20 de fevereiro de 2014

Erros meus, má fortuna, amor ardente

Pintura de Matisse, 1916
Torna-se difícil suportar o que sinto. Todos os erros cometidos pairam sobre mim como uma nuvem escura e pesada que me atormenta. Ainda assim a vontade permanece, tal como o desejo, o querer inalcançável, a saudade incessante e esse amor ardente que se entranha na alma sem porta de saída.

Sentir que o tenho, e que o perco a cada dia que passa. O que predomina em mim é algo absolutamente inexplicável. Sinto-me desgastada, derrubada, mas ainda assim o desejo mantém-se. Torna-se intolerável toda esta dor, angústia, ímpeto. A vontade de encontrar a felicidade dissipa-se a cada dia um pouco mais, deixando apenas a tristeza como garantida. Deixo-me a cada dia que passa ser perseguida pelos seus encantos e desencantos, ainda que sejam eles o berço deste sentimento infinito, irmão da angústia e inimigo da felicidade.

A esperança esvai-se, o medo surge e a desilusão subsiste, como aquela nuvem escura e pesada, fazendo, assim, dos erros passados a melancolia do presente. Quero poder disfrutar ao teu lado de tudo o que a vida tem, porque só assim continuarei viva. Até lá, aguardo aqui sentada, com o coração palpitante, as mãos suadas e os olhos brilhantes. Porque, para sempre, permanecerá em mim a ânsia do que fomos e não fomos.

Marina Ramos Santos, 10ºE

1 comentário:

Ferreira Borges disse...

Emotivo e profundo. Parabéns!