquetar todos os lápis e canetas.  

Voltando à minha turma. Entretanto, deixei de a considerar uma “selva”. Passei a considerá-la algo ainda inferior. É que nunca ouvi relatos de um leão que tivesse roubado um lápis a uma hiena. Nem de um tigre que tivesse pedido emprestada uma caneta a um falcão, e que este não a tivesse devolvido. Assim se vê o nível inferior daquelas vinte e nove “criaturas”, como nos chama, carinhosamente, a professora de Matemática.  
   
Ah, e esquecem-se que isto do tráfico de lápis tem consequências. E das graves. Quando tenho aulas com aqueles professores mesmo rigorosos, como a “stora” de Português, levo sempre falta de material por não ter lápis ou caneta. Quando a culpa nem sequer foi minha! Que intransigente! O pior foi no dia em que a própria professora se esqueceu do manual da disciplina. Prontamente, argumentei que devia existir algum mecanismo ou forma de os professores serem igualmente punidos quando se esquecem do material. Fui expulso, por alegadas ofensas à autoridade. Nem quero esperar pelo final do período, quando for conhecida a sentença… Vai ser, decerto, um duro julgamento! Em suma, fiquei quase toda a aula no corredor, a falar com as moscas. Ao menos essas não me roubam lápis, nem me marcam faltas de material. 

Lembrei-me de outra teoria para os lápis. Acho que quem mos anda a roubar pode sofrer de “abelhomania” (obsessão por abelhas) e daltonismo, em simultâneo. Devem pensar que os lápis são abelhas e roubam-nos para aumentar a sua própria coleção. Quando perceberem que nunca vão produzir mel, pode ser que caiam em si e me devolvam os lápis. Espero que isso aconteça. 

Tomei a minha decisão final. E vou classificá-la como irrefutável de novo, já que soa bem. Estou quase um “Camões” feito! É uma ideia de génio, realmente! Se embrulhar todos os meus lápis e canetas com lenços ranhosos, nunca mais ninguém os vai desviar da sua rota, como os terroristas fazem com alguns aviões! Sim, porque permitam-me considerar esta história dos lápis um extremo ato de terrorismo! Digno de uma posição de destaque no meu estimado “Jornal das 8”. Mas, mesmo assim, o que mais temo neste tipo de terrorismo é mesmo a altura em que a bomba rebenta, os canhões explodem, as armas disparam. Deviam ser vocês a enfrentar a minha mãe quando lhe digo que já não tenho lápis de carvão e que preciso de comprar mais. Nem nunca cheguei a perceber o que ela diz quando está naquele estado de plena fúria. Balbucia uns sons, gagueja uns ditongos, gorjeia uns hiatos. Sem segundos sentidos, parece árabe. E, eu, João, nem percebo árabe, irrefutavelmente. 

Alexandre Martins, 9ºA

24 de outubro de 2016

Recomeçando

A principal rubrica deste blogue é a vitrina virtual, que divulga os escritos originais dos nossos alunos. É com um poema da Cátia Mendes, do 8.º ano, que abrimos a vitrina de 2016/2017. 

PORQUÊ?

George Tooker, A lanterna

Porque é que têm de gozar com a cor da minha pele,
com a forma do meu corpo
ou com os meus olhos cor de mel?

Se sou rico ou se sou pobre,
isso agora não interessa…
Com quem estou ou com quem fico,
já chega dessa conversa.

Eu sou o diferente,
eu sou o falhado,
eu sou como sou…
Só quero que estejas calado.

Se escrevo ou se canto,
se sou burro ou inteligente,
eu sei que não sou nenhum santo,
mas isto também já é deprimente!

                                                        Cátia Mendes, 8ºA

  “Eu escrevo sobre o que acredito, e acredito no que escrevo.”
                          

