5 de fevereiro de 2014

Passarox, de Castro Guedes - a peça que os Gambuzinos andam a tecer

Quem não se lembra de Adolf Hitler, “o tirano”?… E quem se lembra de Adolf Hitler, “o eleito democraticamente”?  O homem que queria ser pintor tornou-se desenhador da morte, da mesma forma que o homem que queria ser cozinheiro se tornou manipulador de alimentos: as aves. Sem asas para alcançar o céu e sem interesses comuns aos anjos, o “Mestre” serviu-se das asas de cada tipo de ave, correspondente a cada tipo de homem: o homem abutre, o papagaio, o cérebro-de-galinha, o avestruz, (que não quer encarar os próprios problemas), o sábio mocho, o futurista falcão…

Passarox é a terra em que as aves se deixam ouvir. Vivem numa hierarquizada civilização que equivaleria a uma monarquia democrática: a águia, majestosa ave soberana, “símbolo de todos os impérios”; as aves predadoras, como o falcão e o milhafre; e a plebe. 


Também os homens acreditam viver democraticamente, esquecendo que a democracia é um império erguido pelos faraós do tempo, e que, tal como o império romano, se não for mantido… rui. Castro Guedes reparou que a democracia tem sido corroída pelos vícios sociais e pela corrupção e decidiu “acordar” o mundo. 


E se ridendo castigat mores, tal como Vieira se serviu dos peixes, Guedes serve-se dos seres alados para atingir a humanidade que, com o seu cérebro de galinha, está suscetível ao ataque de qualquer galo.


Beatriz Lourenço, 11º E

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