1 de março de 2017

Heróis versus heróis

Um interessante texto do José Tobio, que avalia o mundo contemporâneo com espírito  crítico.

Fama (Dresden)
Na era dos Descobrimentos havia muitos heróis. Gente na esperança de encontrar ilhas ou terras, gente que olhava para a morte e se ria. Agora há quem chame herói a alguém que só faz figura de parvo!

É verdade que ainda existem heróis na nossa sociedade, mas comparados com os do passado são praticamente nada. Pessoas como Neil Armstrong, Usain Bolt ou Stephen Hawking são heróis, pois fizeram ou fazem coisas extraordinárias, dignas de memória, embora, provavelmente, não sejam comparadas às dos heróis do passado. Mas alteraram, cada um na sua área, o mundo. 

Há quem considere pessoas como o Cristiano Ronaldo ou o Justin Bieber heróis, uns entendo, outros não! Dizer que este é "o meu herói" porque lançou uma música “fixe” ou porque fez um vídeo popular no “youtube” não é estranho, é, no mínimo, absurdo!

Hoje, qualquer pessoa que seja considerada celebridade é um herói. Até podem ser racistas, homofóbicas, mas vai haver sempre alguém a dizer que quer ser como ele. Vá-se lá perceber! 

Comparo a minha geração a um íman, porque se algo ficar popular, nós vamos pegar-nos a isso e vamos vê-lo, ouvi-lo ou fazê-lo vezes sem conta!

Acredito que atualmente ainda existem heróis. Contudo, a sensação que tenho é que os que fazem coisas engraçadas ou os que fazem figura de parvos são mais facilmente lembrados. Felizmente, e alegra-me pensar assim, não como os que Camões define como aqueles que “se vão da lei da morte libertando”, pois “os parvos” serão tão breves como um fósforo, cuja chama é efémera.

José Tobio, 9B

1 comentário:

Ferreira Borges disse...

Espírito crítico! Espírito que eu gosto!