6 de junho de 2016

O Naufrágio de Sepúlveda



História Trágico-Marítima, pintura de Maria Helena Vieira da Silva (1944)

A “História Trágico-Marítima” é uma compilação elaborada no século XVIII por Bernardo Gomes Brito, que pretendia dar resposta à ansiedade e ao interesse da população portuguesa, desejosa de informações sobre os muitos desastres marítimos ocorridos durante os séculos XVI e XVII. 
Entre as várias narrativas presentes na referida obra, conta-se o “Naufrágio de Sepúlveda”, que relata o infortúnio do galeão S. João, no qual seguia D. Manuel de Sousa Sepúlveda, de regresso a Portugal, acompanhado pela esposa e pelos três filhos, ainda crianças. 


O galeão S. João, navegando em direção a Moçambique, naufragou junto ao Cabo da Boa Esperança, devido à grande tempestade que enfrentou, ao excesso de carga que trazia, à construção descuidada e ao facto de as velas estarem em mau estado.


Os cafres (assim eram então denominados os habitantes da África austral e oriental) constituíam, para os portugueses que conseguiram chegar a terra, ora um perigo, por desencadearem ataques, ora uma possibilidade de sobrevivência, quando acediam a fazer trocas e a prestar ajuda - de que os náufragos muito precisavam. Mas a falta de mantimentos acabou por gerar lutas entre cafres e portugueses, o que, associado à fome, às doenças e aos ataques de animais selvagens, levou a uma diminuição do contingente português, pois houve uma significativa perda de vidas.

O texto relata ainda o infortúnio do capitão Sepúlveda, que viu morrer a esposa e os filhos, e que, tendo perdido o tino e a esperança, se embrenhou na selva, para nunca mais ser visto.

A meu ver, o relato é um outro ponto de vista, igualmente necessário, sobre a expansão marítima, que vai além de conquistas bem sucedidas.



Rafael Norte, 10º D

24 de maio de 2016

A LIBERDADE NOS ANIMAIS


fotografia de Hiroki Inoue
Na minha opinião, todos nós temos algum instinto de liberdade, uns mais do que outros, é certo, pois, por vezes, habituamo-nos ao nosso ninho e não queremos sair de lá. O mesmo se passa com os animais, principalmente os selvagens e, nisso, eu concordo plenamente.

Penso que, mesmo nos animais domésticos, esse desejo de ser livre está presente. Aliás, estou certo de que todos os animais gostam de sair à rua, de passear, nem que seja em liberdade “condicional”. Claro que neste caso falo daqueles animais domésticos que “vivem” em casa com os donos e não dos que estão “aprisionados” a uma corrente, no exterior. Por exemplo, uma vez tive um gato que vivia em minha casa, a nossa relação parecia bem encaminhada, até que um dia se foi embora e aí entendi esse tal desejo de liberdade.

Já nos animais selvagens a história é outra. Que “bicho” desses não gosta de vaguear pelas ruas ou pelo mato ou por tantos outros habitats, livremente, a tratar da sua sobrevivência?! Estou plenamente convencido que assim é e que os animais necessitam da liberdade, como nós também a necessitamos.


Concluindo, os animais precisam de liberdade, pelo menos grande parte, porque alguns habituaram-se a viver sossegados com os donos. Mas mesmo assim o instinto de liberdade abrange todos os animais.

Duarte Gabriel Afonso, 8º B

20 de abril de 2016

TESTES DE CONDIÇÃO FÍSICA NO ECB


Na semana de 29 de Fevereiro a 4 de Março, no Externato Cooperativo da Benedita, os alunos testaram a sua condição física.

Em todos os períodos letivos, o Externato Cooperativo da Benedita promove a semana dos testes físicos, organizando algumas provas que permitirão saber a condição física dos seus alunos. Estas provas são o VV20, as flexões, os abdominais, a flexibilidade e a velocidade. O ECB não só faz estes testes, como mede e pesa os alunos para saber se estão saudáveis. As provas são organizadas pelos professores de Educação Física, apoiados pelos alunos do 10.º e do 12.º do Curso Profissional de Técnico de Apoio à Gestão Desportiva.

Para quem não sabe, o VV20 é um exercício em que os participantes têm uma reta de 20 metros para correr, “ir e vir”, o maior número de vezes que lhes for possível; as flexões são extensões que determinam a resistência de braços; os abdominais determinam a resistência da zona abdominal; há ainda exercícios para apurar a flexibilidade dos músculos; e por fim uma prova de velocidade realizada numa reta de 40 metros que o participante deve percorrer o mais rapidamente possível.

Concluídos os testes físicos, os professores de Educação Física determinam a condição física dos alunos, através de todas as provas realizadas. Um ou dois meses depois, serão afixados os melhores resultados, para toda a escola ver.

Valter Coelho, 10.º I, Curso Profissional de Técnico de Apoio à Gestão Desportiva

3 de abril de 2016

O discurso gentil

Amantes ao luar - pintura de Chagall
Será que os jovens enamorados dos nossos dias ainda utilizam o discurso gentil, como no tempo de Camões?

No tempo de Camões, no século XVI, os nobres usavam palavras belas para escrever bonitos poemas às suas amadas damas. Mas, no século XXI, não ouvimos nenhum rapaz a ler poemas a uma rapariga. Como se diz hoje, isso está fora de moda. Ao invés de compor ou dizer poemas, utiliza-se o computador e o telemóvel para enviar mensagens românticas e até mesmo imagens. Para além disso, as pessoas cada vez têm mais vergonha de estar em público e de se expor, daí também o não recorrerem tanto aos poemas.

Em suma, os jovens de hoje continuam a utilizar o discurso gentil e as palavras belas, mas de maneira mais discreta.

Diogo Custóias, 10º I, Curso Profissional de Técnico de Apoio à Gestão Desportiva

24 de fevereiro de 2016

A liberdade dos animais

Namíbia, fotografia de Terry Allen
Liberdade é uma palavra que as pessoas utilizam para mostrar que são livres ou que têm uma vida melhor. Pessoalmente, quando penso nesta palavra, lembro-me do 25 de abril, ainda que não o tenha vivido, pois nem existia. Mas este texto não é sobre a liberdade do ser humano, é sobre a liberdade dos animais. 

Os animais podem viver nas nossas casas, em jardins zoológicos, ou na selva. Um animal que vive numa casa, como um cão ou um gato, é livre, mas se parte qualquer coisa, a liberdade é-lhe limitada, imediatamente! 

Penso que se falamos da liberdade dos animais e, especialmente, dos que vivem numa casa, então existem uns que não são livres - os pássaros. Por exemplo, os papagaios. Coloridos e fofinhos, são obrigados a beber e a comer o que nós lhes damos, tendo, como única coisa para se “divertirem”, o baloiço da sua gaiola.

Jardins zoológicos. Na verdade, aqui nunca se vê um animal livre. Um sítio cheio de gente só para ver macacos a comer amendoins! Golfinhos amestrados! Elefantes que tocam a sineta. Leões espalhados por um recinto! Verdade, verdadinha, estes animais são obrigados a fazer uma série de coisas para um público. Liberdade?!

Agora vamos falar do único sítio onde a liberdade é perfeita para os animais, a selva. Aqui, a cobra pode ser amiga do leão, o leão pode comer a zebra, a zebra conhecer um hipopótamo... Claro que é só aparecer um caçador e a vida deles é arruinada. Lá se vai a liberdade!

Portanto, quando se fala de liberdade animal, a selva é (talvez!) o único sítio onde os animais são livres. Claro que há a quinta, mas, por favor, não me digam que tirar o leite da vaca é algo com o qual esta não se importa.

Seja como for, liberdade animal, afinal, não existe! 

José Tobio, 8ºB

21 de fevereiro de 2016

Os jovens e a publicidade


Os jovens são influenciados diariamente pela publicidade que, na maior parte das vezes, provém da televisão e da internet.

A publicidade que eles mais consomem é sobre as novas tecnologias, as quais estão no centro dos seus interesses. Estes anúncios levam os jovens a desejar e a comprar produtos, e chegam a moldar comportamentos ao nível da alimentação e do vestuário.

É no grupo de amigos que mais se propaga este efeito da publicidade, estejam os jovens cara a cara, ou nas redes sociais, pois é aí que se partilham opiniões e se convencem uns aos outros de que certo produto é excelente e necessário. Dado que não têm o discernimento necessário para separar os desejos das necessidades, acabam por comprar os produtos ou criar determinados hábitos, nem sempre benéficos.

Em suma, os jovens são cada vez mais influenciados nos seus gostos e ações pela publicidade, sobretudo tecnológica, e, muitas vezes, nem se apercebem disso.

Rafael Norte, 10.º D

27 de janeiro de 2016

A exploração humana



fotografia de Josh Adamski
Ao longo dos tempos, verificamos que as relações entre os Homens nem sempre foram pacíficas. Um dos motivos é a exploração do Homem pelo Homem. Há várias situações no mundo que mostram que o Homem explora o seu semelhante.
Em primeiro lugar, a procura cega do enriquecimento fácil faz com que o Homem não olhe a meios para atingir os seus fins, servindo-se de outros que considera mais fracos. A escravatura dos negros e dos índios foi uma consequência da ganância humana. Mais recentemente, jovens, que procuram uma vida melhor noutros países, são reduzidas também à condição de escravas sexuais pelo tráfico humano.
Em segundo lugar, a megalomania e o desejo de conquista do poder sobre os outros fazem com que alguns reis e “pequenos ditadores” retirem a dignidade humana àqueles que consideram inferiores. A colonização da América do Sul através da escravatura e dizimação de povos como os Astecas e os Maias é uma das situações que prova a exploração humana. Por outro lado, o que Hitler fez aos judeus, aos ciganos e aos homossexuais e a outras minorias deveu-se, não só aos preconceitos raciais, mas também à sua mania de grandeza e de conquista do mundo, pois os judeus eram um povo muito rico e inteligente.
Em suma, desde sempre houve situações de exploração humana. No entanto, cabe a cada um de nós adotar uma atitude de respeito pelo outro para que possamos construir um mundo melhor.
        
Leonor Solla, 9º E

6 de janeiro de 2016

Dom Presunçoso


Dom presunçoso, foste-vos queixar
Que eu nunca liguei ao vosso olhar
Mas agora quero fazer-vos acreditar
Que vos olharei todavia
E vedes como vos quero olhar
Dom presunçoso, vesgo e rufia

Dom presunçoso, a Deus peço perdão

Pois tendes tão grande narigão
Que vos eu olhe por essa razão
Vos olharei todavia
E vedes qual será a observação
Dom presunçoso, vesgo e rufia

Dom presunçoso, nunca vos eu olhei

Em meu pensar, porém muito pensei
Mas agora já um bom olhar lançarei
Em que vos enfeitiçarei todavia
E dir-vos-ei como farei
Dom presunçoso, vesgo e rufia


10.º E, poema coletivo - Literatura Portuguesa

11 de dezembro de 2015

Cada tempo com seu uso

Os amantes (1923), pintura de Picasso
O amor é um dos sentimentos mais fortes no ser humano. Ao longo da História, o homem e a mulher sempre se sentiram atraídos um pelo outro, o que faz parte da nossa natureza. Porém, a forma de expressar essa atração, de conquistar o outro, tem vindo a mudar ao longo dos tempos.


Na época medieval, os rapazes tinham de conquistar as donzelas e de provar o seu amor, enquanto nos dias de hoje o rapaz já não diz tantas coisas bonitas, já não luta pela rapariga, já não procura tanto um relacionamento sério.

Atualmente, o encontro entre uma rapariga e um rapaz ocorre com mais liberdade, não tem de ser necessariamente às escondidas, como acontecia na Idade Média, em que as rapariguinhas tentavam arranjar desculpas, e aproveitavam todas as ocasiões para seduzir e ver o amado, sem que mais ninguém soubesse.

No entanto, apesar de tantas diferenças, os sentimentos das donzelas daquele tempo e das raparigas de hoje são semelhantes. A donzela apaixonada sentia-se feliz, confiava no amado e era muitas vezes cega aos seus defeitos, por piores que fossem, tal como ainda hoje acontece com algumas raparigas.

Conclui-se assim que o relacionamento amoroso entre os jovens mudou ao longo dos tempos, porém o que sentimos quando estamos apaixonados é semelhante. 

Rafaela Boita, 10º E

21 de novembro de 2015

Segundo Agustina Bessa-Luís, “a aparência tomou conta da vida privada das pessoas, não importando se elas têm uma existência vã, desde que ostentem os bens que a publicidade difunde e a sociedade de consumo valoriza”. 

No último século, e principalmente neste em que vivemos, isto é cada vez mais evidente. Hoje, valorizam-se mais os bens do que as pessoas. A ostentação do que possuímos serve como uma armadura que nos protege contra os outros. Que nos protege de nós próprios, porque, de certa forma, estamos tão escondidos dentro de nós, que já nem nos conhecemos.

A sociedade de consumo parece querer destruir-nos, ao apresentar-nos constantemente produtos que nos fazem acreditar que precisamos deles para termos uma existência significativa.

Mas não teríamos uma existência menos vã se não tivéssemos “nada”? Se aprendêssemos a valorizar o pouco que temos? Isso faria de nós pessoas mais humildes, mais humanas. Faria de nós pessoas reais, apreciaríamos mais o que nos rodeia – o ar que respiramos, as árvores que ainda restam. E não estaríamos tão absorvidos em nós-mesmos, nem dominados pelos objetos que comprámos apenas para os mostrar ao mundo. 

Margarida Ramalho 11ºA

16 de novembro de 2015

Namoro

Pintura de Chagall
Os namorados, na Idade Média, como vemos através da lírica trovadoresca, eram bem mais atenciosos para com as suas donzelas do que os da atualidade, que por vezes são rudes, despreocupados e nem sempre muito cavalheiros.

Na atualidade, os rapazes já não pedem a mão da sua amada ao pai dela, e já dormem e comem em casa dos pais da rapariga. O cavalheirismo que existia, como servir primeiro a mulher, puxar-lhe a cadeira, abrir a porta e segurá-la para ela passar, tudo isso está a desaparecer dos namoros atuais. Por vezes, o rapaz e a rapariga não namoram, mas "curtem", algo que só pelo nome já é rude e não parece ter nada de carinhoso e gentil em si.

Através destes comportamentos dos rapazes para com as raparigas, podemos dizer que o amor, hoje, é algo desvalorizado e vai perdendo o seu significado e chama, uma vez que os namorados são cada vez menos gentis.

Bárbara Ferreira Costa, 10º E

6 de novembro de 2015

Mudam-se os tempos...


Hoje, os passatempos são bem diferentes do que eram há algumas décadas, apesar de a nossa necessidade e gosto pelo lazer e pelo convívio serem idênticos.

Atualmente, os jovens já não jogam ao elástico, ao peão ou ao berlinde. São mais sedentários, ocupam o tempo em casa, durante horas, à frente da televisão e do computador, a jogar jogos como CS GO, LOL e Minecraft, ou deitados no sofá, a ouvir música, sozinhos.

Agora, as famílias mal comunicam verbalmente, pois preferem utilizar o SMS. Antigamente, as pessoas conheciam-se todas umas às outras, agora só se conhecem através da Internet, ou seja, têm amigos virtuais.

Para concluir, a vinda da Internet foi uma coisa boa, mas com ela as pessoas tornaram-se muito sedentárias e talvez mais solitárias.


Tiago Matias, 10º D

28 de outubro de 2015

OS DEFEITOS DA PERFEIÇÃO

fotografia de Angel Nenov
Hoje, onde quer que estejamos, somos bombardeados com o estereótipo de uma aparência idílica. Seja em casa, a ver televisão, seja a passear pela rua, há sempre algum anúncio ou cartaz a promover essa tal perfeição, convencendo-nos de que atingi-la é mais importante do que tudo o resto.

Pessoalmente, embora seja contra tentarmos moldar o nosso exterior à medida do consensual, acho que não há uma pessoa no mundo moderno que não seja afetada pelos patrões inatingíveis da sociedade. Somos “programados” desde crianças pela noção de perfeição, muitas vezes relacionada, na publicidade, com a felicidade, e fazemos de tudo para que os outros nos aceitem, de nenhuma maneira afetando a perspetiva que temos sobre nós próprios. Aliás, a noção de próprio foi completamente despedaçada, pois o que pensamos já não importa, se comprarmos a loção para a cara do anúncio daquela mulher lindíssima e os sapatos mais desconfortáveis do mundo, “perfeitos para qualquer ocasião”.

Se repararmos, a perfeição é ela própria um produto, que todas as empresas parecem conseguir vender a preços exorbitantes. Por isso é que temos de rejeitar estas ideias erradas e superficiais que nos afetam a todos, e nunca positivamente.

Para provar que a perfeição e a felicidade não estão relacionadas, basta olharmos à nossa volta. Há pessoas gordas felizes, mulheres que se sentem bem consigo próprias mesmo sem maquilhagem, homens sem corpos esculpidos à medida de deuses gregos que usam mais os músculos do que os modelos das revistas. Afinal, os músculos mais importantes são os que provocam um sorriso.

Resumindo, Agustina Bessa-Luís tinha razão, quando disse que a aparência tomou conta da vida das pessoas, não importando se elas têm uma existência vã, desde que ostentem os bens que a publicidade difunde e a sociedade de consumo valoriza. Mas está nas nossas mãos passarmos a preocupar-nos com as pessoas que somos e não com os disfarces que vestimos.

Gabriel Branco, 11.º A


20 de outubro de 2015

OUTROS MUNDOS OUTROS SERES

fotografia de George Brown

     A existência de extraterrestres é um assunto polémico há vários anos. Muitas pessoas crêem que existem seres com o poder de viajar grandes distâncias pelo cosmos, e que poderão mesmo encontrar-nos, num dia que se tornará apocalíptico. Mas será isto uma possível realidade ou apenas fruto da ingenuidade e superstição humana?

Já os dedutivos filósofos gregos ponderavam sobre tais existências, há mais de dois milénios. Logicamente não imaginavam grandes naves espaciais que se movem à velocidade da luz, por onde saem homenzinhos de grandes olhos com armas laser bem firmes nos seus três dedos (pelo menos, não me parece que imaginassem). De qualquer forma, este é um cenário altamente improvável, não só pelas dificuldades tecnológicas que apresenta, mas principalmente pelas dificuldades evolutivas. É milagroso o facto de termos chegado a este patamar evolutivo, tendo em conta os vários factores necessários. Teve que ter lugar uma enorme cadeia de acontecimentos para que esteja neste momento a ler este texto, que passa pela altura em que a Terra sofreu um impacto colossal e ficou ligeiramente inclinada. Aliás, um evento tão simples como a cheia de um rio pode ter afetado o nosso desenvolvimento cognitivo há milhões de anos.

Com tudo isto não quero provar a inexistência de extraterrestres, mas sim mostrar que não serão seres evoluídos que se assemelham a nós. Numa vastidão tão grande como a do cosmos, acredito que haja até mais que uma espécie em mais que um planeta, mas serão formas de vida muito diferentes e mais simples que nós.

Ainda assim, imaginemos que somos visitados por habitantes de um planeta distante. Deveria este cenário aterrorizar-nos? Para responder a esta questão, o melhor é olharmos para nós mesmos. Podemos notar que à medida que uma determinada comunidade evolui, também o seu nível ético aumenta. Tomemos como exemplo a abolição da escravatura e os esforços crescentes para a preservação e o bem-estar animal. Os seres extraterrestres provavelmente teriam um nível ético superior, pelo que respeitariam as nossas vidas, tentando interagir pacificamente connosco.

Tanto quanto sabemos, não podemos excluir a hipótese, apesar de mínima, de sermos invadidos por seres sedentos de sangue, mas valerá mesmo a pena focarmo-nos tanto nesse lado negativo? Seria como viver com o medo constante de um relâmpago nos cair em cima. Até podemos ter liberdade para mudar a sociedade, mas numa escala tão inconcebível como a do Universo, não há escapatória ao nosso futuro. Existem tantos outros perigos mais reais, não só vindos do espaço, mas mesmo do nosso ambiente degradado e da nossa espécie egoísta! 

O que me leva a pensar noutra questão: caso entremos em contacto com outra civilização avançada, conseguiremos lidar com essa espécie, quando nem com a nossa conseguimos?

Alexandre Pinho, 11.º B

16 de junho de 2015

A experiência dos limites na literatura

Radiografia de flores, Steven Meyers
Escritas em distintos séculos, movimentos artísticos diversos e diferentes cantos do mundo, Sofrimentos do Jovem Werther (Goethe, Alemanha, 1774),  Ligações Perigosas, (Choderlos de Laclos, França, 1782), Cartas Portuguesas, atribuídas a Mariana de Alcoforado (França, 1669), e Novas Cartas Portuguesas (Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, Portugal, 1973), são quatro obras que tudo teriam para ser distantes, caso algo não as aproximasse. 


Aproxima-as, então, a sua construção epistolar e a violência com que exploram o tema preferido da literatura: o amor. Se o amor é violento e rasga corações, cozendo-os com a agulha da dor, é também assunto em que pensar e  a partir do qual indagar a natureza humana.

Nas quatro obras é analisado este jogo sob a perspetiva dos dois jogadores (caso houvesse uma obra do século XXI, seriam mais os cenários do jogo): enquanto a obra de Goethe, fundadora do Romantismo, se debruça sobre um homem de coração desvendado por uma auto-análise minuciosa, e Laclos revela o sofrimento das vítimas do jogo, na sua dimensão mais perversa, as novas e velhas cartas portuguesas dão-nos a perspetiva da mulher, coisificada no jogo do amor e do sexo. 

Desta forma, as quatro obras respondem perfeitamente ao tema da experiência dos limites. 

 Beatriz Lourenço, 12º E, Clássicos da Literatura

7 de junho de 2015

Passe de calcanhar

Homens e mulheres andavam felizes e contentes pelos prados e viviam em paz, até que um dia tiveram frio. Desde então, começaram com a mania da propriedade e mudaram-se para as cavernas, onde os homens deixavam as mulheres a cuidar das crias enquanto iam caçar. Como os homens são seres naturalmente singelos, confundiram tudo e ganharam a outra mania que viria a desencaminhar a humanidade, a mania de que as mulheres são objectos de parir e de servir.

O mundo foi girando e, no século XX, três Marias emancipadas pegaram em si e na sua emancipação e escreveram um livro epistolar sobre o amor, desta vez sob a perspectiva feminina. Sentiram-se “menos desamparadas”, confessaram. Talvez por se subtraírem ao amparo do Estado Novo e experimentarem a liberdade de quem pensa. E assim, as Novas Cartas Portuguesas foram um escândalo e uma heresia, nomes que os ditadores chamam ao inconformismo e, muitas vezes, à plenitude artística.

Na obra, a mulher difere mais da casa do que o que é costume, ela pensa, ela fala, ela sente. Ela não é uma parideira, ela quer prazer sexual. Ela não é uma escrava, ela quer serviço mútuo. Ela não é frágil, ela é humana… e revela a humanidade do homem.

Mas depois de desvendar a fragilidade e o marialvismo masculino, ela ama-o, ela quere-o, ela deseja-o. A mulher, forte, encontra no homem a sua fraqueza, no amor o seu “calcanhar de Aquiles”. Vejamos o Aquiles a virar Ronaldinho e a dar toques no jogo do amor, porque a mulher não é uma casa ou uma consola, é uma jogadora, e uma jogadora à altura.

Beatriz Lourenço, 12º E, Clássicos da Literatura